Casos de manipulação envolvendo jogadores em apostas esportivas vieram à tona na última semana com a Operação Penalidade Máxima II . O processo iniciado pelo Ministério Público de Goiás tornou 6 envolvidos como réus, entre eles sete atletas. E o assunto repercutiu na 5ª rodada do Brasileirão.

Representantes de Cruzeiro , Flamengo , Grêmio , Palmeiras e Santos falaram sobre o tema após seus jogos. Veja abaixo um resumo do que técnicos e jogadores disseram.

Flamengo

  • BRUNO HENRIQUE:

"Não cabe a gente ficar debatendo isso. Autoridades são para isso. A gente deixa o que está lá fora não vir para dentro. A gente está super seguro no Flamengo quanto a isso que está acontecendo lá fora. A gente é um time muito experiente, só tem que se preocupar com o Flamengo e cada vez mais trilhar nosso caminho da vitoria e esquecer o que está lá fora".

  • EVERTON RIBEIRO:

"(Estou) Muito triste, a gente luta tanto para chegar nessa posição, sonhos de muitas crianças, somos exemplos. Eu sei que é errado, cada um sabe onde aperta o calo, mas tem que ser punido, tem que ser investigado, ser rígido para que não aconteça isso. (O futebol) é um esporte muito inclusivo, com responsabilidade. Precisamos cuidar do nosso futebol, ter responsabilidade do que a gente faz. Triste. Espero que a gente possa sair daqui com ensinamentos e ver o caminho certo a seguir".

Santos

  • ALISON:

"Essa resposta foi importante para gente. Representa muito a vitória de hoje, para o grupo, para o Santos, a gente não vem vivendo momento fácil, é difícil, não dá para negar, os últimos acontecimentos chatearam a gente, a gente sente, não posso negar. Mas a nossa vida continua, jogo após jogo, a gente precisa estar concentrado e precisa dar a resposta que demos hoje. Estamos chateados com os últimos acontecimentos. A gente precisa seguir focado e continuar dando resposta nos jogos''.

  • ODAIR HELLMANN:

"Todos ficamos tristes. Conheço o Eduardo Bauermann desde os 10 anos de idade. É um companheiro, atleta que vocês conhecem, vocês têm a mesma análise a respeito dele. Mas, como com qualquer ser humano que cometeu o erro, que primeiro sendo julgado, comprovado, que pague a sua pena, que tenha a responsabilidade, serve para nós todos.Temos que seguir adiante, somos profissionais e a resposta foi hoje. Grupo concentrado para vir para campo e render. Claro que deixa triste, não há tristeza minha maior, de vocês, do torcedor. É uma tristeza geral pelo processo todo, tomara que esse passo sirva de exemplo para corrigir o rumo. Mas que a gente possa pegar para nós todos do futebol e sirva de exemplo para trilhar um caminho que o esporte nos traz. Tristeza ficou lá, parte jurídica ficou lá... Temos que trabalhar, treinar, concentrar e entregar o melhor dentro do campo. Foi o que a gente fez''.

"Como eu disse, é triste para todos nós. O que acaba acontecendo com uma situação dessa, todos vão para o mesmo pacote. Daqui a pouco começa a surgir situações nas redes sociais, que aquele fez, não fez. Cria um desconforto, um ambiente que se desconfia de todo mundo. Precisa punir os culpados, pegar como exemplo e dar um passo adiante. Ver formas, as casas de apostas, as pessoas, o que pode ser feito para que isso não aconteça mais, além de uma punição severa no final de julgamento''.

"Não podemos criar ilações porque aí a gente não dá o passo seguinte. Precisamos estar todos juntos, para fazer diferença para o futebol. Se ficarmos na dúvida, perdemos tudo. Punição para quem tem que ser punido, mas precisamos dar o passo seguinte. Nós, como profissionais, as leis, os mecanismos, os métodos, o que pode ser feito. Não podemos ficar na busca desenfreada, senão ficamos no mesmo processo. Como tem gente séria, tem gente ruim em todas as profissões e na humanidade. A maioria da sociedade é mais séria do que o mal. O mal está aí, não só no futebol, e a gente tem que se descobrir, punir e dar exemplo para dar passos no esporte e na sociedade''.

Palmeiras

  • ABEL FERREIRA:

''O futebol é maior que todas as polêmicas. O futebol já tem muitos anos, sobreviveu a tudo e vai continuar sobrevivendo. É lamentável... Mas o futebol para mim é isso que vocês assistiram hoje. Por todo o resto, eu acredito que as entidades competentes irão fazer o seu trabalho. Pelo o que eu sei, a entidade competente tem um trabalho de excelência. Então vamos deixar que eles façam o seu trabalho. Eu só tenho a lamentar. O futebol sobrevive a muita coisa e vai continuar. Volto a dizer que futebol é o que nós assistimos aqui hoje''.

Grêmio

  • RENATO GAÚCHO:

"Nós não temos jogadores nesse escândalo. Conversamos bastante com o Nathan, eles nos falou a história que aconteceu, então é inocente. Estava de cabeça tranquila, tanto é que eu falei com ele, o presidente falou com ele, o vice-presidente, ele falou que gostaria de ir para o jogo porque estava com consciência tranquila. Se ele não tivese com a cabeça boa, jamais teríamos colocado ele no jogo. A notícia no geral com esses acontecimentos, nada está provado ainda, mas digamos que é mais um escândalo no futebol brasileiro. A gente sente, mas do Grêmio pode ficar tranquilo que não tem nenhum jogador envolvido''.

Cruzeiro

  • PEPA:

"Em relação ao Richard, não vou alongar, nem posso. A partir do momento que o clube emite um comunicado, está falado. Todos nós cometemos erros, não estou aqui para julgar ninguém. Temos que olhar para os jogadores que temos disponíveis''.

Veja abaixo quais são os jogos que estão sob investigação na Série A

Quais jogadores estão sendo investigados?

  • Eduardo Bauermann (Santos)

  • Gabriel Tota (Ypiranga-RS)

  • Victor Ramos ( Chapecoense )

  • Igor Cariús ( Sport )

  • Paulo Miranda (Náutico)

  • Fernando Neto (São Bernardo)

  • Matheus Gomes (Sergipe)

Quais jogadores também foram citados no processo?

  • Vitor Mendes ( Fluminense )

  • Richard (Cruzeiro)

  • Nino Paraíba (América-MG)

  • Dadá Belmonte (América-MG)

  • Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)

  • Moraes Jr. (Juventude)

  • Nikolas Farias (Novo Hamburgo)

  • Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)

  • Nathan (Grêmio)

  • Pedrinho (Athletico-PR)

  • Bryan García (Athletico-PR)

Apostadores e membros da organização

  • Bruno Lopez de Moura

  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos

  • Luís Felipe Rodrigues de Castro

  • Victor Yamasaki Fernandes

  • Zildo Peixoto Neto

  • Thiago Chambó Andrade

  • Romário Hugo dos Santos

  • William de Oliveira Souza

  • Pedro Gama dos Santos Júnior

O que a " Operação Penalidade Máxima " investiga

A investigação da " Operação Penalidade Máxima " aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.

Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.

As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.

Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.

Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Algum jogador de futebol foi preso?

Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.

Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.

Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.

O que os jogadores faziam para manipular as partidas?

Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.