Morre torcedor do Flamengo baleado antes da partida contra o Vasco

O torcedor rubro-negro Carlos Afonso de Oliveira Leite, de 24 anos, faleceu na terça-feira em decorrência de ferimentos sofridos durante briga de torcidas de Vasco e Flamengo em Niterói, na manhã de sábado, horas antes da partida entre as duas equipes. Carlos foi baleado na cabeça e levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu.

O caso foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNSG). De acordo com o delegado titular da DHNSG, Fábio Barucke, a investigação preliminar aponta que um grupo de torcedores rubro-negros estava reunido em uma padaria da Rua Doutor March, no bairro de Tenente Jardim, Zona Norte de Niterói, por volta das 11h30m de sábado. Uma briga teve início quando torcedores do Vasco encontraram os do Flamengo no local.

Ainda segundo o delegado, um carro que descia o Morro do Castro passou pelo local atirando em direção aos torcedores do Flamengo. Carlos Afonso foi atingido na cabeça e faleceu três dias depois, na manhã de terça. Além dele, também foram atingidos Monique Costa de Jesus, de 33 anos, que recebeu alta no próprio sábado, e José da Penha Alves de Amorim, de 55 anos, que foi levado ao Hospital Azevedo Lima e apresenta estado de saúde estável, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

— O carro passou atirando na direção dos torcedores do Flamengo. Três pessoas foram atingidas, sendo que duas delas nem estavam com o grupo. O único que faleceu foi o torcedor em questão — detalhou o delegado.

A investigação já identificou que o carro em questão levava dois torcedores do Vasco, cujas identidades não foram reveladas. Os policiais da Delegacia de Homícidios apuram se eles tinham ligação com alguma torcida organizada.

A morte de Carlos Afonso foi recebida com uma mensagem de luto publicada no perfil da torcida organizada Raça Rubro-Negra. Na publicação, Carlos é apontado como “rubro-negro e ex-integrante da Raça Rubro-Negra”.

“Vivemos numa época na qual crimes dessa natureza tornanam-se cada vez mais comum e a a vida humana perde seu valor. Desejamos nossos mais sinceros sentimentos à família, nos colocamos à disposição para qualquer ajuda necessária e exigimos que o responsável por tamanha barbárie seja julgado e devidamente incriminado”, diz a mensagem publicada no perfil da organizada.

TORCEDORES VASCAÍNOS SEGUEM PRESOS

No sábado, mesmo dia em que Carlos Afonso foi baleado em Niterói, o Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe) da Polícia Militar prendeu 77 torcedores do Vasco ligados à torcida organizada Força Jovem. O grupo deixava a sede da organizada, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, com socos ingleses, morteiros e outros materiais que, segundo a polícia, seriam utilizados numa emboscada a torcedores do Flamengo antes do jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.

O grupo tinha seis menores de idade, que foram liberados ainda no sábado após seus responsáveis assinarem termos de responsabilidade. Dos outros 71, dois receberam liberdade provisória ainda no fim de semana. Os 69 que tiveram prisão preventiva decretada seguem presos na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. Nesta quarta-feira, nove deles tiveram pedidos de liberdade negados pelo desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, do Tribunal de Justiça do Rio.

HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA

Em 2017, já foram registradas ao menos duas mortes de torcedores após brigas em dias de clássicos cariocas. Em fevereiro, o torcedor do Botafogo Diego Silva dos Santos foi morto após ser perfurado com golpes de espeto de churrasco em confronto com torcedores do Flamengo no entorno do Estádio Nilton Santos, onde as equipes jogavam.

Em julho, o torcedor do Vasco Davi Rocha Lopes morreu após ser baleado no peito durante uma briga nos arredores de São Januário, após o clássico contra o Flamengo. Um vídeo mostrou torcedores do Vasco promovendo quebra-quebra nas imediações do estádio, e depois sendo alvo de tiros disparados por policiais militares.

Fonte: O Globo