Jorge Jesus tem 65 anos, é elétrico. "Durmo no máximo quatro horas por dia. Eu adoro correr, senão fico numa adrenalina muito grande", conta.
O jeito Jesus de ser deu liga com o Flamengo. "Os jogadores do Flamengo jogam hoje no Maracanã completamente diferente de quando eu cheguei. Eu vi i alguns jogos: eles jogavam sobre brasas", afirma.
Dia 31 de julho. Oitavas de final da Libertadores. O Flamengo tinha acabado de vencer o pequeno Emelec, do Equador, na disputa de pênaltis, depois de ter perdido o primeiro jogo entre eles. "Penso que foi ali que o Flamengo deu o clique", diz Jesus.
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Ali começou um período alucinante para a maior torcida do Brasil, até o clímax no inacreditável fim de semana de 23 e 24 de novembro. Sábado, campeão da Libertadores. Domingo, campeão Brasileiro sem nem entrar em campo. Gabigol foi o artilheiro nas duas competições.
"Giro" quer dizer 'bonito' e ele diz: mister, diz lá. Sou giro, não sou?
Em "Até o fim", documentário sobre a campanha na Libertadores disponível no Globoplay, ele fala de Jorge Jesus. “A gente tem muita liberdade com ele, mas é um cara especial. Não é normal o que ele faz, as coisas que ele fala acontecem”, conta o atacante do Flamengo.
Fantástico: " O senhor sorri mais hoje em dia?"
Jesus : "Sorrio de uma maneira diferente. Eu era muito pragmático. Muito... Minha profissão... Também, não quero passar de 8 a 80".
Lá no começo, essa história teve a participação de uma cantora portuguesa chamada Mariza, da geração que modernizou o fado. "Ia para o treino logo de manhã ouvindo a Mariza porque sabia que o melhor estava por chegar", conta Jesus.
Uma das imagens mais bonitas da carreira de Jorge Jesus é o abraço no pai quando levou o Vitória de Setúbal para a primeira divisão do campeonato português logo no começo da carreira de técnico. "As raízes e a educação familiar que a minha querida mãe e o meu querido pai me deram foi exatamente termos uma família muito unida. E a família passa por muita gente", afirma o português.
O Mister treinou Sporting e Benfica, os dois grandes de Lisboa. "Eu trabalhei seis anos no Benfica e quando eu saí para o rival, como se saísse do Flamengo para o Vasco da Gama, aquilo foi muito confuso. Acharam que eu fiz uma traição. Hoje a nação portuguesa me abraçou como um português treinador do Flamengo. Nessa passagem pelo Flamengo, a maior vitória foi essa", conta.
Fantástico: " É possível o torcedor do Flamengo sonhar com mais esse título sob o comando do Mister?"
Jesus: " Sonhar a gente vai sonhar".
Jesus também contou quem é o Deus dele no futebol: o holandês Cryuff, que quando era técnico do Barcelona e deu um conselho nunca mais esquecido: "Ele disse-me assim: 'Jesus, é mais importante ganhar de 5 a 4 do que de 1 a 0'. Disse 'por quê?'. 'Porque tens de lembrar dos torcedores que estão aqui. Tens que ganhar e tens que dar espetáculo'", conta o técnico do Flamengo.
Fantástico: "O senhor carregou isso pra sempre?"
Jesus: "É. Ganhar só não chega".
No Flamengo, as ideias do português e o futebol brasileiro falaram a mesma língua. "Não vou acabar a minha carreira no Brasil como treinador, disso tenho certeza absoluta. Mas que vou ser mais treinador, não tenho dúvida que vou ser mais treinador".
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