Flamengo e Palmeiras seguem investindo na formação de jovens atletas nas categorias de base, com resultados esportivos e capilaridade regional que ajudam a sustentar o trabalho em um cenário de vulnerabilidade social. A pauta é atual porque os clubes se preparam para um confronto direto no Brasileirão, enquanto continuam a formar novos talentos fora do campo e, em muitos casos, com suporte para manter a trajetória.
ge.globo e o foco na base
A discussão sobre categorias de base envolve não apenas desempenho, mas também a forma como os clubes lidam com educação, bem-estar e oportunidades para jovens em diferentes realidades. Flamengo e Palmeiras aparecem como protagonistas nesse processo, com programas que se conectam ao contexto social dos atletas.
Representatividade geográfica nas categorias de base
O Flamengo tem presença em 20 estados e no Distrito Federal. O Palmeiras alcança 23 estados, ampliando o raio de atuação de sua base para diferentes regiões do Brasil.
Essa estrutura ajuda a explicar por que a formação ganha relevância em um país marcado por desigualdade. Quanto mais amplo o alcance, maior a diversidade de trajetórias que chegam aos clubes e, com isso, maior a necessidade de acompanhamento.
Resultados sub-20 e dimensão do trabalho
A aposta na base também é sustentada por conquistas em competições sub-20. O Flamengo venceu as últimas duas Libertadores sub-20, enquanto o Palmeiras conquistou três títulos do Brasileiro na mesma categoria.
A escala do trabalho aparece em números de atletas. O Flamengo registrou 289 atletas ativos em suas categorias de base. O Palmeiras teve uma média de 76 jogadores alojados em 2025.
Vulnerabilidade social e iniciativas para manter o jovem no caminho
A vulnerabilidade social é tratada como parte do processo formativo, com ações voltadas ao atleta e à família. Fernando Truyts, coordenador socioeducacional do Palmeiras, citou medidas de suporte para ajudar o adolescente a manter a rotina.
Truyts afirmou: "A gente pode proporcionar cesta básica, por exemplo, ou um 'kit lanche' reforçado para esse adolescente para que ele possa tomar um café da tarde mais reforçado."
No Flamengo, a questão aparece com força quando o atleta chega ao clube vindo de outro estado. Patricia Negreiros, coordenadora do departamento de desenvolvimento humano do Flamengo, destacou o impacto na reorganização familiar.
Negreiros disse: "Quando um atleta chega ao clube vindo de outro estado, a família precisa se reorganizar."
Educação em paralelo ao futebol
A formação inclui acompanhamento escolar e atenção ao contexto de cada atleta. No Flamengo, 52% dos jogadores entre 7 e 17 anos estão em escolas particulares. No Palmeiras, 65% dos atletas de base estudam em colégios particulares.
Os números também mostram desafios concretos. No Flamengo, 64% dos garotos entre 15 e 17 anos contribuem com a renda familiar. No Palmeiras, 20% dos jogadores do sub-20 interromperam os estudos para se dedicar ao futebol. Além disso, o Palmeiras realiza atividades fora do ambiente do futebol, como visitas a espaços culturais.
Base como formação de atletas e cidadãos
Com alcance regional, estrutura para manter a rotina e ações voltadas à educação e ao desenvolvimento humano, Flamengo e Palmeiras tratam a categoria de base como etapa determinante para construir atletas e também dar suporte à vida fora do campo.