Por Thiago Tufano Silva, da redação do Porta Terceiro Tempo*
Toda a delegação flamenguista reunida em uma roda no vestiário. No meio da mesma, a recém-conquistada taça da Libertadores da América, após um duríssimo jogo contra o Athletico-PR, e um sujeito com um charuto na mão puxando um coro que até para um aluno de quinta série depois do intercalasses seria constrangedor: " Real Madrid , pode esperar, a sua hora vai chegar".
Mas, afinal, quem era o sujeito ali "comandando" a festa do tri da América? Gabigol, o maior ídolo da história recente do Flamengo e autor do único gol do duelo? Arrascaeta, o craque uruguaio que trata a pelota com um carinho que chega a encher os olhos? Ou Pedro, artilheiro da competição que o Flamengo acabara de ganhar?
Não, não era nenhum deles. O sujeito que puxou o coro que virou a grande piada dos rivais rubro-negros nesta semana após a vexatória derrota para o Al-Hilal no Mundial de Clubes possivelmente nunca chutou uma bola na vida e atende pelo nome de Marcos Braz, vice-presidente de futebol do clube mais querido do mundo.
Sim, Marcos Braz, que, repito, nunca chutou uma bola na vida, se acha tão importante para o Flamengo quanto Gabigol, Arrascaeta e Pedro (olha, e Zico que se cuide!). E isso pelo fato de, indiscutivelmente, fazer parte da diretoria que levou o Flamengo a alguns dos maiores títulos da sua história.
Mas ele tem tanto mérito assim? Afinal de contas, com dinheiro em caixa, algo herdado da extremamente responsável gestão Bandeira de Mello, é muito fácil formar bons times. E o modus operandi do Flamengo nos últimos anos tem sido o mais preguiçoso que o dinheiro pode proporcionar. Ou o clube tira dos rivais seus principais jogadores com o seus recursos "infinitos", ou espera seus concorrentes locais venderem seus bons valores para o futebol europeu para depois repatriá-los desembolsando uma fortuna.
Com todo o respeito, faço isso praticamente todos os dias no "modo carreira" que tenho em meu videogame. Contratar jogador consagrado não é mérito algum. Tendo grana, qualquer adolescente viciado nesses fantasy games da vida consegue.
Dirigente bom de verdade é aquele que tem visão e que busca um atleta jovem que tende a evoluir e a valorizar atuando em seu clube. Não aquele que vai atrás de um já consagrado, que custará uma nota e, por mais que ele possa alcançar bons resultados com a camisa da agremiação, terá que ser negociado no futuro por um valor muito inferior por já ter vivido o auge de sua carreira.
Alexandre Mattos era assim no Cruzeiro (e que preço a Raposa pagou por isso!) e no Palmeiras. E era tratado como ídolo pelos torcedores por sempre fazer o óbvio para quem está com os cofres cheios. Hoje, merecidamente, seu status caiu drasticamente e ele tenta recuperar seu prestígio nos bastidores da bola no Athletico-PR. Pelo pouco que entende de bola, acredito que não conseguirá
E eu compreendo a necessidade que muitas pessoas têm em aparecer. O sabor da fama é doce e viciante. Mas cartolas com esse perfil precisam se colocar em seus lugares. O protagonista do esporte mais popular do mundo foi, é e sempre será o jogador. E não dirigentes que sempre escolhem o caminho mais fácil para cair nas graças da torcida.
Por fim, compartilho com os amigos uma impressão: com o firme alicerce financeiro deixado por Bandeira tempos atrás, o Flamengo, hoje, deveria ser muito mais dominante no continente do que é. Mas certamente a empolgada torcida rubro-negra não cobrará isso de sua diretoria, que logo deverá anunciar mais algum jogador com muito mais fama do que bola.
*Thiago Tufano Silva é integrante da equipe do Portal Terceiro Tempo desde janeiro de 2010
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