Depois da insubordinação revelada aos quatro cantos, o Flamengo resolveu adotar a política da blindagem para inibir maiores danos em decorrência do caso Diego Alves. Não só na tentativa de evitar que a situação respingue no desempenho do time em campo, mas também para que a ferida não cresça ainda mais nesta reta final de temporada.
- Temos que administrar. Vamos encontrar uma saída para que isso não interfira no desempenho do flamengo. Temos que blindar o futebol e impedir que esse desconforto vá para dentro do campo - foi o recado do vice-presidente de futebol, Ricardo Lomba, que não revelou qual medida administrativa foi tomada e disse que o goleiro continuará treinando com o grupo e à disposição do treinador.
O insubordinado Diego Alves não gostou do vazamento do que, de fato, aconteceu antes da viagem para Curitiba, onde o Flamengo goleou o Paraná. À insatisfação pela perda da titularidade somou-se uma revolta pela exposição pública do que ele fizera: "Não vou viajar" foi a frase dita ao técnico Dorival Júnior no sábado, mas o jogador de 33 anos continuou contrariado nos dias subsequentes.
Faltando oito jogos para acabar o Brasileirão, o entendimento no Flamengo é que "lavar a roupa suja" publicamente seria uma depreciação do patrimônio do próprio clube. Diego Alves tem contrato até dezembro de 2020. Até os próprios colegas de time, mesmo magoados com o comportamento do goleiro, evitaram criticá-lo publicamente na volta de Curitiba.
- Cada tem sua posição. Ele é um grande profissional, sempre tivemos um bom relacionamento, e o clube vai resolver da melhor maneira - disse o volante Cuéllar.
Internamente, a multa é vista como inevitável, mas a diretoria tenta conduzir o assunto cheia de dedos para evitar brechar para um embate judicial. Diego Alves tem mais currículo que César, tem valor de mercado relevante e, tecnicamente, é visto como tecnicamente superior ao concorrente. Mas respeita-se a decisão de Dorival, com suporte do preparador de goleiros Rogério Maia, de optar pelo mais jovem neste momento de três vitórias seguidas e quatro jogos sem levar gols.
- O treinador escala quem acha que está nas melhores condições. Aqui dentro sempre falamos isso. Meritocracia tem que existir sempre - ressaltou Lomba.
Diante do cenário, a aposta é para ver se o tempo será o remédio para que o goleiro esfrie a cabeça e reconquiste a confiança do grupo. A tendência, portanto, é que o saldo desse processo só seja conhecido em 2019, quando a janela de transferências abrir.