Wagner Pimental só tinha feito uma loucura na vida. Foi deixar a cidade de Alagoinhas, na Bahia, para ver o Flamengo jogar a final da Copa do Brasil , no Maracanã, em 2013. Isso até a última terça-feira, quando entrou em um ônibus com destino a Lima.
Ele viajou de Alagoinhas para Salvador. Depois foi de avião para Rio Branco, com escala em Brasília, acumulando quase nove horas de viagem. Na capital do Acre se juntou a outros 18 flamenguistas que estavam no ônibus Rio de Janeiro-Lima. Todos com o objetivo de ver a final da Copa Libertadores na capital peruana.
"Minha mulher me achou maluco, mas ela foi compreensiva. Sabia que é um sonho meu", disse Pimental, que tem 37 anos.
Compreensiva, mas com limites. Já barrou a ideia de Pimental de batizar como Arthur ou Adriano um futuro filho, se tiverem. Ele gostaria de homenagear Zico ou Imperador. "Mas ela disse que o nome ela é quem vai escolher".
No trabalho, ele também contou com a compreensão do chefe para ser liberado para a viagem. Vai ficar fora da cidade natal por 12 dias. Ele é professor de história no Centro Territorial de Educação Profissional do litoral norte e agreste baiano, em Alagoinhas.
Conversou com o diretor da Escola, onde está há dez meses, e usou até o histórico profissional.
"Sou funcionário público há 12 anos e só faltei uma vez no trabalho, mas com justificativa. Disse isso a ele e expliquei que é meu sonho. Além disso, estamos na fase de provas e elas podem ser aplicadas por outro professor".
O diretor foi compreensivo e liberou Pimental. Os alunos não ficaram sabendo ainda que ele viajou de ônibus para Lima, ao menos não por ele. O professor sabe que quando os reencontrar vai ter história para contar.
"Se o Flamengo for campeão vai ser aquela zorra. [E se perder o título?] Aí eles vão me sacanear, já estou até vendo", disse.
Por ser torcedor do Flamengo em um Estado em que Bahia e Vitória são populares, ele acaba lidando com questionamentos de algumas pessoas. Alguns curiosos com o fanatismo dele. Outros que discordam.
Mal sabem que a influência veio de um jogo de botão rubro-negro, quando tinha 10 anos.
"Rapaz, meu pai é torcedor doente do Bahia e nunca tentou me influenciar. Eu acabei livre para escolher e acabei influenciado por um jogo de botão do Flamengo de 1992, que um colega me apresentou. Achei linda a combinação rubro-negra. E isso foi antes do Campeonato Brasileiro começar. Depois o Flamengo foi campeão e aí foi uma festa só", relembrou.
Pimental gosta de citar que o ídolo naquele time era Júnior e frisa "único jogador da geração de 1981 que eu vi jogar".