O estado atual do antigo estádio Godofredo Cruz, casa do Americano, é emblemático da transição e desafios enfrentados pelo clube nos últimos anos. Segundo informações do ge, o estádio, inaugurado em 1954 e considerado o terceiro maior do interior do Rio de Janeiro, foi demolido em 2014 após um contrato de permuta com a construtora IMBEG, assinado em 2013, avaliado em R$ 26,7 milhões. Desde então, o terreno permanece abandonado, sem que obras de um novo complexo esportivo tenham sido efetivamente iniciadas.
Histórico do Godofredo Cruz
O Godofredo Cruz foi palco de grandes momentos da história do Americano, incluindo uma vitória memorável sobre o Santos em 1975 e um recorde de público de 22.853 pessoas em um empate contra o Flamengo em 1983. Contudo, a realidade financeira do clube se deteriorou ao longo dos anos, culminando em seu primeiro rebaixamento no Campeonato Carioca em 2012. A venda do estádio tornou-se a única alternativa viável para a sobrevivência financeira do clube, conforme explicou César Gama, ex-presidente do Americano: “As dívidas eram muito pesadas para o clube, por isso optamos pela venda. A salvação era essa, caso contrário, teríamos pouco tempo de vida. Posso dizer que hoje o Americano é um clube sem dívida alguma.”
A Permuta e suas Consequências
O contrato de permuta com a IMBEG previa que o Americano entregaria o estádio e outros ativos em troca da construção de um novo estádio e centro de treinamento em um terreno de quase 200 mil m² em Guarus. A IMBEG comprometeu-se a pagar R$ 5,6 milhões de torna e a concluir as benfeitorias dentro de um prazo de 48 meses, com uma tolerância de seis meses. Contudo, até o momento, o novo estádio não foi construído e o terreno do Godofredo Cruz permanece em estado de abandono.
A prefeitura de Campos dos Goytacazes, em nota, afirmou que o terreno é de propriedade privada e que qualquer projeto depende da iniciativa dos proprietários. Em 2024, notificações foram emitidas ao terreno, que passou por limpezas, mas a situação continua precária, com indícios de desleixo e abandono.
Situação Atual e Futuro do Americano
Desde a demolição, o Americano utilizou o Centro de Treinamento Eduardo Augusto Viana da Silva, inaugurado em 2015, que oferece uma infraestrutura moderna para os jogadores. Entretanto, a construção do novo estádio ainda é um mistério, com a atual diretoria enfrentando atrasos contínuos. Em março de 2023, o clube processou a IMBEG por não cumprir os prazos acordados, que incluíam a entrega de um clube social e um terceiro campo até dezembro de 2023.
A IMBEG argumentou que os prazos foram prorrogados em duas ocasiões, citando a pandemia como um dos fatores complicadores. A defesa do Americano reconheceu algumas prorrogações, mas contestou a validade das novas datas apresentadas pela construtora.
Em fevereiro de 2023, o Americano se tornou um clube-empresa (SAF), sob a gestão do Grupo Boston City. A nova administração tem buscado resolver a questão da construção do estádio sem a necessidade de judicialização, trabalhando em contato com a IMBEG para encontrar uma solução viável.
O Americano, que estreia na Série A2 do Carioca no dia 18 de abril contra o America, continua a lutar por seu espaço no futebol, enquanto busca um novo lar para seus torcedores e jogadores.