Acordar no meio da madrugada para se ajeitar na poltrona, colocar o pé no piso do ônibus e sentir a água passando não é nada legal. É o suficiente para despertar de imediato. E foi isso que aconteceu comigo na madrugada desta terça-feira, 19 de novembro.

O ônibus Rio-Lima estava percorrendo o território de Rondônia pela BR-364, pista que corta um pedaço de floresta amazônica, e enfrentava uma tempestade tropical.

Chuva forte, muitos relâmpagos e trovões barulhentos. Para minha surpresa, a chuva foi tão forte que a água invadiu o ônibus e molhou o chão embaixo do meu assento. Molhou toda a minha mochila, incluindo o que estava dentro, como roupas limpas, microfone, laptop e barras de cereal para a viagem.

Não fui somente eu, o azarado. Outros passageiros da parte de baixo do ônibus também tiveram objetos molhados. Foi o caso de Ives Daniel, 27, torcedor do Flamengo .

Do lado de cima, foi até pior. Cristiano Ferreira, 31, o torcedor que deixou Recife após vender seus eletronegativos para ver a final da Libertadores , me disse que dormiu no chão porque o assento onde estava ficou todo molhado com a “invasão” da água.

“Eu dei um jeito de forrar o chão e dormi. Faz parte da aventura da viagem”, brincou.

A tempestade foi tão forte que assustou o motorista William Guerra, responsável pelo trajeto noturno. Começou ainda na noite de segunda (18), após às 22h, e continuou durante toda a madrugada.

“Eu chamaria de tormenta tropical. Muitos clarões no céu. Uma hora, senti que um raio caiu ao meu lado. Tive de dirigir a 30 km/h, no máximo 50 km/h, porque não tinha nenhuma visibilidade da pista”, disse.