Otimista ou pessimista? Veja como pensa cada clube sobre a formação da liga

Até agora, seis clubes da Série A assinaram o documento de criação da liga: Bragantino, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo (além de Cruzeiro e Ponte Preta, da Série B). O que pensam todas as equipes? O ge ouviu os 20 clubes da Primeira Divisão, mais Cruzeiro, Grêmio e Vasco. Confira abaixo:

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, ao lado de Julio Casares, presidente do São Paulo, em reunião sobre criação da liga — Foto: Thiago Ferri
1 de 1 Leila Pereira, presidente do Palmeiras, ao lado de Julio Casares, presidente do São Paulo, em reunião sobre criação da liga — Foto: Thiago Ferri

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, ao lado de Julio Casares, presidente do São Paulo, em reunião sobre criação da liga — Foto: Thiago Ferri

América-MG

– Estávamos trabalhando nisso desde o ano passado. Acho que é de fundamental importância. Hoje, para mim, os quatros clubes que caem têm que ter participação nessa divisão do bolo. Liga é modernidade para o futebol, avanço para o futebol. Vão ganhar os clubes e o torcedor que acompanha. Teremos uma qualidade maior e melhor para o futebol – disse o presidente Alencar da Silveira.

Athletico

– Não consideramos (que a liga está criada). Fomos surpreendidos com a pauta de reunião. A intenção seria uma conversa entre os clubes para ajustar. Aí vieram com os estatutos prontos e que os seis assinariam, e quem quisesse assinar também que ficasse à vontade. Eu nem estudei o estatuto. O Athletico vai ouvir o seu Conselho e, se estiver de acordo com os nossos princípios, assinaremos. Desde que fique claro que a fundação será dos 20. E não iremos a reboque dos seis – disse o presidente Mário Celso Petraglia.

Atlético-GO

– O mais importante é que todos os clubes têm interesse em que a liga seja criada. Todos sabem que é a forma de o futebol brasileiro crescer financeiramente. Há discussões, há pensamentos diferentes, mas o mais importante é que os clubes têm o mesmo interesse. Temos um grupo que foi formado e estamos discutindo isso em bloco. Acho que na próxima quinta-feira vamos convergir e dar um avanço muito importante. Vamos assinar juntamente com todos. Hoje, entendemos que já tinha uma construção mais avançada, mas a gente ainda não estudou juridicamente o estatuto e várias questões, para que a gente esteja confortável para assinar – disse o presidente Adson Batista.

Atlético-MG

– Não assinamos, mas porque recebemos o estatuto no final da semana passada, e o estatuto tem um anexo que é um dos assuntos mais importantes, sobre a distribuição das receitas da liga, e hoje ficamos sabendo que esse anexo é simplesmente uma premissa. Gastamos nossa energia, nos debatendo sobre a distribuição das receitas, e esquecemos de olhar o estatuto. Eu vi o estatuto, pedi a nossa assessoria para ver. A princípio, não vi nada que pudesse nos inviabilizar de assinar. Mas como temos um tempo até o dia 12, vamos analisar com mais calma e provavelmente devemos assinar – disse o presidente Sérgio Coelho.

Avaí

– O Avaí ficou muito satisfeito em participar deste encontro. Na próxima semana estaremos no Rio de Janeiro, ao lado de outros clubes, para começar a discutir os detalhes da forma e da constituição da nova Liga; quem serão os administradores, como serão divididas as cotas e os recursos, quais os produtos, ou seja, o objetivo é fortalecer o futebol brasileiro e a competição como um todo. O Campeonato Brasileiro precisa ser protagonista no mundo – afirmou o presidente Júlio César Heerdt.

