O Flamengo encara o Al Hilal nesta terça-feira (6), pela semifinal do Mundial de Clubes . O time da Arábia Saudita vem de uma classificação nos pênaltis sobre o Wydad Casablanca . E o jogo do último sábado (4) deu um panorama mais atual da equipe de Ramon Diaz.

O Al Hilal é um time que chega desgastado fisicamente após um duelo que durou horas, não apenas pela prorrogação e pênaltis, mas também pelos longos acréscimos. Por outro lado, o Al Hilal saiu fortalecido psicologicamente por conquistar a vaga na casa do adversário diante de uma impressionante torcida marroquina.

Mesmo saindo atrás no placar, o time saudita teve personalidade e repertório tático para ir buscar o empate no final. As substituições demoraram, aconteceram por volta dos oitenta minutos, mas trouxeram novas possibilidades à equipe que saiu de um 4-3-3 para um 4-2-4.

Quando Diaz tirou Salem Al-Dawsari (que estava fazendo a meia esquerda) e colocou Carrillo pela ponta-direita, ele trouxe Marega para dentro da área povoando duplamente aquele espaço que já contava com o centroavante Al-Shehri, substituto de Ighalo. Foi numa tabela de Marega com Saud que aconteceu o lance do pênalti (e não entro aqui no mérito da marcação da arbitragem, mas da construção da jogada).

O argentino Vietto entrou no lugar de Michael, mas não se limitou a jogar aberto pela ponta. Veio para a intermediária gerar jogo entre os volantes e a linha de defesa do Wydad, ajudando na criação de jogadas perigosas. O time melhorou muito com as mexidas. Mesmo com a expulsão de Kanno, o Al Hilal seguiu perigoso no ataque.

Mas a lesão de Carrillo, que tinha sido recuado para a função de volante após o cartão vermelho para o companheiro, tirou muito da qualidade da equipe naquela região do campo. Cuellar, que fez muito boa partida, ficou sobrecarregado nos minutos finais com a entrada do jovem Musab Al Juwair (19 anos).

E essa pode ser a melhor notícia pra o Flamengo nessa semifinal. Sem Kanno e Carrillo, o Al Hilal deve ter problemas para montar o meio-campo. Outro titular da posição, Al Faraj sequer viajou para o Marrocos em função de uma lesão sofrida ainda na Copa do Mundo pela seleção saudita.

O experiente Otayf, que não é muito usado por Diaz, pode ser a opção caso ele não queira repetir a entrada do menino Al Juwair. Al Malki é a outra opção do elenco, mas nem no banco ficou sábado.

O Hilal também não inscreveu no Mundial de Clubes o lateral-esquerdo Al Sharani, mais um lesionado. A posição tem sido ocupada Nasser Al Dawsari, que é meio-campista de origem. E ali está um dos gargalos da equipe azul. Foi por aquele lado que o Wydad construiu ataques mais promissores e sofreu menos defensivamente. Pensando na formação do Flamengo, pode ser interessante neste jogo ter Matheuzinho jogando nas costas de Nasser para explorar a força ofensiva do lateral rubro-negro.

Do outro lado, entretanto, Saud tem outra força. Titular na Copa do Mundo, o lateral-direito do Al Hilal foi quem fez a jogada que originou o pênalti diante dos marroquinos. É muito agudo ofensivamente e se vira melhor lá atrás do que o outro lateral. Por isso penso que seria mais interessante colocar Filipe Luis por ali, uma vez que ele vai menos ao ataque do que Ayrton Lucas.

Não dá pra dizer se o Al Hilal usará a mesma estratégia contra o Flamengo, mas a sua defesa se mostrou permissiva ao ceder espaços nas costas da última linha, que joga em bloco médio. Um passe bom para quem vem de trás em velocidade, infiltrando na zona de finalização com certeza pode gerar boas situações de gol.

A saída de bola dos azuis também foi problemática. Muitas vezes eles tentaram sair trocando passes, mas cometeram erros que, bem explorados, podem decidir o jogo. Quanto mais o Flamengo conseguir pressionar a saída de bola, mais forçará o adversário a recuar para o goleiro Al Maiouf que bate bem na bola e busca o centroavante de referência para os lançamentos. Por quase todo o jogo de sábado, esse cara foi Ighalo. Mas o nigeriano, voltando de lesão, não teve bom rendimento. Como seu reserva, Al-Shehri, também foi praticamente nulo, é possível que Diaz jogue com Marega centralizado, e Vietto completando o ataque.

Conhecido dos rubro-negros, Michael teve atuação apagada. A impressão que tive foi de que o time não soube aproveitar as suas qualidades. Pela forma de jogar, ele recebia a bola sem espaço para arrancar e finalizar. Mas a atuação de sábado não pode ser vista como padrão. O Flamengo sabe bem como ele pode ser fatal.

Um ponto falho do Al Hilal é o rebote defensivo em escanteios. Mais de uma vez permitiu ao Wydad finalizar da entrada da área após a defesa cortar um cruzamento na pequena área. Aliás, foi num escanteio que saiu o gol do time da casa. Batido na primeira trave com desvio de um jogador azul na primeira trave para que o zagueiro marroquina cabeceasse do outro lado. Está aí um caminho que o Flamengo costuma usar para marcar muitos de seus gols.

Um componente que ficou óbvio para quem acompanhou a partida vai além da tática ou técnica. O Al Hilal não aceita 'sugestão', cara feia, entrada ríspida. Vai procurar se impor nas discussões, pressões sobre a arbitragem e demais questões de campo. É uma decisão de verdade.

É um time de boa qualidade técnica. Não excepcional, mas boa. E não será um adversário fácil para o Flamengo que nós vimos neste início de temporada no Brasil. Para chegar à final com segurança Vitor Pereira terá de fazer o time voltar a jogar como nos melhores momentos de Dorival. E isso já faz alguns meses.

A classificação é possível sem uma grande atuação, mas à base de um comprometimento maior no aspecto defensivo do que foi mostrado na Supercopa do Brasil.

Próximos jogos do Flamengo:

Al Hilal - 07/02, 16h - Mundial de Clubes
Volta Redonda (F) - 15/02, 21h10 - Campeonato Carioca
Resende (F) - 18/02, 16h - Campeonato Carioca