Luís Castro, técnico do Botafogo , deu uma forte entrevista coletiva nesta terça-feira (28), no CT Lonier, na zona oeste do Rio de Janeiro. O treinador português voltou a detonar a arbitragem do clássico contra o Flamengo , vencido pelo rival no último sábado (25), por 1 a 0 , no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Para o treinador do Glorioso , a partida poderia ter terminado aos cinco minutos da primeira etapa. Castro afirmou que Tarcizo Pinheiro Caetano não tinha competência para apitar o confronto e chamou o clássico de 'peça de teatro', apesar de assumir a responsabilidade pelos erros do Botafogo em campo que determinaram o resultado.

“Comportamento gera comportamento, contexto gera contexto. Contexto gera comportamentos. Estamos aqui todos de acordo com tudo isto. Eu acho que o jogo deveria ter acabado aos cinco minutos. Porque aos cinco minutos vi o árbitro correr à frente (fugir) dos jogadores do Flamengo. A partir daí estava claro que ele não tinha competência para arbitrar aquele jogo. Aos 33 minutos, vi o mesmo. Voltei a ver o mesmo árbitro correndo à frente dos jogadores do Flamengo. Nunca vi o árbitro correr à frente dos meus jogadores, o vi a enfrentar meus jogadores. Comportamento gera comportamento, contexto gera comportamentos. Para mim foi uma peça de teatro aquele jogo. Aquela peça de teatro terminou com um pênalti no Matheus Nascimento que o VAR nem avaliou", começou por disparar.

"Vi, no meio de tudo isto, vi a polícia entrar em campo. Pensei que era uma equipe de 11 que ia jogar. Os meus jogadores não tinham este histórico até o jogo do Vasco. Não tinha histórico algum. Então tínhamos o melhor psicólogo do mundo, o melhor coach do mundo, porque tínhamos comportamentos exemplares e, em dois jogos, não tivemos, vocês (imprensa) vão atrás e olha o que nos aconteceu. Não fujo do problema, internamente resolvemos. Quando nós temos um objetivo, sabemos qual caminho percorrer. Quando não temos objetivos, pegamos qualquer caminho. Nós sabemos o nosso caminho”, completou.

'Os meus jogadores precisam de psicólogo. O árbitro não precisa?'

Luís Castro também questionou a repercussão das expulsões desde a partida contra o Vasco, que o Glorioso também teve dois expulsos. Para o treinador português, detonou o discurso adotado de que o time alvinegro está com a parte mental prejudicada.

“Por que o árbitro correu à frente dos jogadores do Flamengo e não correu à frente dos meus? Digam. Venham explicar. Ponham o árbitro aqui na frente e explique. Fala o árbitro, fala toda a gente responsável no futebol do Brasil. Por que só falam do comportamento dos meus jogadores? Os meus jogadores precisam de psicólogo, o árbitro não precisa? Toda a gente do Botafogo precisa e os outros não? Não vim para me calar, engolir, não vim para ganhar meu dinheiro e partir daqui sem dizer nada. Não estou no Botafogo e no futebol brasileiro só para ganhar o meu dinheiro."

Falta de luz, gramado ruim e polícia em campo

Luís Castro reforçou que o discurso da parte mental do Botafogo não deve ser usado para esconder os problemas enfrentados em Brasília no clássico. O treinador apontou a falta de luz, o gramado ruim e a polícia em campo como grandes questões que precisam ser debatidas.

“Eu só estou falando da arbitragem porque me perguntou se tinha alguém a cuidar da nossa mente. O contexto gerou comportamento na mídia, que todos acharam que a gente estava doente mentalmente. Há 15 dias estávamos mentalmente fantásticos. Vamos procurar os porquês. Agora, não venham com a parte mental do Botafogo para esconder arbitragem, a organização, a falta de luz no vestiário, o campo ruim que culminou com a lesão do Patrick de Paula. Não venham esconder nada. A parte mental do Botafogo não serve para passar pano para limpar o vidro sujo. É muito para além disso. Sou um atrasado mental que estou aqui e tenho que comer tudo aquilo que me enfiam?", disparou, antes de ressaltar o que falou para a polícia enquanto tentava conversar com o árbitro.

"A parte da polícia é realmente uma vergonha. Vocês têm que ter combate forte disso. Não somos assassinos, não somos selvagens. O povo brasileiro não é selvagem. Não é preciso todo esse aparato policial. Eu quero falar com o árbitro e precisa de uma polícia de choque? Foi preciso eu dizer: ‘Eu falo com árbitro ou vocês me levam preso!’. Tenho 50 anos de futebol e foi a primeira vez que apareceu a polícia na minha frente. Estão tratando o ser humano como o quê?”, finalizou.

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