Em meio a olhares desconfiados e poucas conquistas internacionais, a LCS chega para o Mundial 2019 melhor representada que nunca.
Abrigo de estrelas do LoL, todas em momentos completamente diferentes de suas carreiras, a América do Norte foi berço de diversas inovações no cenário competitivo e agora colhe os primeiros frutos de uma série de mega investimentos. A introdução do sistema de franquias e a constante adesão de novos patrocinadores à liga e times teve papel fundamental no crescimento de uma das regiões mais populares e mais contestadas.
Ao longo de anos de competição, a LCS sempre foi alvo de críticas e brincadeiras do resto do mundo pelo nível (ou falta dele) apresentado em competições internacionais. Chegando a ser considerada a pior região dentro do TOP 5 (grupo de regiões majors), a NA virou uma fábrica de memes e encontrou apenas em sua história recente a glória, grande parte devido às suas duas principais representantes no mais nobre palco internacional de 2019.
C9: O CÉU É O LIMITE
Velha conhecida das competições internacionais, a Cloud9 chega para mais um Mundial com a missão de repetir grandes feitos do passado.
O histórico da equipe norte-americana em Mundiais é invejável: desde 2013, são sete participações consecutivas na competição, alcançando os playoffs em cinco oportunidades (com exceção de 2015, quando caíram ainda na fase de grupos) e sempre sendo uma pedra no sapato de equipes cotadas como favoritas na competição.
A regularidade apresentada pela Cloud9 na mais importante competição do calendário do LoL global é superior à apresentada por equipes mais badaladas e consideradas superiores do cenário mundial.
Em 2018, cercada de dúvidas pela classificação como terceira cabeça-de-chave da LCS, a equipe de Licorice e Sneaky fez história ao voar acima das nuvens e alcançar as semifinais após derrotar grandes adversárias como a sul-coreana Afreeca Freecs nas quartas de final e durante a fase de grupos, à época favorita para o título, a potência chinesa RNG de Uzi.
Renovada dentro e fora de jogo, a Cloud9 mais uma vez terá que enfrentar o favoritismo do Oriente e se apoiar em Nisky, Svenskeren e cia., que vivem grande fase, para alcançar mais uma vez os playoffs e alçar voos maiores que os do passado. A grande questão que cerca o time norte-americano é: será possível repetir o feito de 2018? Para isso, um trabalho de longa data, finalmente, será posto à prova.
Após a saída do meio Jensen para a rival Team Liquid ao final de 2018, a chegada de Nisqy para compor o plantel trouxe uma nova dinâmica para a equipe, principalmente devido ao seu estilo voltado para o coletivo e com maior foco no mapa. Dentro de um sistema de jogo mais amplo, em comparação ao apresentado com o antigo meio dinamarquês, a Cloud9 passou a ter maior presença do caçador nas rotas laterais, consequentemente suprindo o déficit apresentado em alguns aspectos e priorizando uma de suas maiores forças, o topo Licorice.
Outro grande fator para o sucesso desse grupo é a temporada fora da curva apresentada pelo caçador Svenskeren, um dos mais favorecidos pela liberdade concedida pela mudança de estilo e grande motor do time, que foi coroado com o título de MVP da etapa.
A grande incógnita da equipe fica nas mãos da dupla da rota inferior. Sneaky e Zeyzal são protagonistas em momentos distintos do jogo: o primeiro sempre criticado e alvo de memes da comunidade por sua fase de rotas duvidosa, enquanto o segundo brilha em momentos decisivos da partida, mas, caso esteja em desvantagem, não consegue apresentar o mesmo nível durante toda a partida.
O novo sistema de jogo da Cloud9 possibilitado por apenas uma mudança de plantel é uma grande resposta para suprir eventuais deficiências da equipe. Isso permite que a escalação norte-americana consiga optar por um caminho mais seguro em meio a equipes superiores, mantendo-se em equilíbrio caso encontrem dificuldades.
O caminho da Cloud9 para o Mundial é parecido ao de outros anos: ela aposta em um estilo de jogo coletivo, que conta com o time trabalhando como uma unidade, e um controle de mapa que pode surpreender até as mais explosivas equipes do cenário mundial.
TEAM LIQUID: HISTÓRICA
Tetracampeã consecutiva. Líder incontestável da LCS por três splits seguidos. Finalista do MSI. Referência das Américas. Muitas são as palavras necessárias para descrever a Team Liquid, esquadra liderada pelo mítico atirador Doublelift e atualmente incontestável melhor equipe da LCS. A Cavalaria teve dois anos inesquecíveis e busca ainda mais.
Marcada pela zebra contra a atual campeã mundial Invictus Gaming (LPL) na semifinal do Mid-Season Invitational 2019, a campeã norte-americana busca continuar sua história de sonhos ao engatar o quarto título doméstico seguido e embarcar para a Europa com a expectativa de mais uma competição internacional de gala.
Apesar da derrota arrasadora para a G2 (LEC) na final do MSI, a Team Liquid voltou para a segunda etapa da LCS revigorada e com uma mentalidade amadurecida quanto ao real potencial do time. Após sentir na pele a possibilidade de bater uma equipe oriental em uma série melhor de 5, os campeões da NA passaram a adotar um planejamento majoritariamente focado no palco internacional, tratando o título doméstico como “obrigação” para uma equipe de seu calibre.
