Bandeira assume liberação de CT do Fla para o Sport e desencadeia crise: ‘Não vejo problema nenhum’

O presidente Eduardo Bandeira de Mello confirmou ao GLOBO que foi ele mesmo o responsável por liberar o Sport a usar a estrutura do Ninho do Urubu para treinar nesta sexta-feira pela manhã. Segundo o mandatário, um dos responsáveis pela logística do Flamengo entrou em contato perguntando se havia alguma objeção ao Sport usar o Centro de Treinamento do clube. O que o presidente não se opôs.

‑ Isso já aconteceu outras vezes. É comum a gente usar a Ilha do Retiro quando está lá e eles usarem a nossa estrutura. Somos todos profissionais — defendeu Bandeira.

O imbróglio envolvendo o título brasileiro de 1987 foi tratado como um entrave político incapaz de atrapalhar a boa relação profissional entre os clubes. Segundo Bandeira, o Flamengo será sempre o campeão independente de processos judiciais.

— Isso tudo é por causa de 87? Não faz sentido. Todo mundo sabe que o campeão foi o Flamengo. Isso é como discutir que 2 mais 2 é igual a 4. Até podem entrar com processo questionando isso, mas sempre será 4. Eu encaro isso como mais um exemplo de bom humor pernambucano. Ele pedem, reivindicam, mas a gente sabe quem venceu. Não entendo essa polêmica. O Sport não é rival do Flamengo. Mas são dois times profissionais que usam a estrutura um do outro - esclareceu.

Bandeira disse ainda que não é a primeira nem a última vez que os clubes vão compartilhar as dependências. E que isso faz parte do futebol profissional. Segundo ele, a crítica de parte da torcida é entendível, mas colocar a rivalidade como motivo é errado.

— Entendo a brincadeira de alguns torcedores quanto a isso, mas é tão desproposital comparar os times. Quantos aos ex-dirigente que se manifestaram, eu entendo, mas discordo. Não vejo problema nenhum. Repito: tem quem acha que o Sport é rival do Flamengo, mas o Flamengo é muito maior que isso — afirmou o presidente.

Apesar do tom de conciliação, a decisão de Bandeira caiu como uma bomba na Gávea um dia depois da vitória sobre o Junior Barranquilla pela Copa Sul-Americana e da perda de Diego Alves. Os dirigentes menos ligados ao futebol questionaram como foi tomada a decisão e a caracterizaram como falta de sensibilidade.

Bandeira assumiu a responsabilidade depois de ser procurado pelo diretor Rodrigo Caetano com a demanda do Sport. O vice de futebol Ricardo Lomba estava com problemas de saúde na família e não participou. As críticas no momento estão sobre Caetano e Bandeira, já bastante cobrados pelo desempenho do futebol do Flamengo no ano. A expectativa é de que haja desdobramentos e mais pressão sobre o comando do futebol, com eventual saída de vice-presidentes nas próximas semanas.

Fonte: O Globo