
2) Eles nasceram primeiro e dominaram o futebol carioca por anos. Mas quando o Manto rubro-negro começou a andar nos campos do Rio de Janeiro, a coisa foi mudando de figura. O primeiro título do Mengão foi em 1914, quando eles já tinham cinco na conta. Fomos indo, indo e em 1925 chegamos ao quinto troféu. Eles acumulavam nove. Ano após ano, a diferença ia se mantendo, até subir para 27-21 em 1985. Daí para frente foi só alegria. Fomos ganhando na proporção dois para um e empatamos em 30 em 2008. No ano seguinte, os botafoguenses contaram com a torcida tricolor, mas não teve jeito. No ano do Hexa, passamos à frente. Dianteira tomada, hora de fazer gordura. Em 2017, contra eles mesmos, conquistamos o 34º, contra 31. A hegemonia é nossa.

3) O Flamengo tem vantagem de vitórias sobre todos seus rivais no Rio de Janeiro. Contra o Fluminense não é diferente. E contra eles a vantagem veio cedo. O primeiro jogo teve vitória tricolor. O segundo, o terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, em todos deu Mengão. Daí pra frente foi só manter a dianteira, até chegar às 147 vitórias de hoje, contra 126 derrotas e 132 empates. Sim, até os empates ganham deles nesse duelo.

4) O dia da pena. O clássico pela Taça Guanabara de 1982 prometia ser equilibrado. Só prometia. Com 30 minutos, já estava 3 a 0 e só o Flamengo jogava. Zico comandava o show. Vitor, Andrade e Marinho fizeram. Foi quando um torcedor tricolor saiu da geral e foi para o campo. Mas ao invés de protestar ou arrumar confusão, chegou perto de Zico e pediu clemência. O Rei tratou o humano com fidalguia e saiu de perto. Coincidência ou não, o placar ficou naquilo mesmo. E precisava de mais?

6) Cuidado ao falar esses nomes perto de um tricolor. Eles têm medo. Os artilheiros do clássico na história não são poucos e não fizeram poucos gols, também. Zico, claro, lidera, com 19 gols. Pirilo vem logo atrás, com 18, lembrando que guardou quatro naquele 7x0. Riemer fez o gol do primeiro título (2x1 sobre... o FLUMINENSE) e depois fez mais 12 e se igualou a Leônidas da Silva, um dos maiores atacantes que o mundo já teve o prazer de ver jogar futebol. Perácio vem logo atrás com 12 e Dida, o ídolo de Zico, finaliza a lista inicial com 11. No atual elenco, Willian Arão e Guerrero já marcaram, cada um, quatro gols no Flu. Everton fez três e Diego, dois. Tá boa a lista?
7) A Despedida Do Rei. Futebol tem dessas coisas. Zico brilhou no mundo inteiro. Contra o Fluminense, seu palco preferido sempre foi o Maracanã. Mas seu epílogo com o Manto Sagrado, de forma oficial, foi longe de casa. O Estádio Municipal de Juiz de Fora recebeu o maior craque rubro-negro para seu último duelo contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro de 1989. Cerca de 13 mil pessoas pagaram o ingresso naquele sábado, 02 de dezembro. E não se arrependeram. Aos 22 minutos, Zico fez seu último gol. Uma cobrança de falta magistral, no ângulo esquerdo do goleiro Ricardo Pinto, que pulou apenas para aparecer na foto. O Flamengo ainda faria mais quatro naquela tarde, mas o primeiro gol foi o mais importante, o mais lembrado, o mais comentado. Porque foi exatamente o último.

8) A maior invencibilidade do Flamengo sobre o Fluminense é de 11 jogos, lá longe, de 1912 a 1916. Hoje estamos com nove na frente. É uma senhora vantagem nos últimos jogos. E não é só uma vantagem apenas. Nesse meio teve um título estadual e as quartas-de-final da Copa Conmebol Sul-Americana. E o jogo deste sábado também vale a invencibilidade no Estadual, conquistada em 2017 e mantida até agora em 2018. Perder não vale nunca, mas sábado agora, menos ainda!

10) Tá. E de onde veio o termo Fla-Flu? Voltamos a 1925. Naquele ano, a Seleção Carioca precisou ser convocada a toque de caixa para a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Estava difícil chamar os jogadores, então chegou-se à decisão de reunir apenas atletas de Flamengo e Fluminense. Claro, teve reclamação. Mas como o time era muito bom, logo virou simpatia e os próprios torcedores começaram a se referir ao time como Combinado Fla-Flu. E deu certo, pois o time foi camepão. Logo depois, o jornalista Mario Filho pegou o nome e o transformou na sigla do clássico, que acabou sendo conhecida mundo afora.