Botafogo

– O papel do Botafogo nesse processo é de racionalidade. Nossa posição é de união, inclusão e valorização do produto, buscando consenso. Concordamos com a visão, o conceito e estamos avaliando tecnicamente a melhor estratégia para decisão em conjunto com John Textor. Não há motivos para açodamentos. O Botafogo tem ciência do seu valor, da capacidade da Liga e vai lutar pelo formato que alie os seus interesses e dos clubes como um todo. Entendemos que o próximo passo é reunir os 40 principais clubes do futebol brasileiro na sede da CBF, no dia 12, para uma posição em consenso. Até lá, todos terão tempo para avaliar os termos que estão na mesa. Temos pressa, mas não podemos errar. O futebol brasileiro precisa dar passos sólidos nesse importante momento de revolução que a Liga representa – disse o CEO Jorge Braga.

Bragantino

O clube decidiu não se manifestar sobre o assunto.

Ceará

O clube decidiu não se manifestar sobre o assunto.

Corinthians

– Tudo que foi proposto pode ser mudado dentro da liga. O que queremos é que as discussões saiam de um âmbito mais informal para dentro da própria liga. Qualquer divergência pode ser solucionada mais à frente na discussão dos clubes que integrarem a liga. Acho que existiam muitas divergências, há muitos anos se busca essa formação. Hoje já vimos todos muito mais próximos. Ainda tem algumas divergências muito pequenas. A gente espera até dia 12 de maio que os 20 clubes da Série A e os 20 da Série B já façam parte da liga – disse o presidente Duilio Monteiro Alves.

Coritiba

– Processo complexo de formação da Liga, mas é o desejo de todos da Série A e Série B. O desafio é a constituição da Liga por vários fatores econômicos. Há um medo coletivo. Desafio grande. Por mais que hoje tenha sido uma reunião divergente desde a pauta. Na quinta recebemos um convite dos cinco paulistas e mais o Flamengo para discutir. Recebemos a minuta do estatuto na quinta-feira. Viemos para discutir o estatuto, a distribuição econômica, mas não deu tempo de fazer uma análise jurídica. Ao todo, 14 clubes da Série A e 18 da B não assinaram, porque não tiveram tempo de análise e de discutir com a governança. Pedimos que a assinatura fosse na semana que vem na CBF. Eles queriam que a assinatura fosse feita hoje. Está marcado para quinta que vem na CBF. Vamos assinar desde que tenha tempo de analisar, verificar regras de distribuição – disse o presidente Juarez Moraes e Silva.

– Não dá para assinar se não houver alinhamento na distribuição, nas regras. Temos que definir antes de assinar. São apenas premissas. Não sei se vai dar tempo. É um tema sensível. A tentativa é que até quinta-feira tenhamos alinhado o estatuto. Existe pensamento de visões distintas. Muito dinheiro envolvido e a discussão é sensível. Estamos propondo que tire da agenda nesse momento. Que fechemos o estatuto e deixemos critérios como distribuição de receita para um segundo tempo. Eles indicaram a divisão em 40-30-30. 40% igualitário. Pega o valor total e divide por 20. 30% de performance esportiva. O primeiro ganha mais e assim sucessivamente até o vigésimo. Visibilidade e capacidade de exibição define os outros 30%. Mas nada foi discutido. Agora vamos negociar entre os 40 clubes o estatuto. Analisar e chegar a um consenso. Quanto a distribuição, preferimos discutir depois. Não tivemos tempo de ler o estatuto. Precisamos ler. Recebemos na sexta e não tivemos tempo. Tem que passar pelo jurídico. Depois o grupo se reuniu a parte, para ver os próximos passos. Mas temos que pensar nos 40. Tem diversos investidores interessados, mas é um processo.

Flamengo

– A criação da liga é um sonho antigo dos clubes, que desejam ter maior influência sobre seu próprio destino. A criação da liga foi um grande passo, porque demonstrou a união de grandes clubes, possivelmente os maiores. Além do mais, temos informações de que outros irão se juntar até a próxima semana. A questão comercial é relevante, mas a maior importância estará em poder organizar a competição e tudo que ela envolve, como arbitragem, calendário, etc... Foi um dia muito feliz, e semana que vem teremos mais – disse o vice-presidente Rodrigo Dunshee de Abranches.

Fluminense

O clube não respondeu aos contatos.

