Investigação da DECON apura apostas em cartões amarelos no Carioca

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia do Consumidor (DECON), investiga um esquema de manipulação de resultados ligado a apostas em cartões amarelos durante a partida entre Portuguesa e Nova Iguaçu, ocorrida em 7 de fevereiro de 2026, no estádio Luso-Brasileiro. Como apurou o ge, o caso envolve apostas que resultaram em um lucro exorbitante para um grupo de apostadores.

Durante a partida, o jogador Sidão, do Nova Iguaçu, recebeu um cartão amarelo aos 35 minutos do primeiro tempo, e Luis Gustavo, da Portuguesa, foi amarelado aos três minutos do segundo tempo. A investigação revelou que um grupo apostou cerca de R$ 40 mil e ganhou aproximadamente R$ 300 mil ao prever esses cartões. A DECON está utilizando setores de inteligência financeira para cruzar dados e seguir indícios de crimes de estelionato e corrupção.

Detalhes da Investigação

A Unidade de Integridade de Futebol da CBF e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro foram alertadas sobre um número anormal de apostas para que os dois jogadores fossem penalizados com cartões amarelos. A súmula do árbitro FIFA Bruno Arleu confirmou que os cartões foram aplicados devido a faltas cometidas de forma temerária.

Luis Gustavo e Sidão prestaram depoimento na DECON e negaram envolvimento com apostas. Ambos não estão sob investigação formal neste momento. Sidão se declarou inocente e lamentou as "falsas acusações" que podem prejudicar sua carreira, enquanto Luis Gustavo optou por não fazer declarações.

Reações dos Clubes

Após o surgimento das suspeitas, a Portuguesa decidiu afastar Luis Gustavo do elenco, reafirmando seu compromisso com a transparência e ética. O Nova Iguaçu, por sua vez, manteve Sidão na equipe, mas optou por não se manifestar sobre o caso, uma vez que o jogador não faz mais parte do clube.

Contexto Mais Amplo

Esse caso é apenas um dos 15 inquéritos abertos pela DECON relacionados a possíveis manipulações no futebol carioca. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) afirmou estar adotando medidas há anos para combater a manipulação de resultados, incluindo a contratação de empresas de monitoramento e colaborações com autoridades como o Ministério Público e a CBF.

A Ferj ressaltou que o número de casos suspeitos tem diminuído, passando de 19 em 2022 para apenas 2 em 2025. As investigações em curso refletem a necessidade de manter a integridade do futebol e coibir práticas ilícitas que possam afetar a credibilidade das competições.