O Flamengo se posicionou sobre a acusação de um engenheiro sobre ter atuado para adulterar partes do Ninho do Urubu após o incêndio ocorrido no centro de treinamento do clube no dia 8 de fevereiro de 2019 e que vitimou dez crianças.

Em matéria divulgada no último dia (06), portal UOL apresentou uma acusação feita por José Augusto Bezerra, engenheiro contratado pelo clube, que apontava Reinaldo Belotti, CEO do Rubro-Negro, de ser o mandante de uma a adulteração do local para impedir a perícia sobre o que poderia indicar negligência.

O engenheiro acusa Belotti de ter mandado um funcionário arrancar partes de uma instalação elétrica com problema durante a apuração das causas do acidente.

Em nota divulgada no site oficial, o Rubro-Negro apresenta imagens de conversas trocadas no aplicativo WhatsApp que comprovariam a incompatibilidade das datas alegadas por José Augusto Bezerra.

“É falsa a alegação do Sr. José Augusto Bezerra, de que seu primeiro contato com o CEO do Flamengo ocorreu no próprio dia do incêndio (08.02.2019), como também é falsa a alegação de que a suposta alteração da cena do incêndio aconteceu no dia 10.02.2019. Isso porque, somente no dia 11.02.2019, o Sr. José Augusto Bezerra foi inserido na questão e apresentado ao Sr. Reinaldo Belotti, após 2 (dois) Vice-Presidentes do Flamengo – Sr. Luiz Eduardo Baptista (“BAP”), então Vice-Presidente de Relações Externas, e o Sr. Gustavo Oliveira, Vice-Presidente de Comunicação e Marketing – o recomendarem ao Sr. Reinaldo Belotti, conforme fazem prova os prints abaixo colacionados”, divulgou o clube.

“Portanto, era impossível que o Sr. José Augusto Bezerra estivesse no CT entre os dias 08.02.2019 e 10.02.2019, uma vez que este senhor sequer existia para o Flamengo antes do dia 11.02.2019”.

Ainda na mesma nota, o Flamengo questionou o que classificou como “inutilidade da suposta adulteração”, alegando que a coleta de provas e fotos no próprio dia 08 de fevereiro.

“Outro ponto que mostra a incapacidade investigativa dos jornalistas envolvidos é que eles não investigaram os motivos que levariam o Flamengo a, supostamente, ocultar provas no dia 10.02.2019, isso porque a perícia judicial foi realizada com a coleta de provas e fotos no próprio dia 08.02.2019 e o Flamengo não tinha a quem enganar, eis que consumado o registro da cena do incêndio”.

“Importante dizer que o laudo oficial da justiça menciona expressamente a existência dos fios com emendas e torções, o que não foi considerado pelo UOL, como clara ausência de motivação, demostrando mais uma vez a falta de zelo e profissionalismo ao fazer uma matéria supostamente investigativa, que as baseou apenas na palavra de um sabido desafeto do Flamengo”.

“Verifica-se, consequentemente, que não houve nenhuma ocultação de provas ou adulteração de cena, visto que o próprio Laudo Pericial elaborado pela Polícia Civil expressamente menciona a existência dos fios que, nas mentiras do Sr. José Augusto Bezerra, teriam sido retirados”.

“Note-se que o Laudo Pericial do ICCE, mesmo narrando a existência dos fios com emendas e torções, concluiu que a causa do incêndio partiu de um problema no interior do aparelho de ar-condicionado”.

Bezerra diz que chegou ao Flamengo no dia 8 de fevereiro, mesma data da tragédia, e que viu dois dias depois, em 10 de fevereiro, Belotti dar a ordem para arrancar os fios e um disjuntor que poderiam implicar o Flamengo de ter cometido uma negligência com a segurança do CT.

De acordo com a perícia feita pela Polícia Civil, o incêndio foi causado por conta de um defeito no ar-condicionado e do material inflamável das paredes dos contêineres, local onde as crianças ficavam alojadas. O laudo de Bezerra, divulgado pelo UOL, aponta má instalação elétrica, além deste problema no ar.

Diante das acusações feitas pelo engenheiro, o Flamengo se defende e trata o laudo como uma 'documentação elaborada unilateralmente pela empresa'. Segundo o clube, Bezerra vazou informações que estariam cobertas por sigilo contratual.

A Polícia Civil corrobora com a informação do Flamengo, dizendo que fez a perícia no mesmo dia do incêndio coletando provas periciais e a concluiu no mesmo dia. E afirma que a remoção de fios e disjuntor, em data posterior, não teria atrapalhado o trabalho dos peritos. Bezerra insiste que viu policiais trabalhando no local no dia 14 de fevereiro.

Na visão do Flamengo, acusação de Bezerra foi feita para influenciar uma disputa que o profissional trava com o clube na Justiça por quebra de contrato de um serviço posterior ao lado do incêndio.

Enquanto o Rubro-Negro cobra a devolução de um dinheiro de um serviço que não teria sido feito, Bezerra alega na ação que o contrato foi rescindido pelo clube após a empresa se negar a pagar 'mesada' a um dirigente. O Flamengo rebateu e cobrou que Bezerra revelasse quem pediu essa propina, mas ainda não obteve resposta.

“O Flamengo não tem nada a esconder, muito ao contrário, sempre colaborou com as autoridades, sempre atendeu às famílias e entende que essa é uma história que deve ser analisada e julgada pelas autoridades. Por mais dolorosa que seja, a história faz parte de nossa trajetória e não a queremos apagar, muito pelo contrário, mas exigimos apenas que sejam respeitadas as provas e os fatos do processo criminal, que não sejam inventados fatos e criadas fake news para vender periódicos ou dar notoriedade a pessoas sem credibilidade, isenção e ética”, publicou o clube.