Pouco papo entre grupos do elenco e apatia marcam momento do Flamengo: "Clima de m..."

No momento em que ostenta sua maior invencibilidade em 2023 - seis jogos -, o Flamengo se depara com dúvidas sobre seu futuro. O comportamento em campo, a apatia para buscar vitórias mesmo em jogos com superioridade de jogadores e a falta de diálogo para se encontrar soluções chamam atenção.

Existem de três a quatro grupos dentro do elenco rubro-negro, e o clima não é bom. No dia a dia do CT, não se enxerga um sentimento de unidade, independentemente de afinidades fora de campo ou não.

Plantel dividido em grupos não é novidade no futebol, tampouco no Flamengo , mas a falta de comunicação entre eles preocupa. Nos últimos anos, mesmo com personalidades variadas, era comum ver jogadores reunidos em comemorações. Tais fotos tornaram-se escassas.

Jogadores do Flamengo antes da partida contra o Cruzeiro — Foto: André Durão
1 de 2 Jogadores do Flamengo antes da partida contra o Cruzeiro — Foto: André Durão

Jogadores do Flamengo antes da partida contra o Cruzeiro — Foto: André Durão

Pessoas que participam do dia a dia rubro-negro sugerem lavagem de roupa suja para saber por que o plantel não consegue entregar um desempenho compatível com seu investimento. O "correr pelo outro" é algo que não se manifesta também no conturbado momento da equipe.

Fontes escutadas pela reportagem afirmaram, sem meias palavras, que o clima no Flamengo é "uma m..." .

Um sentimento em comum entre alguns jogadores e comissão técnica é que a chegada dos reforços na janela de julho será importante para tirar o grupo da zona de conforto e aumentar a competitividade interna. O Flamengo fechou com Luiz Araújo e deseja mais quatro contratações. Em contrapartida, há o entendimento de que a virada de chave não pode ocorrer somente a partir da presença dessas novas caras.

Como os líderes têm se portado

David Luiz, um dos líderes que mais se posicionaram em entrevistas e no vestiário a partir da derrota na final da Libertadores de 2021, vive momento de maior reclusão. Sente-se pouco respaldado na briga por mais profissionalismo e, por isso, tem evitado os microfones.

Além disso, virou alvo da torcida nos últimos jogos. Aos 36 anos, tem o hábito de dar atenção aos mais jovens, inclusive dando suporte fora de campo, em treinamentos até dentro de casa. Rodinei e Pedro também tiveram um acompanhamento do defensor no ano passado.

Outro que deu a cara em derrotas na atual temporada, Gabigol também falou pouco nas últimas semanas. Jogador que transita nos diferentes grupos, o camisa 10 sofre resistência de alguns companheiros por sua personalidade, mas não há animosidade. Ele tem ótimo relacionamento com Rodrigo Caio, Everton Ribeiro, Filipe Luís e Matheuzinho, por exemplo.

Em meio a momento de pouca utilização e lesões, Filipe Luís e Everton Ribeiro pouco têm falado. Enquanto vinha jogando, porém, Everton era figura carimbada em entrevistas após os jogos e nos desembarques.

O lateral até deu entrevista após o decepcionante empate com o Ñublense, quando dividiu a responsabilidade pelo fraco desempenho entre clube, comissão e jogadores. A manifestação causou grande repercussão e gerou interpretação de que poderia estar insatisfeito com o trabalho de Sampaoli, mas pessoas próximas ao jogador garantem que ele não teve essa intenção.

Entrevistas à parte, o silêncio que gera maior incômodo é o interno. O fato de grupos não se falarem ou não saírem juntos não é o problema maior. A falta de mobilização e de conversas para se identificar o que falta é que chama atenção.

Decisões impopulares de Sampaoli completam cenário

Personagem novo na rotina do Ninho do Urubu, Jorge Sampaoli trouxe esperança pelas dinâmicas apresentadas e a preocupação com o bom futebol e a posse de bola. Algumas medidas impopulares, porém, causaram desconforto.

Representantes de diferentes tribos rubro-negras entendem que o grupo ter tido sua primeira folga somente no 29º dia de trabalho do treinador, após o empate por 0 a 0 no Fla-Flu da Copa do Brasil, foi um erro.

Outro fato que causou incômodo foi a obrigatoriedade de ir direto do aeroporto para o Ninho do Urubu na madrugada posterior ao empate por 1 a 1 com o Racing, na Argentina. No ônibus que levou a delegação para o treinamento matinal, pôde-se escutar algumas manifestações contrárias.

Sampaoli também enfrenta alguma resistência por sua decisão de esticar a corda no aspecto físico. Como entendeu que o time estava muito aquém do esperado, tem exigido muito do elenco com atividades que, em alguns momentos, excedem o esperado pelo Departamento de Saúde e Performance do Flamengo .

Grupo teve sua primeira folga no 29º dia de trabalho de Sampaoli — Foto: André Durão
2 de 2 Grupo teve sua primeira folga no 29º dia de trabalho de Sampaoli — Foto: André Durão

Grupo teve sua primeira folga no 29º dia de trabalho de Sampaoli — Foto: André Durão

Matheus França, por exemplo, sentia muitas dores na lombar e não queria viajar para o jogo contra o Ñublense. Ele, Arrascaeta e Léo Pereira foram a Concepción longe de suas condições ideais, mas acataram o pedido da comissão técnica. Léo, aliás, entrou no segundo tempo do empate por 1 a 1.

Marinho foi outro que alegou dores musculares, mas, diferentemente de França, Léo e Arrascaeta, não aceitou a recomendação de ir para o sacrifício e recusou-se a seguir com a delegação para o Chile.

Queixou-se do incômodo e foi para a sauna. Os responsáveis pela contagem da delegação observaram a ausência do jogador e o chamaram para se juntar ao grupo no ônibus, mas ele afirmou que não iria. Resultado? Foi multado e afastado.

Apesar de algumas decisões de Sampaoli que trazem pequenos ruídos, a preocupação maior dentro do Flamengo é com a postura de um elenco que se acostumou a ganhar taças e vive momento de crise técnica e de confiança, potencializado por resultados ruins.

Em semana de Fla-Flu, o clube encontra-se em estado de alerta para combater a apatia.

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Fonte: Globo Esporte