O Ministério Público Federal (MPF) informou na última segunda-feira que exigiu do Flamengo prazo de 10 dias para prestar esclarecimentos sobre a placa perdida em homenagem a Stuart Angel, ex-remador do clube assassinado pela ditadura em 1971, na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
Stuart Angel em 1965, com grupo de remadores do Flamengo — Foto: Arquivo / O Globo
O memorial, composto por uma placa de bronze e uma estrutura de artes plásticas, ficava na sede do remo rubro-negro, na Lagoa, Zona Sul da cidade, e teria sido retirado durante os Jogos Olímpicos de 2016. Ela estava no local desde 2010, após parceria do clube com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
A cobrança ao Flamengo é de iniciativa dos procuradores regionais dos Direitos do Cidadão Jaime Mitropoulos, Julio José Araujo Junior e Aline Caixeta. O ge procurou o clube, que não se manifestou até a publicação desta reportagem.
- Trata-se de uma forma de garantir às gerações futuras o direito de conhecer as violações sistemáticas dos Direitos Humanos praticados pelo Estado, de modo a prevenir, inibir ou, pelo menos, mitigar as chances de que voltemos a repetir no futuro as violações já cometidas no passado - afirmou o MPF em nota.
Nova homenagem
Paralela à investigação, outra iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos pretende recolocar a imagem do ex-remador na sede rubro-negra. Um grupo de torcedores, Flamengo da Gente, formado também por sócios e conselheiros do clube, organiza uma campanha de arrecadação de recursos para um novo memorial .
A iniciativa foi pausada, primeiro, pela pandemia. Agora, o grupo aguarda as atualizações do governo federal, que pretende replicar as peças originais caso a recuperação não seja possível, mas retomará o levante de receitas por meio de vendas de camisas.
Quem foi Stuart Angel
Stuart Edgard Angel Jones foi bicampeão pelo Flamengo (1964 e 1965). Era filho da figurinista e estilista Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, e do americano Norman Jones. No fim dos anos 1960 e início dos 1970, se integrou ao grupo MR-8, de luta armada contra o regime militar. Foi preso, torturado e morto por membros do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa) em 14 de junho de 1971, aos 25 anos.
O corpo de Stuart nunca foi encontrado. Somente em setembro de 2019 a morte do ex-remador foi inscrita em seu atestado de óbito como "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985". A placa com a homenagem ficava a poucos metros de onde o atleta se escondeu antes de ser preso pela ditadura.
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