Proposta chegou a R$ 700 mil, mas mediação no TJ revoltou famílias: "Vocês são do Flamengo?"

A tentativa de mediação do Flamengo no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro terminou longe de acordo e com atrito maior entre familiares, vítimas do incêndio com 10 mortos no Ninho, e o clube carioca. Houve aumento de oferta do Rubro-Negro: de R$ 300 mil a R$ 400 mil para R$ 700 mil, mais um salário mínimo mensal por 10 anos - hoje, este valor é de cerca de R$ 1 mil. No entanto, os familiares, com advogados no encontro, se incomodaram desde o início da reunião.

As famílias das vítimas mantiveram os valores pedidos pela Câmara de Conciliação - formado por Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública: R$ 2 milhões de indenização, mais R$ 10 mil mensais por mais 30 anos. A diferença continua muito grande entre o pedido dos familiares e a proposta rubro-negra.

A reunião teve momentos de tensão. Em certo momento, quando um dos lados da conciliação questionava a postura do Flamengo (o vice geral e vice jurídico Rodrigo Dunshee deixou a reunião rapidamente, alegando compromisso) e dos mediadores, um dos advogados de familiares pediu que todos os demais saíssem da sala para conversar a sós com os familiares.

Antes, mostrou revolta contra a mesa do Tribunal de Justiça.

- Não estou entendendo. Vocês são do Flamengo? Estão defendendo o Flamengo? - questionou.

Pai de Christian Esmério, Cristiano fez duras críticas ao Flamengo ao fim da reunião — Foto: Reprodução

Pai de Christian Esmério, Cristiano fez duras críticas ao Flamengo ao fim da reunião — Foto: Reprodução

Depois da nova proposta, os advogados do clube avisaram que iam consultar a diretoria do Flamengo para levar a oferta repetida dos familiares. Foi o estopim para que a mesa fosse encerrada.

- Acabou a negociação. A gente não quer mais conversar - disseram os familiares.

- Vamos conversar de novo amanhã - pediu o mediador.

Mas as famílias se recusaram a manter a conversa e se retiraram da sala. Entre as 13 famílias que foram ao Tribunal de Justiça, uma delas pensou em aceitar o acordo de maneira individual, lembrando que o dinheiro imediato seria importante para a família. Mas foram questionados internamente, entre o grupo de familiares, sobre a ajuda de custo de R$ 5 mil mensais que o Flamengo ofereceu. Após a discordância, desistiram de aceitar o acordo.

Vice jurídico do Fla: "Não sou parte disso"

O Flamengo ainda deve se manifestar de maneira oficial depois de nova tentativa em vão de acordo com os familiares das vítimas. Ao site "Coluna do Flamengo", o vice-presidente geral e vice jurídico, Rodrigo Dunshee, ex-presidente do Conselho Deliberativo na última gestão Bandeira, disse que tem "trabalhado em várias frentes em prol do Flamengo" e esclareceu a rápida passagem pela reunião.

- O clube contratou um advogado para representar, não era para eu ter ido. Mas eu entendi que tinha que ter alguém da diretoria do Flamengo presente. Então fui, fiz o meu discurso: “Eu vim aqui prestar solidariedade e recepcionar vocês, pois foram convidados por nós. Mas tenho compromissos”... Quanto aos que estão chateados, eu entendo. Mas prestei esclarecimento de forma clara, e ainda estendi um pouco mais (a participação). Depois que acabou essa parte de pré-mediação, eu fui embora. Não sou parte disso. O Landim também não foi porque ele não tem nada a ver com isso. A gente não é parte integrante da mediação. Ele está envolvido por ser presidente do clube, pois é quem vai assinar o cheque, pagar às famílias. Expliquei isso na pré-mediação. A verdade é que o Flamengo tentou fazer o seu melhor, mas querem uma solução para ontem - disse Dunshee.

Fonte: Globo Esporte

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