Grande nome da Cavalaria, Doublelift se consolidou (mais uma vez) como maior jogador da história da região e sintetiza as características e forças da Team Liquid: uma equipe recheada de talentos individuais, alguns em patamar altíssimo em escala global, com extrema frieza e mentalidade vitoriosa. A presença de nomes como Impact e Corejj, ambos campeões mundiais por SKT e Samsung Galaxy, respectivamente, atuando em altíssimo nível e se mantendo como fatores decisivos em momentos de dificuldade comprova esse aspecto e visão globals da TL.
Após quatro temporadas vitoriosas e algumas mudanças no plantel para 2019, como a chegada do suporte Corejj e do meio Jensen, a versatilidade de estilo da Team Liquid conseguiu elevar o nível de seus outros jogadores. Contestado por parte da torcida, o caçador Xmithie foi colocado em evidência e despontou como referência da posição domesticamente.
Apesar dos triunfos dentro da LCS, o maior problema da atual campeã reside nas atuações apagadas que alguns membros apresentam. Xmithie e Jensen têm sido eventuais problemas em jogos decisivos, não performando perto do nível necessário em situações de pressão, porém, ao mesmo tempo, oscilam de maneira positiva (assim como os outros membros do plantel) e têm atuações dignas de uma equipe do mais alto nível internacional.
Ao final da etapa, a Team Liquid entra em um seleto grupo de equipes ocidentais, encabeçado pela fantástica europeia G2, de grandes concorrentes a ter um desempenho histórico no Mundial 2019.
A constante crescente apresentada pela escalação campeã norte-americana compila a evolução do cenário da LCS ao longo dos últimos anos e mostra como o Ocidente está cada vez mais próximo de um possível título mundial.
Diferente da equipe de Caps, que chega ao Main Stage da competição como uma das favoritas à Grande Final, a Cavalaria desponta de seus concorrentes com menor distância e com maior cautela, conhecendo ainda suas limitações e na expectativa de realizar uma campanha nunca antes vista por parte dos times da NA em palco internacional.
Se o histórico recente se repetir, o ano de 2019 da região da América do Norte tem tudo para ser inesquecível.
CLUTCH GAMING: “ IT’S TANNER TIME ”
Representante norte-americana na Fase de Entrada, a Clutch Gaming vem para o primeiro e último Mundial da organização. Com sua vaga da franquia vendida para a tradicional Dignitas e a inserção de uma nova filosofia de trabalho, as mudanças internas trouxeram um crescimento inesperado e promissor para a antiga equipe de League of Legends do Houston Rockets.
Encabeçada pelo caçador e topo sul-coreanos, Lira e Huni, a equipe praticamente ressurgiu no momento mais importante da LCS e conseguiu mostrar que não era apenas mais uma competidora qualquer.
Um crescimento monumental na reta final da fase regular da liga embalou o desempenho da gangue até uma semifinal disputadíssima contra a eventual campeã Team Liquid. Passar com facilidade por TSM nas quartas, levar a tetracampeã TL para um quinto jogo na série de semifinal e ter alguns de seus jogadores, como Damonte e Cody Sun, em grande fase eram fatores que empolgavam para o duelo de terceiro lugar contra a CLG e, posteriormente, para a escalada das Finais Regionais.
A versatilidade apresentada durante todas as séries, inclusive durante as derrotas, se mostrou uma grande arma da Clutch Gaming dentro da região norte-americana. Apresentando escolhas inovadoras, questionáveis e, às vezes, fora do meta, a rota do topo de Huni é um dos possíveis focos de surpresa da equipe.
Mesmo contestado por especialistas, a presença de campeões coringa no draft da CG, tal qual o Lucian com Aery de Huni, aponta a mentalidade e possibilidade de leitura ou adaptação do meta pela equipe, tornando-a imprevisível e surpreendente (de um jeito bom e ruim).
Abraçada por um sistema de jogo focado no parte superior do mapa fortemente apoiado em apresentações sólidas e fora da curva do caçador Lira, a Clutch Gaming tem como uma de suas armas o meio Damonte. Novato em palco internacional, ele é um dos maiores responsáveis por abrir espaço e habilitar jogadas mais agressivas e profundas de Lira.
Outro grande nome da Clutch Gaming e carregador do peso do sucesso de seu elenco é Cody Sun. O atirador embarca para seu terceiro Mundial seguido, representando a terceira organização diferente e com o estigma de ser uma sombra de outras personalidades da região. Consistente e decisivo domesticamente, Cody tem mais uma vez a missão de lidar com o criticismo do público, gerado por performances apagadas no palco internacional nos anos anteriores, e provar seu potencial frente a grandes nomes do cenário mundial.
Após o crescimento apresentado na reta final da LCS e sua imprevisibilidade, podendo aplicar o “ NA Special ” ou ter uma leitura de meta mais rápida, a Clutch Gaming dispara como uma das principais favoritas no palco da Fase de Entrada e — considerando um chaveamento favorável — até mesmo na série melhor de 5, apresentando grandes chances de se classificar para a Fase de Grupos.
Bernardo Pereira é mais um dos apaixonados por esports nesse mundo. Atualmente membro da bancada do AroundTheRift, acumula nove longos anos de League of Legends e sonha com mais. Você pode acompanhar seu trabalho no AroundTheRift e em seu Twitter .