Arbitral na Ferj decidiu homenagear Zagallo — Foto: Agência Ferj
Os clubes da Série A do Campeonato Carioca participaram nesta terça-feira de Arbitral na sede da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) para discutir ajustes para o regulamento da competição no biênio 2019/2020. Foi aprovada por unanimidade a proposta de nomear o troféu da competição como Mário Jorge Lobo Zagallo, em homenagem ao ex-jogador e treinador, e também um ajuste para o regulamento. Se uma equipe for campeã dos dois turnos, terá lugar assegurado na final.
Com a mudança no regulamento, se uma equipe vencer a Taça Guanabara e também a Taça Rio, não precisará disputar semifinal para chegar à final estadual. Neste caso, haverá apenas um jogo antes da final entre o segundo e o terceiro colocados na classificação geral para decidir o adversário na decisão estadual.
O campeão dos dois turnos, além da vaga na final, também garantirá uma vantagem de ser campeão com dois empates ou vitória e derrota com mesmo saldo de gols - por exemplo, o clube campeão dos dois turnos será campeão estadual vencendo o primeiro jogo da final por 1 a 0 e perdendo o segundo por qualquer placar com diferença de um gol.
- Não posso nem querer assumir a ideia porque praticamente houve uma conspiração cósmica favorável. Vários clubes vieram propor. Coincidiu com o nome que tínhamos pensado e a coisa fluiu com unanimidade. Ainda não (conversamos com a família), isso foi hoje. A expectativa é de que ele possa participar da maneira que ele quiser, o importante é a homenagem, foi consenso - disse o presidente da Ferj, Rubens Lopes.
O dirigente também comentou sobre a mudança de regulamento:
- A questão do regulamento praticamente foi uma sugestão dos clubes, conversaram entre si, conosco, também já tínhamos pensado nisso, é uma maneira de valorizar o campeão de turno. É o ideal? Não sei. Vamos ver na prática. Teoricamente, pensamos que é uma boa solução. Corrigiu algumas distorções. Se for o caso, para a competição seguinte, se faz algum ajuste.
Alexandre Campello, presidente do Vasco, em arbitral na Ferj — Foto: Vicente Seda
Estiveram presentes os presidentes de Fluminense e Vasco, Pedro Abad e Alexandre Campello, além do vice de estádio do Botafogo, Anderson Simões, o diretor geral do clube alvinegro, Luís Fernando Santos, e o advogado André Galdeano, representante do Flamengo.
- As mudanças foram por unanimidade. Houve algumas discussões, no final se chegou a um consenso. A ideia é premiar quem eventualmente ganhar os dois turnos. Manter o sistema de semifinal e final que é uma forma de atrair público, e acho que houve uma mudança interessante que dá a vantagem de dois empates ou mesmo saldo de gols.
São Januário aprovado para clássicos
De acordo com Campello, quatro estádios estão aptos, pelo regulamento, a receber clássicos no Carioca: Maracanã, Nilton Santos, São Januário e Volta Redonda. Ele afirmou que não entrou na discussão de lado de torcida no Maracanã. A Polícia Militar, contudo, ainda tem poder de veto e há a questão da proporção de público, já que há um acordo para que nos clássicos a divisão de renda e torcida seja meio a meio.
- O que ficou definido é que existem alguns estádios que poderão receber clássicos: Maracanã, Nilton Santos, São Januário e Volta Redonda. Sim, perfeitamente cabível (clássicos em São Januário). Está no regulamento - disse o presidente do Vasco.
Também foi discutido o número de jogadores no banco de reservas:
- Tinha uma regulamentação em relação aos 11 jogadores do banco. Houve questionamento se só seria possível nos estádios que houvesse estrutura. Mesmo em estádios menores onde nao existe acomodação, que sejam colocadas cadeiras, mas que prevaleça o mesmo direito de manter - explicou Campello.
Campello pede discussão sobre critérios do uso do VAR no Carioca
O presidente cruz-maltino comentou ainda a utilização do VAR, o árbitro de vídeo, no Carioca do próximo ano, o que já foi aprovado pela presidência da Ferj, que arcará com o custo da tecnologia.
- Mantenho minha opinião de que toda tecnologia utilizada no sentido de melhorar legalidade, o futebol, é interessante. Mas, desde a primeira reunião que tivemos na CBF, tenho dito que precisamos discutir a maneira como ele deve ser utilizado, e os critérios utilizados durante a análise das imagens. Eu acho que ainda vai ser motivo de avaliação. Vimos recentemente alguns jogos pela Libertadores, em que, apesar do VAR, permaneceram uma série de dúvidas de interpretações, a meu ver, equivocadas. Acho que em algum momento deve ser iniciado. Vamos observar, mas acho que temos que discutir um pouco mais sobre os critérios.
Lopes contesta custo do VAR proposto pela CBF
Rubens Lopes alfinetou CBF em relação ao preço do VAR — Foto: Vicente Seda
Rubens Lopes, por sua vez, disse estar surpreso com o custo da tecnologia. A Ferj fechou contrato com a Hawk Eye, responsável pelo VAR na Copa do Mundo, com custo bem abaixo do valor proposto pela CBF - e vetado pelos clubes - para o Brasileiro deste ano.
- Único ponto que posso falar é a surpresa ou a estranheza que nós temos do preço que a CBF diz que o VAR custa para os seus jogos é muito mais caro do que o apresentado para a Ferj e a FPF.
O custo, no entanto, ainda está em discussão. Ao anunciar o acerto do contrato, o presidente da comissão de arbitragem da Ferj, Jorge Rabello, afirmou que a entidade bancaria todo o custo. Nesta terça, contudo, Lopes afirmou que dificilmente a Ferj terá condição de arcar com a despesa sozinha e o valor deve entrar nas despesas de jogo.
- Isso faz parte da despesa de jogo, como outra qualquer, como tem posto médico, ambulância, quadro móvel, taxa de luz. É uma despesa de jogo cujos beneficiários são os clubes. Na parte experimental, subsidiamos, na parte de jogo, não temos recursos. A questão está em aberta para discutir.
Arbitral do Carioca na Ferj nesta terça — Foto: Agência Ferj
Preços
Lopes afirmou ainda que haverá um preço mínimo e máximo para os ingressos do Carioca, mas a questão ainda será debatida e votada em arbitral específico:
- Isso ainda não resolveram, terá uma reunião específica. E não será o conselho que decidirá o valor de A, B ou C, vai estabelecer o mínimo e o máximo. Dentro desses valores, o mandante determina o preço. A renda é 60% para o vencedor, 40% para o perdedor, se empatar, meio a meio, salvo algum acordo entre as partes.