O Botafogo deu sinais tardios de sua grandeza ao, em seu estádio, com maioria da torcida, impor uma dificuldade impensada ao Flamengo . Jogou de igual para igual, mas sucumbiu no fim depois de trinta minutos com um jogador a menos — Luiz Fernando foi expulso. A derrota por 1 a 0, aos 43 minutos do segundo tempo, com gol de Lincoln , foi um golpe duro ao time alvinegro, que entra na zona de rebaixamento pela primeira vez. Do lado rubro-negro, seguem os oito pontos de diferença para o Palmeiras , apesar da nova queda de rendimento.
A violência dentro e fora campo foi uma das marcas da partida. Cinco cartões amarelos para o Botafogo e quatro para o Flamengo, inclusive para o técnico Jorge Jesus, suspenso contra o Bahia no domingo. Nas arquibancas, cenas de barbárie com torcedores supostamente rubro-negros infiltrados e apanhando da torcida mandante.
No gramado, quem imaginava que o Flamengo seria superior ao Botafogo desde o início e construiria o placar em questão de tempo, se enganou. A alma do clássico marcou presença ignorando diferenças técnicas e financeiras dos dois elencos, e o equilíbrio, quem diria, foi a tônica do primeiro tempo.
O Botafogo teve duas chances claras, que Diego Alves e Pablo Marí salvaram. Fruto da postura corajosa, com o time adiantado, que de certa forma surpreendeu o Flamengo. A equipe de Jorge Jesus, sem Arrascaeta, com um leve entorse de última hora, começou a partida muito abaixo da voltagem do rival. E foi parada também com faltas duras. Houve atendimentos médicos a Gabigol, Bruno Henrique Éverton Ribeiro e Gerson.
A violência em algumas jogadas não tirou o mérito do Botafogo em anular as ações rubro-negras e se manter vivo no ataque até o segundo tempo. O excesso de vontade, porém, levou Luiz Fernando, que fazia ótimo jogo, a ser expulso por falta boba em Bruno Henrique e deixar o time alvinegro com um a menos. Assim, todo o equilíbrio ficou para trás e foram 30 minutos de ataque contra a defesa.
Se antes o Botafogo mantinha a intensidade na defesa e no ataque, com dez jogadores concentrou-se em duas linhas próximas da área e segurou o ímpeto do Flamengo. Houve excesso de bolas cruzadas e arremates à distância, já que com troca de passes era impossível entrar. A péssima noite de Gabigol explica um pouco essa dificuldade.