Se não repetiram o alto padrão mostrado nos jogos que fizeram entre si na reta final da temporada de 2024, Flamengo e Internacional protagonizaram um embate interessante do ponto de vista tático. Roger Machado mudou o esquema para encarar os cariocas no Maracanã. Isso levou problemas ao time de Filipe Luís, que mais uma vez mostrou pouco poder de definição.
Em alguns jogos do Campeonato Carioca o Flamengo foi bem superior ao adversário e terminou a partida com vitórias magras. É necessário aumentar a letalidade em competições com maior grau de dificuldade. O empate em 1x1 com o Internacional é o melhor exemplo de que outro lado, agora, haverá mais repertório para criar problemas.
Escalações
Filipe Luís não pôde mesmo contar com Gérson. Escalou uma linha de quatro atacantes, com Juninho e Bruno Henrique pelo centro, e Luiz Araújo e Michael pelos lados. Arrascaeta foi outro desfalque. Plata começou no banco.
Roger Machado montou um Inter sem maiores surpresas. Borré voltou ao comando do ataque. Vitinho e Wesley foram os pontas. Rochet também retomou o lugar na meta. Sem Victor Gabriel na zaga, Juninho foi o companheiro de Vitão. Fernando fez a função de zagueiro, montando uma linha de cinco no momento defensivo, desde o primeiro minuto da partida.
Como Flamengo e Internacional iniciaram o duelo válido pela 1ª rodada do Brasileirão 2025 — Foto: Rodrigo Coutinho
O jogo
A lembrança do ótimo nível nos enfrentamentos entre as equipes no Brasileirão do ano passado ainda está fresca na memória de quem acompanha futebol com mais atenção, e certamente jogou a expectativa da partida para cima. Quando a bola rolou, no entanto, rubro-negros e colorados acabaram entregando um jogo amarrado.
Fruto da criatividade menor do Flamengo nesta noite, sem Gérson e Arrascaeta para achar soluções perto da área rival, mas também de um trabalho defensivo de ótimo nível implementado pelos jogadores gaúchos. Como citado acima, Fernando defendeu como zagueiro desde o primeiro minuto de jogo. Compôs a linha de cinco entre Vitão e Juninho, algo importante para controlar o Flamengo.
É verdade que o atacante Juninho cabeceou duas vezes com perigo na 1ª etapa. E só não abriu o placar por conta de ótimas defesas de Rochet, mas as infiltrações entre os defensores rivais não acontecereram com tanta frequência. A presença de Fernando ajuda a entender isso. Um elemento a mais na última linha, coberturas e bloqueios mais próximos.
Bruno Henrique x Bruno Henrique em Flamengo x Inter — Foto: Alexandre Durão
Logicamente que o Flamengo poderia ter tido mais criatividade no setor de meio-campo. Com só o Bruno Henrique colorado protegendo a frente da área, o setor ofereceu possibilidades aos anfitriões, mas o problema era a característica dos jogadores que ocupavam este setor. Sem Gérson e Arrasceta, coube a Luiz Araújo e Bruno Henrique tal papel.
Juninho ficava mais enfiado entre os zagueiros. Bruno dava alguns ''passos atrás'' para se alinhar a Luiz Araújo, que por sua vez transitava da direita para o meio, abrindo o corredor direito para Wesley. Michael esteve mais fixo pela esquerda. De la Cruz se projetou pouco no setor central. Trabalhou mais por trás da linha da bola, na distribuição de passes, assim como Erick Pulgar.
A dinâmica do jogo então foi essa durante mais de 30 minutos. O Flamengo tinha a bola no campo rival e circulava, mas não penetrava, não achava as interações necessárias em espaços curtos. O Inter se fechava bem. Tentava reter a bola ao recuperá-la ou encontrar os contragolpes. Demorou, mas achou, e foi preciso.
Bruno Henrique bateu de chapa para concluir o cruzamento de Bernabei e vencer Rossi, jogada que foi iniciada pelo próprio lateral, e contou com participações importantes de Alan Patrick, Borré e Wesley para fugir da boa pressão pós-perda do Flamengo. Foi o primeiro contragolpe do Colorado no jogo. Logo depois, Vitinho quase ampliou o placar ao aproveitar bola retomada por Aguirre no ataque.
Bruno Henrique comemora o gol do Inter contra o Flamengo — Foto: Alexandre Durão
Outro problema para o Flamengo foi não conseguir encaixar tantas pressões na saída colorada. Até gerou dificuldades em alguns momentos, mas jamais forçou o erro que dá a chance de gol, algo corriqueiro sob o comando de Filipe Luís. Fernando e Bruno Henrique estiveram bem ao tirar a bola da zona pressionada e ao fazerem movimentos que geraram linhas de passe a zagueiros e laterais.
O time visitante perdeu Rochet no intervalo, com uma lesão na mão esquerda. Anthoni passou a ser o goleiro do Inter. Filipe Luís manteve o time que iniciou o jogo, mas Michael e Bruno Henrique começaram a buscar mais movimentos em diagonal em cima da última linha defensiva do Inter, realizaram até algumas trocas de posição, algo mais raro na 1ª etapa. O volume ofensivo cresceu.
Léo Pereira empatou o jogo antes dos dez minutos ao completar um chute cruzado de Michael, após batida de escanteio de Pulgar. O Maracanã se inflamou e o rubro-negro chegou muito perto de virar em três ocasiões na sequência. Juninho perdeu grande chance em lançamento primoroso de Léo Ortiz. Filipe Luís sacou Michael e o impreciso Luiz Araújo para as entradas de Cebolinha e Plata.
Roger respondeu com Ronaldo e Carbonero nas vagas de Bruno Henrique e Vitinho. Logo depois sacou Borré para a entrada de Enner Valência. O jogo, porém, já era diferente. O Colorado seguia fechado, mas o rubro-negro já obtinha momentos de destaque com um ataque mais móvel, e com o crescimento de Wesley pela direita ao se associar com Plata.
Léo Pereira comemora em Flamengo x Inter — Foto: Alexandre Durão
Bruno Henrique saiu desgastado aos 25 minutos. O jovem Wallace Yan entrou e aumentou ainda mais a mobilidade da linha de frente. Participou de duas ótimas jogadas com poucos segundos em campo, e chegou perto de marcar. Anthoni também impediu um gol de Pulgar em chute de média distância.
A última cartada de Roger foi a entrada de Thiago Maia no lugar de Wesley. Carbonero passou ao lado direito. O Colorado voltou a melhorar defensivamente com essa intervenção e conseguiu escapadas interessantes com o ponta colombiano em novo setor. Bernabei também se lançou mais pela esquerda. Isso foi o suficiente para sair da pressão anfitriã, mas não para buscar o segundo gol.
O Flamengo nitidamente perdeu ímpeto nos últimos minutos, apesar da entrega de Wallace Yan e da boa entrada de Matheus Gonçalves perto dos acréscimos. Certamente lamentará as chances desperdiçadas quando passou a produzir mais na 2ª etapa.