Em coletiva nesta segunda-feira (3), Marcos Braz e Bruno Spindel , dois dos principais dirigentes do Flamengo , falaram sobre o estado deplorável do gramado do Maracanã.

Alvo frequente de reclamações de jogadores tanto do Fla quanto do Fluminense e dos times visitantes no estádio, o campo não apresenta qualquer melhora há tempos.

De acordo com os cartolas, é impossível que a grama fique num bom estado para jogo, devido ao gigantesco número de partidas que o estádio recebe ao longo da temporada, em todas as condições climáticas possíveis.

"O gramado do Flamengo nunca será maravilhoso, nunca será muito bom, e por um simples fato: o número de jogos que existem lá (no Maracanã)", disparou Braz.

"Em nenhum lugar do mundo o gramado suporta esse número de jogos. Então, não é problema de quem trabalha lá, de quem administra. Nosso problema é a quantidade de jogos. Você joga com chuva, com temporada, com tempo seco, joga no verão, no inverno... O número de jogos é o grande causador do estado do gramado", seguiu.

"Pode de repente ter alguns ajustes, cuidados, para melhorar um pouco. Pode, deve até acontecer. Só que, tecnicamente, jogar 70 jogos lá... Estamos em julho e já foram mais de 40 (jogos no Maracanã)... Não tem quem aguenta. E como resolver isso? Não sei. Sei que se colocar menos jogos lá, vai melhorar o gramado", argumentou.

"Eu entendo as posições dos jogadores (que reclamam do gramado, como Gabigol), entendo alguns questionamentos, mas o problema é matemático. O gramado não aguenta jogar 90, 80, 70 jogos lá. Nem lá e nem em qualquer lugar do mundo", salientou.

"Nós não temos um calendário que seja adequado para suportar isso. O gramado do Flamengo não suporta 90 jogos. Alguém tem que ser penalizado. Infelizmente, são os jogadores do Flamengo, do Fluminense e dos nossos adversários, que também reclamam bastante. Já vi jogadores de outros clubes reclamarem muito (do gramado), e com razão. Então, é um problema sistêmico e que a gente não consegue resolver, que não está dentro do departamento de futebol para resolver, não está sob meu guarda-chuva e nem do Bruno (Spindel). E, mesmo que fosse, com esse número de jogos, é impossível resolver", complementou.

"Flamengo é contra gramado sintético"

Segundo Braz, a única opção para resolver esse problema seria instalar um gramado sintético no Maracanã.

No entanto, o vice de futebol, assim como Spindel, garantiram que isso jamais irá acontecer e ainda ressaltaram que o Flamengo é contrário aos gramados artificiais.

"(Para resolver o gramado do Maracanã) Ou então faz aí como estão fazendo no futebol brasileiro, que já tem três ou quatro times jogando no sintético. Não sei até onde vai isso. [ Irônico ] Nossa liga vai ser a mais bonita que tem, 11, 12, 15 times jogando no sintético, que é outro esporte. Se não tiver freio isso, daqui a pouco são sete, oito estádios (com sintético)", bradou.

"Mas em nenhum momento eu disse que teria essa possibilidade (de colocar sintético no Maracanã). Numa quantidade de jogos dessa, a única solução para Fluminense e Flamengo jogarem 90 partidas lá seria colocar sintético, o que é um absurdo", reclamou.

Spindel, então, complementou a fala.

"Só para deixar de novo clara a questão do sintético e a posição do Flamengo: o clube é contra os gramados sintéticos. A gente entende que é outro esporte jogado nele", iniciou.

"Pela nossa experiência de pós-jogo, (o gramado sintético) é prejudicial à saúde dos jogadores. O departamento médico pode falar melhor isso. O prazo de recuperação do sintético (para os atletas) é muito maior. Você tem uma série de intercorrências depois de jogador no sintético. Somos terminantemente contra", seguiu.

"Se você olhar as grandes ligas do futebol europeu, o sintético não é nem permitido. Não me lembro de ver jogo de LaLiga no sintético, da Premier League , da Champions League ... Não me recordo de ver jogos dessas ligas no sintético", finalizou.

No momento, três clubes jogam em gramados artificiais: Palmeiras, no Allianz Parque; Botafogo, no Nílton Santos; e Athletico-PR, na Arena da Baixada.

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