"Tudo indica que querem me expulsar da vida política do clube", diz Bandeira, ex-presidente do Flamengo

O ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello terá seu futuro à prova no clube na próxima segunda-feira. Em julgamento no Conselho de Administração, o ex-dirigente é acusado de ter interferido no processo de escolha das cores das chapas nas últimas eleições. Bandeira pode ser punido com seis meses de suspensão e, no caso de uma segunda infração por qualquer motivo, ser expulso do Flamengo.

O processo foi aberto pelo Conselho de Administração do clube, presidido por Bernardo Amaral. O parecer recomendando a suspensão tem as assinaturas dos conselheiros: Luis Fernando Fragoso Machado, Marcio Mattos Carneiro e Mário Barboza da Cruz. Eles fizeram parte da Comissão de Inquérito aberta para analisar o caso.

Rodolfo Landim e Eduardo Bandeira de Mello — Foto: FotoBR

Rodolfo Landim e Eduardo Bandeira de Mello — Foto: FotoBR

No parecer, os três afirmam que Bandeira teria "adotado práticas que não coadunam com os princípios de urbanidade, moral e de bom costume".

O Globoesporte.com ouviu o ex-presidente a respeito:

Como o senhor recebeu a afirmação de que foi contrário aos princípios morais e de bom costume do clube?

- Ridículo. Moral e bons costumes? Só fiz defender o estatuto do Flamengo, sempre orientado pelo departamento jurídico do clube.

O senhor está sendo julgado na próxima segunda-feira por qual motivo? Como vê este processo?

- Me acusam de ter entrado na Justiça contra o clube, o que não aconteceu. Quem entrou foi o Bruno Barki, ele era advogado de uma das chapas (a chapa de Ricardo Lomba) e a Justiça pediu que o clube se manifestasse no processo. Eu autorizei que o jurídico desse o posicionamento do clube, de acordo com o estatuto. E isso foi feito. Jurídico, este que continua no clube até hoje.

O senhor é acusado de ter feito pressão sobre a Chiquinha (gerente dos Conselhos, Francisca Freire). Como foi seu contato com ela?

- Ela mesma já desmentiu isso. Tem cópias de todos os whatsApps que trocamos. Eu escrevi a ela orientando que ela agisse dentro do Estatuto. Disse a ela que ela não aceitasse pressão porque ela não podia ser punida por estar cumprindo o seu trabalho. Ela mesma diz isso. Vocês podem ligar para ela

Correligionários do senhor dizem que esta possível suspensão é uma forma de te tirar do jogo político, de te excluir das próximas eleições. O senhor também vê dessa forma?

- De fato, se eu for suspenso eu não posso participar da vida política. E isso abre caminho para a minha expulsão, consequentemente, não poderia participar das eleições. É um caminho para que isso ocorra, de fato. O que tudo indica é que querem me expulsar da vida política do clube.

Mas o senhor pretende se candidatar nas próximas eleições?

- Eu acho que já cumpri minha missão no Flamengo. Dediquei seis anos da minha vida 100% ao Flamengo. Fizemos o que tinha de ser feito. Minha mulher não ficaria nada satisfeita se eu voltasse para essa roda viva.

O senhor sente mágoa por esta situação? Estar perto de ser punido?

- Não sinto mágoa, mas é um processo injusto e descabido. Um processo equivocado. Inicialmente eu não iria me manifestar, não iria me defender, por entender que o processo era descabido, mas recebi muitas manifestações de apoio. Não só de amigos, mas de pessoas que eram contra a gestão, eram oposição, conselheiros, pessoas de dentro do clube, torcedores que me ligaram para dizer que não concordavam com este processo.

Como o senhor vê a condução do clube nestes cinco meses em que não é mais presidente?

- Difícil dizer com segurança o que está acontecendo. Só estive no clube três vezes, em solenidades. Não estou acompanhando de perto, mas acho que a base do que fizemos ainda está por lá. Creio que vão manter o que construímos com muito trabalho em seis anos.

Advogado do clube nega que tenha sido obrigado a fazer parecer, como afirma comissão

- Entre os argumentos usados pelos responsáveis pelo parecer que pede a condenação de Bandeira, há a interpretação do depoimento do advogado do clube Bernardo Accioly de que ele teria sido "obrigado" a fazer parecer técnico para sustentar versão do advogado Bruno Barki, no processo judicial.

No último dia 10, após publicação do relatório da comissão, Accioly enviou um e-mail para os Conselhos afirmando ter sido mal interpretado pela comissão. Ele negou veementemente que tenha sido obrigado a fazer o parecer técnico. Disse que agiu profissionalmente, sem coação.

Fonte: Globo Esporte

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