LIMA — A capital peruana virou um reduto tomado por rubro-negros na América do Sul. Já dava para imaginar que o ambiente seria de apoio quando a Conmebol divulgou a parcial de vendas que mostrava os rubro-negros comprando mais ingressos que os platenses. Agora, é festejar sem hora para acabar na capital peruana.
O dia anterior à decisão já foi marcado por uma grande festa nas ruas. No "Barranco", uma das principais praças do bairro de Miraflores, várias caravanas e grupos organizados se encontraram no período da noite e madrugada. Apenas um incidente manchou a festividade antes da final da Libertadores. Uma confusão no shopping Larcomar, onde um torcedor do River Plate imitou um macaco para provocar um grupo de rubro-negros que cantava no local. Houve um princípio de briga, mas a polícia peruana interviu e controlou os mais exaltados. Ninguém foi deitado.
No dia da partida, os estabelecimentos no bairro de Miraflores, onde há a maior concentração de turistas, foram tomados por camisas rubro-negras em bares, restaurantes e cafés. Não foi difícil encontrá-los logo cedo, mas houve tempo apenas para uma rápida refeição antes de irem ao Monumental de "U".
O clima entre ambas as torcidas foi amistoso no caminho, apesar das provocações quando se encontravam. A Avenida Javier Padro, principal via de acesso para chegar ao estádio, ficou ainda mais engarrafada do que nos dias comuns. Uma pista exclusiva foi destinada a veículos credenciados se deslocarem em maior velocidade, mas diversas caravanas e ônibus fretados ignoraram os bloqueios policiais e passaram fazendo festa.
A Eventim, empresa terceirizada e responsável pela venda de ingressos da final, disponibilizou ônibus por três soles (cerca de R$ 3,70) para os torcedores irem ao estádio. Além disso, mais de 25 ônibus fretados por torcidas rumaram ao Monumental. O trajeto durou cerca de 1h30, mas não deixou de ser animado pelos cantos provocativos quando as torcidas se encontravam. Os torcedores do River Plate cantavam "tetracampeão", mas ouviam gritos de "segunda divisão" dos rubro-negros que respondiam.
Já quando a bola rolou, o clima de tensão característico de final de Libertadores afetou as arquibancadas. Grupo até tentavam puxar cantos, mas estava nítido que o ambiente não era o ideal - ainda mais após o River abrir o placar. Mas a torcida do Flamengo cresceu no segundo tempo, como quem previssem a história que seria escrita nos minutos finais desta partida. Título no campo e na arquibancada.
Torcida do Flamengo acredita até minuto final e torna Lima sua segunda casa na América do Sul
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