A Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), da Polícia Civil do Paraná, abrirá investigação nesta segunda-feira para apurar um suposto ato racista.
Um torcedor do Athletico imitou um macaco em direção à torcida do Flamengo durante a partida da quarta rodada do Campeonato Brasileiro, no domingo, na Arena da Baixada. O Furacão venceu o Fla por 2 a 1 , de virada.
O vídeo registra um homem de camisa vermelha olhando para o setor superior do estádio, destinado para os flamenguistas. Logo em seguida, o torcedor presente na área atleticana faz o suposto ato racista.
O ge entrou em contato com o delegado Luiz Carlos de Oliveira, da Demafe, que recebeu as imagens pelas redes sociais. Ele já solicitou os registros internos ao clube para investigar o caso.
Já o Athletico, no final da tarde, afirmou que " já identificou o torcedor suspeito de atos de racismo e que ele não é sócio do clube" . O Furacão ainda avisou que todas as informações e imagens estão sendo enviadas às autoridades competentes.
Antes, o clube disse que estava "finalizando a investigação interna e que, caso o suspeito seja condenado, poderá sofrer punições administrativas pelo Furacão, que vão desde a suspensão à proibição permanente do acesso aos jogos" .
Torcedor do Athletico imita macaco em jogo contra o Flamengo — Foto: Reprodução
Em meio a vários casos na Baixada nos últimos anos, o Furacão chegou a lançar um site para denúncias em casos de discriminação durante os jogos. A campanha aconteceu em agosto de 2022 , na partida contra o Palmeiras pela Libertadores.
No último sábado, o portal lançado de "matchday" é o novo responsável para relatar crimes e condutas inadequadas. Para denunciar, o torcedor tem um QR Code nas cadeiras do estádio, que leva até uma plataforma no celular.
Arena da Baixada tem tido episódios de racismo
A Arena da Baixada tem sido local de recorrentes atos de racismo. No começo de agosto do ano passado, torcedores fizeram gestos racistas em direção da torcida do São Paulo .
Já em março de 2022, o lateral Samuel Santos, do Londrina, acusou um torcedor atleticano de injúria racial em uma partida do Paranaense. O torcedor chegou a ser preso e foi solto após pagar multa.
Por fim, no final de 2021, pela final da Copa do Brasil, uma torcedora do Furacão foi flagrada em um vídeo dando risada e imitando um macaco em direção à torcida localizada abaixo do camarote.
Nota oficial do Athletico
"O Club Athletico Paranaense informa que está finalizando a investigação interna e enviará às autoridades competentes todas as imagens e informações sobre o torcedor acusado e suspeito da prática de racismo na partida diante do Flamengo, no último domingo (7).
Além disso, o clube seguirá com os procedimentos internos, através do Compliance. Dessa forma, o suspeito, caso condenado, também pode sofrer punições administrativas, por meio da Câmara de Ética e Disciplina, que vão desde a suspensão à proibição permanente do acesso aos jogos.
O Athletico Paranaense reforça o compromisso de combater todo e qualquer tipo de atitude discriminatória dentro de seu estádio.
Importante reiterar que além de repetidas manifestações sobre o tema, o clube lançou, no último sábado (6), o portal de matchday. Através do matchday.athletico.com.br, que pode ser acessado por meio de QR Code instalado nas cadeiras do estádio, é possível a qualquer torcedor denunciar crimes e condutas inadequadas durante as partidas".
Nota da CBF
"Com relação aos supostos atos de racismo ocorridos em partidas de futebol das séries C (Ypiranga X CSA, no Estádio Colosso da Lagoa em Erechim - RS ) e D (Aimoré x Hercílio Luz, no Estádio João Corrêa da Silveira em São Leopoldo RS), ambos relatados em súmula, e da série A (Brasileirão Assaí), entre Flamengo e Athletico Paranaense, na Arena da Baixada (PR), amplamente propagado pela imprensa, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) esclarece que atua no âmbito desportivo, seguindo protocolos para situações semelhantes às noticiadas no último final de semana.
O primeiro passo é coletar todos os dados disponíveis em torno do fato, entre eles as informações contidas na súmula do jogo, boletins de ocorrência, relatórios e reportagens que destacaram os episódios de racismo.
O clube envolvido também é requisitado a apresentar informações sobre o que foi feito em relação ao fato e sua defesa diante do ocorrido.
Com base nos dados coletados, uma comissão interna da CBF, formada pela Diretoria de Conformidade e Compliance, Diretoria Jurídica e Diretoria de Competições, julga o episódio, dentro dos parâmetros do Regulamento Geral de Competições (RGC).
Vale lembrar que a CBF não tem poder punitivo nem de polícia e, por isso mesmo, encaminha suas considerações e recomendações ao STJD e à Comissão de Ética, para que sejam tomadas as devidas providências no âmbito desportivo e também perante o poder público e demais instâncias."