​Pelo menos até maio, Henrique Dourado será o substituto de Guerrero no Flamengo. O atacante, favorito para o lugar do peruano, com a negociação de Felipe Vizeu, atuará na mesma faixa do campo. A mesma posição, mas não fez a mesma função do camisa 9 rubro-negro nos times pelos quais passou. É o que apontam os perfis e, também, os números diferentes de cada atleta.
"Quem tem a ganhar é o Flamengo. Chego para buscar o meu espaço, sempre respeitando a decisão do nosso comandante. É para qualificar ainda mais o elenco. Chego para ajudar", disse Henrique Dourado, na apresentação no novo clube.
Para situar o torcedor em meio à chegada do novo reforço, ​apresentado na última quinta-feira (1), o Esporte Interativo comparou estatísticas dos dois camisas 9 e também de Felipe Vizeu, que só vai para a Udinese no meio deste ano. Para isso, levantamos as duas últimas temporadas completas de cada jogador no futebol brasileiro. No caso de Dourado, os anos de 2017 e 2014, já que o Ceifador esteve em Portugal entre 2015 e 2016. Limitamos a busca a este espaço de tempo porque Vizeu, de 20 anos, só tem dois como atleta profissional.
Henrique Dourado fez 113 jogos, 57 gols e nove assistências no período. O Ceifador, em relação aos concorrentes no Flamengo, precisou de menos tempo e chutes para marcar cada um. A média é de 0,5 gol por partida e quatro arremates para deixar cada bola no fundo da rede. Os números são do Footstas.

No quesito aproveitamento, os dois centroavantes com mais tempo de Flamengo levam a pior. Também em duas temporadas, Guerrero fez 87 jogos e 38 gols. Vizeu, 65 e 17. O peruano chegou perto de Dourado na média de gols, com 0,4, mas marcava a cada cinco chutes, aproveitamento parecido com o da promessa do Flamengo. Só que a prata da casa colocou uma bola na rede a cada cinco partidas.
Jogar para além da área e por títulos: novos desafios
Se Henrique Dourado, ao menos pelo histórico recente, mostrou que o Flamengo contratou um "fazedor de gols", agora, terá de provar que pode ajudar para além das "ceifadas". O Rubro-Negro será o primeiro clube com ambições (e condições) grandes da carreira do atacante, que não brigará mais para fugir de rebaixamentos - ou, essa é a expectativa -, e sim por títulos. Será um novo limite a ser superado, como falou o próprio atleta ao ser apresentado, no Ninho do Urubu.
Desde 2016, com Zé Ricardo, Rueda e, recentemente, Paulo César Carpegiani, o Flamengo se propôs um time protagonista e que recorre pouco a passes longos. O que deve obrigar o Ceifador a tocar mais na bola, sair da área e passar a pelota para outros bons finalizadores, como Everton Ribeiro, Diego e Paquetá - e até Guerrero. Papel tático que o peruano, concorrente forte pela vaga no time a partir de maio, fez bem desde que chegou, em 2015.

Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo e Getty Images
