Diploma na mão em uma das melhores universidades acadêmicas dos Estados Unidos. Kevin Crescenzi sobe ao palco, ouve as congratulações do reitor de Dartmouth e exibe um sorriso. O gesto é especial e direto para seus pais, Vince e Marisa. O basquete o acompanhou nos quatro anos de graduação - e desde garoto.
Dois anos depois, Crescenzi arremessa na Arena Carioca 1, ainda vazia antes de um clássico, Flamengo x Corinthians no NBB, com seu fone de ouvido tocando funk. Mais precisamente, MC Kevinho.
"Gosto muito! Não sei o nome das músicas, mas até canto algumas e eles me zoam por conta do mesmo nome" brinca Kevin, rindo.
Kevin Crescenzi é filho de pai americano e mãe brasileira. O jovem de 25 anos nasceu em New Jersey, mas cresceu na Flórida e colocou lado a lado, sempre, o clima brasileiro de carinho e comunhão, com a aplicação para focar nos estudos e no esporte.
“Jogava vários esportes quando era criança, é normal isso nos Estados Unidos... Me foquei no basquete quando tinha uns 14, 15 anos”, revela o jogador.
Antes de entrar na faculdade, Kevin viveu um dilema. Qual curso seguir e como conciliar o basquete com os estudos.
“Sempre fui interessado, estudava e queria economia, mas aí me compliquei, não consegui passar e cursei minha segunda opção: psicologia”, conta.
E da psicologia, Crescenzi tirou confiança e fôlego para superar os quatro anos universitário, sem deixar sua maior paixão, o basquete, de lado.
“Quase 50, 60% dos atletas deixam de praticar o esporte por conta dos estudos, o nível é muito puxado”, revela, lembrando-se das suas notas, nada extraordinárias, mas suficiente para fazê-lo passar.
Notas que são essenciais na Ivy League, a "liga dos nerds". A conferência da NCAA (entidade que controlar os esportes universitários no país) é caracterizada por ter as principais universidades acadêmicas da nação e ser menos focada nos esportes. Harvard, Princeton e Yale são algumas das faculdades da Liga.
No total, apenas 44 jogadores na história da NBA chegaram na Liga vindo de times da Ivy League, entre eles Jeremy Lin, que brilhou no New York Knicks, inclusive sendo apelidado de ‘Linsanity’ e hoje atua no Atlanta Hawks.
Crescenzi chegou em Dartmouth na temporada 2012-13 e não teve muito espaço na rotação da equipe.
“Não me dei bem com o técnico e isso fez eu não jogar muito, mas não podia, tinha que acreditar no meu sonho”, fala o jogador.
Sonho esse que ficou abalado após não ser selecionado no Draft da NBA e não conseguir vaga na G-League, a liga de desenvolvimento. Crescenzi ainda atuou quatro meses em ligas semiprofissionais de Nova York.
"Pensei em entrar no 'mundo real', exercer minha profissão e esquecer o basquete" admite Kevin.
No entanto, o passaporte brasileiro proporcionou uma nova chance ao jogador. O destino: Sorocaba.
Foi na Liga Sorocabana, no NBB, que o jogador atuou sua primeira temporada profissional e teve bom desempenho.
As médias foram de 11,6 pontos, 3,8 rebotes e 2,5 assistências em 26 minutos por jogo. As atuações não foram suficientes para evitar o rebaixamento da equipe, mas rendeu uma proposta de um gigante para o jogador.
“É uma experiência nova, fico feliz, estou tentando aproveitar tudo”, comenta Crescenzi.
Após uma temporada, o jogador assinou com o Flamengo.
O ala-armador de 1,94 tem um novo desafio à frente; defender a camisa do maior campeão do NBB, que acabou de se despedir de seu maior ídolo - Marcelinho Machado.
Nas primeiras semanas, o camisa 8 não tem tanto espaço ainda, o que ele diz entender. Entretanto, mostra saber o que está fazendo.
Sem ser tão acionado, principalmente pelo número de renomados jogadores que o time já tem, Crescenzi cometeu apenas dois turnovers na temporada, e acerta 50% de seus arremessos dos 3 pontos.
Apesar de sua média de apenas oito minutos em quadra pro jogo, foi titular na última partida, o clássico das multidões contra o Corinthians.
O Flamengo, pentacampeão, não levanta a taça há duas temporadas, e quer retomar sua hegemonia. O começo de temporada mostra que o trabalho está sendo bem feito: seis jogos, cinco vitórias.
A partida de hoje é complicada, contra o forte Bauru. O time do interior paulista não começou bem o NBB, mas foi o 4° colocado na última temporada e campeão na anterior.
Esse jogaço, com Kevin Crescenzi em quadra, você acompanha ao vivo na ESPN e no WatchESPN , a partir das 19h30.