Após a impressionante vitória do Flamengo sobre o Vitória por 8 a 0, na última segunda-feira (25), a frase de Neto ressoou entre os amantes do futebol: "Se Corinthians, Santos, São Paulo, Internacional, Grêmio e os 18 times do país não prestarem atenção, o Flamengo vai ser o Bayern". Essa declaração acendeu um debate sobre a disparidade financeira e técnica no futebol brasileiro, levantando a questão: seria possível o Flamengo se tornar um Bayern de Munique no Brasil? Ou, como sugerido por Neto, estamos diante de uma utopia de 'espanholização', onde Flamengo e Palmeiras dominariam o cenário nacional como Barcelona e Real Madrid fazem na Espanha?
O Cenário Atual do Futebol Brasileiro
Desde 2018, Flamengo e Palmeiras têm se destacado, acumulando títulos tanto no Brasil quanto no continente. O Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro em 2019 e 2020, a CONMEBOL Libertadores em 2019 e 2022, e a Copa do Brasil em 2022 e 2024. Por sua vez, o Palmeiras levantou os mesmos troféus, mas em sequências diferentes: Brasileirão em 2018, 2022 e 2023, Libertadores em 2020 e 2021, e Copa do Brasil em 2020. Essa superioridade das duas equipes tem gerado questionamentos sobre o futuro do futebol brasileiro e a possibilidade de um domínio semelhante ao europeu.
Opiniões de Especialistas
Para entender melhor essa dinâmica, especialistas foram consultados. André Donke, por exemplo, acredita que "o domínio do Bayern na Alemanha e do Real Madrid e Barcelona na Espanha reflete uma realidade longeva que difere do Brasil". Ele ressalta que, com a recente chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e um histórico de equilíbrio no futebol brasileiro, é difícil imaginar um cenário semelhante ao da Europa. Donke acredita que Flamengo e Palmeiras continuarão a brilhar, mas não em um nível comparável ao dos gigantes europeus, especialmente devido ao calendário apertado que dificulta a conquista de múltiplos títulos em um único ano.
Por outro lado, Jailson Vilas Boas vê a possibilidade de uma 'espanholização'. Ele recorda que, em 2013, Alexandre Kalil já havia previsto que, se o Flamengo se organizasse financeiramente, poderia dominar o futebol brasileiro. Vilas Boas destaca que a organização financeira é crucial para os clubes, especialmente com a nova realidade das SAFs. Ele menciona a evolução do Flamengo e do Palmeiras, que, através de investimentos em suas bases e estruturas, têm se destacado nos últimos anos.
Pedro Ivo Almeida, no entanto, é mais cético. Ele afirma que "não vejo chance disso acontecer. Ao menos não por enquanto". Almeida argumenta que a oscilação frequente do futebol brasileiro e a pressão por resultados imediatos dificultam a consolidação de um domínio. Ele observa que, embora Flamengo e Palmeiras estejam em alta, o futebol brasileiro é imprevisível, e clubes como Atlético-MG e Botafogo já mostraram que investimentos pontuais podem desbancar projetos mais sólidos.
Por fim, Vitor Birner destaca que, em termos de capacidade de contratação, o Flamengo já é o Bayern de Munique da América do Sul. Ele acredita que, se bem administrado, o Flamengo terá uma vantagem competitiva significativa. Contudo, ele também aponta que a realidade do futebol brasileiro, com sua vasta produção de talentos, impede que a diferença entre os elencos seja tão acentuada quanto na Espanha. Para Birner, o Corinthians, se conseguir se reerguer financeiramente, pode também entrar nessa disputa, mas o caminho é longo.
Conclusão: Um Futuro Incerto
O debate sobre a 'espanholização' do futebol brasileiro e a ascensão do Flamengo como um possível Bayern de Munique é complexo e multifacetado. Enquanto Flamengo e Palmeiras continuam a brilhar, a realidade do futebol nacional, marcada por oscilações e a necessidade de organização financeira, sugere que o caminho para um domínio absoluto ainda é incerto. A história do futebol brasileiro, rica em surpresas, nos ensina que, no final das contas, o jogo é jogado dentro de campo, e o futuro é sempre uma incógnita.