Pouco controle e muita precisão. A vitória do Flamengo em Fortaleza

Em determinados momentos da temporada, o torcedor não está tão interessado no jeito que ela é conquistada, mas sim se a vitória vem. E depois de dois jogos de derrotas por virada, o rubro-negro volta do Ceará com os três pontos na bagagem. O ponto alto do desempenho do time foi a eficiência nos arremates e a compactação da última linha defesa. A parte negativa engloba mais fatores.

Foi mais uma partida de dificuldade para competir em alta intensidade durante a maior parte do tempo. Ritmo aquém do necessário para controlar as ações com ou sem a bola. Pouca capacidade de progressão em trocas de passe curto e de reter a posse no campo de ataque. O Fortaleza finalizou mais que o dobro de vezes do Flamengo, mas esteve muito impreciso.

Escalações

Juan Pablo Vojvoda fez duas mexidas no time-base que vem escalando. Lucas Sasha e Machuca começaram como titulares. Zé Welison e Guilherme foram para o banco de reservas.

Já Tite não teve Wesley, Gérson e Gabigol. Matheuzinho assumiu a lateral-direita. Erick Pulgar voltou de suspensão. Luiz Araújo e Everton Cebolinha foram os pontas. Filipe Luís ganhou oportunidade na lateral-esquerda. Debilitado por uma virose, Ayrton Lucas começou no banco de reservas.

Como Fortaleza e Flamengo iniciaram o duelo válido pela 32ª rodada do Brasileirão — Foto: Rodrigo Coutinho

O jogo

Irregularidade! Esta foi a marca do 1º tempo no ensolarado Castelão. O calor infuenciou um pouco no ritmo quebrado que o jogo teve, mas os problemas de Fortaleza e Flamengo foram além disso. As distinções de caracteristicas das equipes eram nítidas e foi curioso ver como as melhores chances de cada time foram produzidas de maneira diferente ao idealizado pelos treinadores.

Sabe-se que o Fortaleza é uma equipe muito vertical. Não joga necessariamente com ligações diretas, mas usa passes visando infiltrações em cima da última linha de defesa adversária. Teve pouco sucesso ao tentar fazer isso. Tirando uma ou outra bola bem enfiada para Marinho nas costas de Filipe Luís, a retaguarda rubro-negra mostrou-se atenta.

Ao colocar a bola basicamente em disputa, o Leão viu o Flamengo retomar o controle da posse e acelerar em transições mais rápidas com Everton Cebolinha e Luiz Araújo. Três das quatro jogadas ofensivas de destaque dos visitantes ocorreram em contragolpes, duas delas com participações fundamentais dos pontas.

Importante também foi Filipe Luís para descobrir Pedro na entrada da área nos últimos minutos. O camisa 9 colocou o Flamengo na frente com uma finalização que lembrou seus melhores momentos no clube. Destaque para a luta de Luiz Araújo, ganhando um duelo com Lucas Sasha na origem do lance. Ele foi o jogador mais intenso em campo.

Pedro abre o placar para o Flamengo contra o Fortaleza — Foto: Reprodução

Tite liberou Filipe Luís para fazer flutuações ao centro quando o Flamengo entrava em fase ofensiva, mas o time não conseguia progredir no campo com tanta fluência. Todas as vezes em que o Fortaleza apertou a marcação na saída de bola ou na linha média, conseguiu desarmar ou forçar erros do rubro-negro. Os movimentos para gerar as linhas de passe foram pouco intensos.

O Leão do Pici, mesmo tentando acelerar as jogadas, incomodou mais ao trocar passes por um tempo mais longo. Novamente utilizou o lado direito do ataque para explorar o setor de Filipe Luís. Teve Pochettino circulando para o flanco, se somando a Marinho, Tinga e um dos volantes. Poderia ter feito isso mais vezes antes do intervalo.

Vojvoda sacou Pochettino e colocou Lucas Crispim no retorno para o 2º tempo. Sua equipe se postou mais perto da meta rival. Projetou os dois laterais bem abertos. Trouxe Marinho e Machuca para o centro, mais próximos de Lucero. Trabalhou bem as inversões de lado e pressionou o Flamengo. Chegou perto de empatar o jogo.

O rubro-negro até conseguiu encaixar um contra-ataque perigoso antes dos 20 minutos, mas o padrão foi ficar acuado no campo de defesa e com pouca capacidade de retenção de bola ao retomá-la. Tite perdeu Thiago Maia lesionado e pôs Rodrigo Caio novamente como volante. Pouco antes havia sacado Arrascaeta para a entrada de Victor Hugo em busca de mais energia no time.

Fortaleza, Flamengo, Marinho — Foto: Ismael Soares / SVM

A equipe teve uma pequena melhora, mas não o suficiente para se aproximar de um cenário mais confortável. O Fortaleza abusou do direito de errar na parte técnica e também em algumas escolhas ao se aproximar da área. Mesmo com a última linha do Flamengo bem coordenada, o Leão teve algumas situações de gol ou jogadas que poderiam ter virado uma clara oportunidade.

Faltou sorte também, e a exposição na reta final do duelo cobrou o seu preço. O time passou a ter Thiago Galhardo, Pikachu e Escobar. Bruno Pacheco virou zagueiro e Lucas Crispim volante. Já com Ayrton Lucas como ponta, os cariocas recuperaram uma bola no campo rival e viram o camisa 6 tabelar com Filipe Luís e cruzar para Luiz Araújo marcar.

A vitória fez com que o Flamengo se reconectasse com o bloco que luta por uma vaga direta na Libertadores e abrisse quatro pontos do 7º colocado, mas em termos de futuro próximo não foi tão animadora.

Fonte: Globo Esporte