Nesta quarta-feira (19), o Flamengo recebe Ñublense , do Chile, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã, pela 2ª rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores . A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ .

Sediado na cidade de Chillán, o pequeno clube nunca foi campeão de seu país em seus 106 anos de vida, mas vive bom momento. No ano passado, foi vice na liga nacional, ficando atrás somente do gigante Colo-Colo , e se classificou para o maior torneio sul-americano pela 1ª vez em sua história.

Quem comanda os bastidores do Ñublense é o ex-atacante Sergio Gioino , que, apesar de ser argentino, tem grande história no futebol chileno, tendo passado como atleta pelos maiores clubes do país.

Após se aposentar, ele virou empresário de jogadores, mas, em maio do ano passado, abdicou de suas funções para comprar 68% das ações ao lado de dois sócios: Pablo Leclerc e Mauricio Valenzuela.

Gioino, por sua vez, assumiu a máxima responsabilidade da instituição, virando presidente do time, em seu primeiro trabalho como dirigente na vida.

Em entrevista à ESPN , o ex-centroavante, atualmente com 49 anos, comemorou o bom Campeonato Chileno do Ñublense no ano passado e festejou a chance de estar na Libertadores, mesmo tendo caído em um grupo difícil, ao lado do atual campeão Flamengo e também do tradicional Racing , da Argentina.

"Na última temporada, a equipe trabalhou muito bem. O Campeonato Chileno foi muito longo e muito difícil para nós, mas sempre conseguimos permanecer na parte alta da tabela. A equipe manteve uma regularidade boa e conseguiu ir muito bem. Na virada da temporada, é normal acontecerem muitas mudanças no elenco em se tratando de uma equipe menor, mas nosso time hoje está a todo vapor. Estamos em plena formação e jogando a Libertadores contra grandes times, clubes experientes", afirmou.

"É algo maravilhoso para o Ñublense. Vamos enfrentar o atual campeão, também vamos encarar o Racing e toda a história que eles têm. Temos que aproveitar muito e competir bem. Sabemos que estamos representando o futebol do Chile e, independentemente da diferença visível que existe entre nós e os outros times em termos de renda ou do poder dos elenco, temos que lembrar que, no campo de futebol, as partidas se disputam em 11 contra 11", salientou.

Sobre o duelo contra o Flamengo, Gioino disse esperar que seus atletas aproveitem a oportunidade de atuar no Maracanã contra um dos maiores times do Brasil, já que isso será benéfico para a sequência de suas carreiras.

"Todos estão dizendo que nosso grupo é difícil, mas a verdade é que qualquer grupo seria difícil para nós. Acho que nós temos que competir e enfrentar esses jogadores de qualidade, que possuem grandes carreiras. Será uma grande alegria para nós, da diretoria, e para nossos jogadores também", ressaltou.

"Para resumir: eu digo que essa Libertadores é para o povo de Chillán, o povo do sul do Chile, aproveitar e desfrutar. Não é todo dia que você joga contra equipes de tanta qualidade, com tanta história. Será a mesma coisa contra o Racing: temos que desfrutar. Esses são eventos que não vivenciamos sempre e que precisam ser aproveitados por cada um de nós", complementou.

No campo administrativo, o ex-atleta destacou que o orçamento do Ñublense é de cerca de US$ 300 mil (R$ 1,482 milhão) por mês, sendo muito menor que o das grandes equipes do país, como Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica .

Justamente por isso, ele espera faturar boas premiações na Libertadores, de forma a ajudar a estabilizar seu time na elite do país, evitando o eterno "iô-iô" de subir e cair de divisão.

"O prêmio por ir à Libertadores é fazer com que o clube se estabilize na 1ª divisão, o que fará a instituição crescer. Temos um CT que é lindo, mas temos que melhorar tudo, fazer o clube crescer. Infraestrutura é a única maneira de fazer um clube crescer, no meu ponto de vista. As receitas da Libertadores podem ajudar muito nisso. Temos uma renda da televisão do Chile, que também é bem usada, mas devemos fazer mais pela instituição e pela infraestrutura do clube, de forma que nossos jogadores do profissional e também da base possam aproveitar das instalações", observou.

