O Flamengo se defende de uma ação coletiva proposta pela Educafro, que cobra R$ 100 milhões do clube por racismo. Em petição enviada à Justiça, o clube rubro-negro argumenta que está sendo tratado como "bode expiatório de um fenômeno social amplo e complexo", afirmando que a ação é "oportunista, impertinente e manifestamente atentatória à boa-fé".
A ação da Educafro foi motivada por declarações do diretor da base, Alfredo Almeida, feitas em julho, que foram interpretadas como racistas. A Educafro acionou o Flamengo na Justiça em setembro do ano passado, e o caso é julgado na 34ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Em sua defesa, o Flamengo destaca que apenas ele foi processado em um contexto mais amplo de racismo no futebol brasileiro, o que, segundo seus advogados, revela um caráter discriminatório da própria ação.
Detalhes da Ação Judicial
Os advogados do Flamengo ressaltam que a ação faz com que o clube se torne um "inimigo institucional", o que distorce a finalidade da ação civil pública, que é proteger interesses coletivos na luta contra o racismo. A Educafro, por sua vez, alega que o Flamengo tem um histórico de racismo desde sua fundação, citando casos de discriminação de jogadores negros ao longo dos anos. "Nos primeiros anos, a presença de jogadores negros era veladamente rejeitada, uma prática comum entre os clubes da elite carioca", afirmou a entidade.
A Educafro também menciona que, entre 1940 e 1980, diversos casos de racismo ocorreram dentro do clube, citando ídolos como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, que enfrentaram discriminação. O clube argumenta que a petição inicial da Educafro é confusa e repleta de contradições, pedindo a extinção do processo e a condenação da entidade por má-fé.
Repercussão e Próximos Passos
O Flamengo enfatiza que possui um histórico de campanhas de responsabilidade social voltadas para a promoção da igualdade racial, incluindo cartilhas de combate ao racismo e programas de enfrentamento. "A cultura de não discriminação racial está inserida na governança do Flamengo", declarou o clube.
Além da indenização de R$ 100 milhões, a Educafro também cobra a adoção de medidas concretas para o enfrentamento do racismo, como a criação de uma comissão de igualdade racial e a implementação de cotas em cargos de direção. O desdobramento desse caso é aguardado, e o Flamengo continua a se mobilizar para proteger sua reputação e responder às alegações de forma robusta e fundamentada.