Às 16 horas (de Brasília) deste domingo, as estrelas de Flamengo e Palmeiras se enfrentarão no Maracanã. A não ser que ocorra alguma surpresa de última hora, não haverá ninguém das divisões de base nas escalações titulares.
Os dois clubes de maior receita no futebol brasileiro são equipes também que têm dado pouquíssimo espaço a suas próprias promessas. Não por acaso: passaram a montar suas equipes principais investindo em nomes que já se destacam dentro ou fora do país.
No Flamengo, que historicamente se orgulha por fazer seus craques "em casa", as chances diminuíram principalmente após a chegada do técnico português Jorge Jesus – Abel Braga poupava mais seus titulares. Mesmo assim, na comparação com o Palmeiras, há uma diferença importante.
Reinier, do Flamengo, antes da partida contra o Botafogo, no Maracanã — Foto: Marcelo Baltar/GloboEsporte.com
Quatro garotos ganharam ao menos alguns minutos de Jorge Jesus, incluindo o meia Reinier, de 17 anos, que chegou a atuar em uma partida da Libertadores, assim como o atacante Lucas Silva, de 21 anos. O zagueiro Thuler (20 anos) fez cinco jogos, três a mais do que o atacante Lincoln (18 anos).
Todos eles constam na página do elenco profissional do site do Flamengo, com fotografia e ficha técnica. Já no Palmeiras, ultimamente multicampeão na base, o único prata da casa é Victor Luis, lateral-esquerdo de 26 anos, atualmente reserva, mas campeão brasileiro no ano passado depois de empréstimos a Ceará e Botafogo.
Há ainda o atacante Iván Angulo, de 20 anos, que o clube inicialmente emprestou para a base, no começo do ano, antes de comprar seus direitos econômicos em definitivo do Envigado, da Colômbia, por US$ 3 milhões (cerca de R$ 11,6 milhões na cotação da época).
Angulo, camisa 7, esteve perto de ser chamado para a seleção colombiana principal, mesmo sem chances no time de cima do Palmeiras — Foto: Fifa/Divulgação
Apesar de ter sido cotado inclusive para a seleção principal colombiana que disputará amistosos em setembro, o garoto tem descido para disputar jogos pelo time sub-20 do Palmeiras e dificilmente jogará na equipe principal neste ano. Ele foi relacionado uma vez no Brasileirão, quando o técnico Luiz Felipe Scolari só escalou reservas.
Vendas como contraponto
Ao mesmo tempo em que gastam com reforços para seus times principais, Flamengo e Palmeiras são grandes vitrines e fazem dinheiro com a venda de nomes da base para diversos mercados.
O Flamengo teve vendas milionárias nos últimos anos: Jorge e Vinicius Junior saíram para Monaco (França) e Real Madrid (Espanha) em 2017 por R$ 29,8 milhões e R$ 164 milhões, respectivamente. Em 2018, Felipe Vizeu e Lucas Paquetá foram negociados com Udinese e Milan (ambos da Itália) por R$ 20 milhões e R$ 146 milhões, nesta ordem. E recentemente, foi a vez de Léo Duarte também ir para o Milan por R$ 43 milhões.
Foram duas as vendas mais expressivas do Palmeiras depois da saída de Gabriel Jesus, no início de 2017, já campeão e negociado por cerca de R$ 121 milhões com o Manchester City, da Inglaterra. No ano passado, a ida do também atacante Fernando ao Shakhtar Donetsk (Ucrânia) rendeu ao clube R$ 24 milhões. Em 2019, o RB Leipzig (Alemanha) pagou R$ 43 milhões pelo lateral Luan Cândido.
A falta de espaço no time de cima força as diretorias também a emprestarem uma série de garotos a outros clubes, tanto do Brasil quanto do exterior. A justificativa recorrente é de que, assim, eles podem antecipar processos e ganhar experiência antes de eventualmente retornarem e serem finalmente aproveitados – o que não tem ocorrido.