Os tempos de Palmeiras

Na Libertadores de 2005, Sergio Gioino, então centroavante titular da Universidad de Chile, despertou a cobiça no futebol brasileiro ao fazer três gols em dois jogos contra o poderoso São Paulo , na fase de grupos da Libertadores.

Vivendo tempos de "vacas magras", o Palmeiras ganhou a corrida e contratou o matador, que chegou ao Palestra Itália já veterano, com 31 anos, mas reacendeu as esperanças da torcida palestrina.

No Alviverde, o argentino anotou 7 gols em 31 partidas (inclusive um sobre o São Paulo, comprovando sua fama de "carrasco"), mas viu a equipe fazer um Brasileirão irregular, terminando em 4º lugar.

Gioino ainda disputou o início do Paulistão e da Libertadores 2006 pelo Verdão, mas deixou o clube e retornou ao Chile, sendo contratado pela Unión Española .

No Palestra Itália, ele acabou se tornando um "ícone cult " ao longo dos anos, sendo lembrado como um dos símbolos de um período de muitos altos e baixos na história palmeirense.

Na conversa com a ESPN , o ex-atacante relembrou seus tempos de Palestra Itália e contou que ainda tem amizade com alguns atletas do período, além de seguir acompanhando sua ex-equipe.

"Minha carreira foi bem diferente. Eu só comecei como profissional aos 23 anos! Aos 31, fui para o Palmeiras. Guardo as melhores lembranças da equipe e dos meus companheiros. Tive a experiência de disputar o Campeonato Brasileiro, que é muito exigente e difícil. Eu adorei tudo", relatou.

"Eu fui emprestado pela Universidad de Chile. Em 2006, tive a chance de seguir no Brasil, mas decidi retornar ao Chile. Muitos me perguntam até hoje por que não fiquei no Palmeiras... Mas a vida é assim, é feita das decisões que você toma, não é? Eu guardo as melhores lembranças do Palmeiras", prosseguiu.

"A melhor lembrança foi nossa classificação para a Libertadores na última rodada. Tínhamos uma equipe muito boa, terminamos em 4º lugar, foi muito legal para o grupo e para os torcedores. O torneio foi muito exigente, então acabou sendo um ano bom. Desde então, o Palmeiras mudou, assim como vários clubes mudaram desde aquela época. Eu acompanho sempre o futebol brasileiro, gosto de ver o Palmeiras sempre que posso. Estou ciente de tudo o que está acontecendo no Brasil", disse.

"Eu falo às vezes com o (ex-zagueiro) Leonardo Silva. Estávamos sempre juntos naquele tempo, pois éramos vizinhos próximos. Sei que o (ex-goleiro) Marcos também continua próximo do Palmeiras. Recentemente também reencontrei o (ex-zagueiro) Gláuber. Foi um prazer estar com ele, muito, muito legal", revelou.

Sobre o fato de não ter conseguido repetir no Palmeiras o desempenho do tempo de " La U ", Gioino apontou que, no Verdão, muitas vezes teve que atuar de costas para o gol, que não era seu estilo preferido.

"Os torcedores querem sempre que os atacantes marquem gols, mas não é todo jogo que dá para fazer. Acho que foi uma temporada boa para mim, no geral. Eu cheguei ao Palmeiras e já comecei a jogar imediatamente, não tive tempo de adaptação. Nossa equipe estava muito bem, e isso ajudou, mas não tive muito tempo para adaptação", argumentou.

"Joguei bastante e não vou dar desculpas. Mas, muitas vezes, joguei como atacante de costas, enquanto Juninho (Paulista) e o Marcinho jogavam vindo de trás. Embora eu tenha terminado a temporada com sete gols, o goleador do time era o Marcinho. Inclusive fizemos um esforço em equipe para que ele pudesse terminar o campeonato como artilheiro no final", afirmou.

"O mais importante de tudo é que o Palmeiras me deu tudo. Sou muito grato ao clube e vou continuar sempre torcendo por tudo de bom para eles", finalizou.

Onde assistir a Flamengo x Ñublense?

Flamengo x Ñublense , nesta quarta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), pela CONMEBOL Libertadores , tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+

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