Laudo do Instituto Médico Legal da Polícia Civil de Minas Gerais mostra o ferimento na boca de Pedro. O atacante levou um soco do preparador físico Pablo Fernández, no vestiário, depois da vitória do Flamengo por 2 a 1 em cima do Atlético-MG.
O laudo do IML também aponta para lesões sofridas pelo jogador no rosto. Na imagem abaixo é possível observar que ele tem um ferimento na parte interna da boca.
Ferimento de Pedro na boca após soco do preparador físico do Flamengo — Foto: Reprodução
O boletim de ocorrência registrado na sequência do jogo, na 1ª Delegacia de Polícia Civil, em Belo Horizonte (MG), relata, através do depoimento do atleta, que o argentino deu três tapas (não cita a intensidade) em seu rosto antes do soco. O acusado, por sua vez, exerceu o direito de se manter em silêncio e, no documento, consta como "nada a declarar". Ele foi liberado na sequência e chegou ao Rio na manhã deste domingo, também sem falar com a imprensa.
O que aconteceu
Pedro foi agredido com um soco no rosto na noite deste sábado (29), em Belo Horizonte, após a vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG. A confusão aconteceu no vestiário do Arena Independência, em Belo Horizonte, onde o time carioca venceu por 2 a 1 pelo Brasileirão.
Pedro estaria olhando o celular, quando Fernández apontou o dedo, o questionou sobre não realizar o aquecimento e deu três tapas no rosto do atleta. O atacante teria afastado a mão do argentino que, então, aplicou o soco.
Após a agressão, ele foi à polícia e registrou um boletim de ocorrência contra o preparador físico do clube Pablo Fernández.
Pedro passou por exame de corpo de delito ainda na madrugada deste domingo, que constatou lesões leves na boca e no rosto. Com isso, foi feito um termo circunstanciado -- que é feito quando o crime cometido é de menor potencial.
O que dizem Pedro, Pablo Fernández e Jorge Sampaoli
Pedro: "Covardemente agredido"
"Poderia estar aqui falando dos escassos minutos recebidos nos últimos jogos, mas o que aconteceu hoje foi mais grave do que pode acontecer dentro das quatro linhas. Covardemente, sem motivo e inexplicavelmente, fui agredido, com um soco no rosto, por Pablo Fernandez, membro da comissão técnica do Sampaoli.
A covardia física se sobrepôs diante da covardia psicológica que tenho sofrido nas últimas semanas. Alguém que se acha no direito de agredir o outro não merece respeito de ninguém. Já passei por muitas provações aqui no Flamengo , mas nada se compara com a covardia sofrida hoje.
Que Deus perdoe uma pessoa que, em pleno 2023, acha que uma agressão física possa resolver qualquer problema. Obrigado JESUS pelo ensinamento, dando a outra face."
Pablo Fernández: "Fiz errado"
"Eu poderia começar essas palavras de mil maneiras, mas a única que realmente faz sentido é pedir desculpas. Ao Pedro, aos colegas, aos trabalhadores e ao Flamengo .
Entrei no vestiário muito chateado, querendo resolver logo a situação e fiz errado. Foi planejado que hoje seria um dia de folga. É uma pena, porque eu gostaria de poder, primeiro, falar sobre isso pessoalmente com todos os funcionários do clube. Senti-me muito magoado com uma situação e reagi da pior forma.
Estive pensando sobre o que aconteceu por horas e gostaria de poder voltar no tempo. Mas não se pode. O que existe é o presente e o futuro. Isso é pedir perdão e tentar novamente. Todas as vezes que for necessário. Lamento e gostaria de corrigir.
A alta competição geralmente tem coisas que nos fazem mal. Situações de alto estresse que nos fazem reagir e pensar mal. Não pretendo situar esse contexto como uma desculpa, mas como uma explicação.
Definitivamente, se eu tivesse divergências com o Pedro deveria tê-las resolvido em outro momento e de outra forma. Vou tentar fazer isso acontecer. Vou trabalhar para mudar e ser melhor."
Jorge Sampaoli: "Única solução é conversa"
"Não acredito na violência como solução. Isso não nos leva a lugar nenhum. Nem na vida, nem no futebol. Ao longo da minha carreira, vi tantas lutas e elas sempre me deixaram com uma sensação de vazio. O que aconteceu ontem me deixou muito triste. Ofuscamos uma vitória impressionante com uma disputa interna cujas razões existem, mas neste momento não importam.
A história me mostrou que a única solução é a conversa. Mesmo quando errei ou vi o erro dos outros. Eu tenho fé na palavra. Que é uma forma de ter fé no ser humano. Porque a violência nos separa e a conversa nos une.
Quando eu era criança e comecei a jogar futebol, as brigas dentro e fora do campo eram muito comuns. Assim como muitas coisas no mundo mudaram para pior, algumas mudaram para melhor. A violência é menos aceita a cada dia como forma de resolver as coisas. É uma transformação que levará tempo. Não será de um dia para o outro. Todos nós temos o direito de cometer erros. Porque temos a possibilidade de nos transformarmos. Para ser melhor
Eu sou o condutor desta equipe. Me dói muito quando dois colegas de trabalho brigam. Mais do que a violência. Os treinadores não se dedicam apenas à tática e à preparação dos futebolistas. Acima de tudo, trabalhamos para gerir grupos. Tentamos melhorar e cuidar das pessoas.
Não tenho dormido pensando em como ajudar Pedro e Pablo. Sei que vocês dois tiveram uma noite horrível. E que, aconteça o que acontecer, temos a obrigação de nos cuidar. Para nos mudar Para unir. Para ser melhor. E colocar o Flamengo no topo".
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