Fortaleza

– A reunião não foi aquilo que eu esperava, pois precisamos que o debate seja mais ampliado. Precisamos de um conjunto de ideias que seja de inclusão para todos os clubes, e não algo que pareça imposição. Estamos falando de 40 clubes, e apenas oito assinaram. Isso está longe de representar a vontade da maioria. Esperamos que para uma próxima reunião todos reflitam e deem um passo de união, para que definitivamente a gente consiga sair do papel de um movimento que pode ser um dos principais acontecimentos do nosso futebol – disse o presidente Marcelo Paz.

Goiás

– A posição do Goiás é sempre favorável à criação do liga. Essas sempre foram as palavras do presidente Paulo Rogério Pinheiro. Se ficar definido que eu representarei o Goiás nessa reunião, farei o que for determinado pelo conselho e pela presidência – disse o vice-presidente Harlei Menezes.

Internacional

– Para nós, o ponto fundamental é ter a unidade dos clubes, e isso se conquista dessa forma. Requer conversa, requer análise jurídica, técnica. Estamos fazendo isso. Acreditamos que até quinta-feira que vem, nessa atividade na CBF, a gente possa ter um número expressivo de clubes. E aquilo que seja dúvida de um ou outro, possa estar resolvido. A gente pretende trabalhar para aparar as arestas – disse o presidente Alessandro Barcellos.

Juventude

O clube decidiu não se manifestar sobre o assunto.

Palmeiras

– Hoje é um passo muito importante para o futebol brasileiro. As reuniões são importantes para definirmos nossos objetivos. Hoje, finalmente foi criada nossa liga, que é o futuro do futebol. Tivemos vários clubes aqui, alguns assinaram, outros assinarão até o dia 12. Estou feliz e animada com a união de todos nós. Só assim poderemos reconstruir o futebol brasileiro – disse a presidente Leila Pereira.

Santos

– A liga está fundada. Vai existir uma solenidade na CBF na semana que vem. Quem estava preparado para assinar hoje, assinou hoje. Tem clube que depende de assinatura de Conselhos. Esses assinarão no dia 12. Hoje foi apresentado um estatuto, uma coisa concreta para ser discutida. Os 40 clubes são a favor da criação da liga, agora é aparar as arestas – disse o presidente Andrés Rueda.

São Paulo

– É um dia histórico para o futebol brasileiro. A formação da liga é uma realidade. É normal ter uma divergência ou outra. O que interessa é a maturidade da oportunidade que o futebol brasileiro apresenta na formação de uma liga, na captação dos produtos. Você vai ter um CEO para dirigir as atividades, e aí vai caminhar para a independência dos clubes, algo tão necessário no momento em que o futebol está passando por transição. Cada clube tem sua particularidade de estatuto. Agora é um processo que no dia 12 será entregue de maneira solene para a CBF – disse o presidente Julio Casares.

Cruzeiro

– O Cruzeiro acredita que a profissionalização do Futebol brasileiro passa pela capacidade dos clubes gerirem em conjunto uma Liga, como já acontece mundo afora. Por isso, assinou o documento e fará o melhor possível para que este objetivo seja alcançado. Na nossa visão não existem grupos distintos e sim 40 clubes que querem a criação da Liga. O passo tem que ser dado e entendemos que esse é o momento – disse o clube em posicionamento enviado à reportagem.

Grêmio

– O Grêmio se fez atuante em todas as conversas preliminares que antecederam a reunião preparatória desta terça-feira sobre a liga brasileira de clubes e estaria presente ao encontro de forma remota, porém por problemas técnicos não foi possível efetivar a participação. De posse de todas as informações discutidas no encontro, o Grêmio, agora, irá fazer os debates internos necessários, sempre com o objetivo de defender os interesses do clube – disse o presidente Romildo Bolzan.

Vasco

– Existe um consenso entre os clubes de que a liga é o caminho. Estamos estudando todos os detalhes junto com a 777 Partners para a adesão do Vasco. No dia 12, na CBF, teremos nova reunião com todos os clubes. Acreditamos num grande entendimento em benefício dos clubes e do futebol – disse o presidente Jorge Salgado.

Fonte: Globo Esporte
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