Jesualdo Ferreira se despediu do Canal 11 , de Portugal, na noite desta sexta-feira. O técnico deixa de ser comentarista de televisão para assumir o Santos a partir de 2020.
O treinador de 73 anos lembrou de quando viu Pelé pessoalmente e destacou o DNA do Peixe.
“A primeira grande referência que tive do futebol brasileiro foi o Santos. Em 1962, eu ainda era novo… lembro que o Santos enfrentou o Benfica . Nunca mais esqueço daquele time do Santos, com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Acompanhei Benfica x Santos na Luz. Felizmente pude acompanhar uma coisa que nunca tinha visto na minha vida, que era um senhor chamado Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Logo ali, o Santos tornou-se o meu clube no Brasil”, disse Jesualdo.
“A segurança que as pessoas (do Santos) têm de que aquilo (projeto) é verdade, têm a crença de que aquilo é verdade. Vou com a ideia do caminho que tenho a seguir. É impressionante como o Santos tem o mesmo estádio há 60 anos, pequeno e com cerca de 20 mil pessoas. Ali jogou o Pelé. Estou falando de identidade. Identidade não pode ser alterada porque momentaneamente o ‘negócio’ tomou conta de tudo”, completou.
Ele também mencionou o Flamengo e sua importância histórica.
"O Flamengo era o melhor clube do mundo. Porque era. Quando Jesus fala isso, é porque era. E agora vai outra vez recuperar uma posição que perdeu por muito tempo. Por quê? Porque não ganhou. Mas agora fez. E, porque fez, foi capaz de chegar aonde chegou. Vamos ver se será capaz de manter ou não. São as dúvidas que os brasileiros também têm", disse.
Jesualdo Ferreira e o dia em que viu o Santos de Pelé. ⚽
— Canal 11 (@Canal_11Oficial) December 28, 2019
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Jesualdo Ferreira também falou durante boa parte da entrevista sobre tática. Ele assistiu a jogos do Alvinegro sob o comando de Jorge Sampaoli e prioriza a utilização do 4-3-3, com adaptações no ataque.
“O 4-3-3 me garante conseguir passar para outros sistemas com mais segurança. É um sistema que controla melhor os espaços. Para colocar o meu 4-3-3, preciso ter jogadores que consigam interpretar o que eu quero. O 4-3-3 torna-se menos forte quando se tem dois laterais fortes ofensivamente. Se não tenho dois meias que sejam fortes verticalmente, também. Sem um 5 (primeiro volante) de alta qualidade, também é difícil. Se efetivamente os três da frente forem dois extremos (pontas) puros e um atacante… Não é o ideal. Por que não é o ideal? Para mim, os três da frente precisam ser atacantes, que saibam jogar fora e também dentro da área. Exemplos: Lisandro López e Ricardo Quaresma”, analisou.
“Se chegar ao Santos e não encontrar os volantes/meias que gosto… Bom, aí você me pergunta: vai abdicar do 4-3-3? Não sei. Tenho que ver quais são as outras soluções, sem perder aquilo que quero: procurar sempre o gol. Entre ter posse de bola e chegar rápido ao ataque, prefiro a segunda opção. Quero a primeira opção? Quero! Mas quero isso sem perder a capacidade de chegar rápido ao gol. Do que vi do Santos do Sampaoli, o time tem três atacantes (Marinho, Soteldo e Eduardo Sasha) muito rápidos, fortes e com mobilidade. Logo, vai ser mais fácil para que as minhas ideias entrem rapidamente”, emendou.
O português comentou sobre a dificuldade com o calendário brasileiro. O Santos estreará no Campeonato Paulista dia 23, contra o Red Bull Bragantino, na Vila Belmiro.
“Vou começar a temporada no dia 10 e jogar já no dia 22 (23). A partir daí, serão jogos de quatro em quatro dias (no Paulistão). Depois tem a Libertadores e o Brasileirão. Como vai ser o processo de preparação do meu time? Primeiro vou fazer uma série de análises rápidas dos últimos jogos. Assim, vou mostrar aos meus jogadores o que eles já fizeram, o que está errado e o que está certo. Vou privilegiar o “certo”, que é o mais importante. No treino não vou me preocupar muito com aquela fase de cargas altas, de força física… Vou fazer treinos de jogo. Vou potencializar ainda mais aquilo que o time já sabe fazer. Não quero perder tempo com a afinação física”, disse Jesualdo.
A falta de tempo entre jogos e a primeira experiência no Brasil fazem com que Jesualdo Ferreira veja seu provável último trabalho como o mais difícil da carreira.
“O Santos é o último maior desafio da minha carreira. Dizer que os outros, como o Porto, não foram tão fortes? Não seria honesto dizer isso. Mais difícil? No momento é, porque antes conhecia e dominava muito mais as questões do que agora. Dominava mais o contexto”, concluiu.
Jesualdo será apresentado oficialmente como técnico do Santos no dia 6 de janeiro. Já há três outros membros da comissão técnica definidos: os auxiliares Rui Águas, Antonio Oliveira e Pedro Bouças. Um preparador físico ainda será escolhido.