O Flamengo divulgou neste sábado uma entrevista com o presidente Rodolfo Landim, gravada pela TV oficial do clube, para abordar assuntos relacionados ao incêndio do Ninho do Urubu. O acidente, que resultou na morte de dez jovens da base rubro-negra, completa um ano na próxima sexta-feira, 8 de fevereiro.

Ao lado do vice-presidente geral e jurídico Rodrigo Dunshee e do CEO Reinaldo Belotti, o mandatário disse que não há prazo para pagar as famílias das vítimas, pois, segundo ele, o acordo não depende somente da vontade do Flamengo. O clube também não pretende rever os valores já ofertados.

"O clube esteve sempre aberto a negociação, mas, depois de muito discutir internamente, nós estabelecemos um teto. Estamos dispostos a dentro desse teto discutirmos com as famílias, tentarmos adaptar a cada necessidade específica de família, uma forma de atendê-los dentro daquele teto estabelecido pelo clube", explicou o presidente, que negou que o Flamengo tenha se recusado a pagar as indenizações.

"Isso é mais uma mentira. É uma picuinha de adversários ou de parte da mídia. O Flamengo fez uma oferta de pagamento altíssima. E essa oferta está à disposição de quem queira fazer o acordo. Não há nenhuma ordem judicial para que o Flamengo pague nenhum valor nesse momento. O único valor que o Flamengo tem que pagar são os R$ 10 mil por mês, e estamos pagando. Então, algumas pessoas olham a questão sob o aspecto do copo vazio. Quando se tem de olhar o comportamento do Flamengo nesses 11 meses por outro ângulo. O Flamengo se colocou totalmente à disposição das famílias, o Flamengo ofereceu valores bem altos comparados ao que se paga no Brasil, o Flamengo está à disposição para fazer esses pagamentos no dia seguinte que as famílias quiserem, o Flamengo não está se recusando a fazer os acordos".

O Flamengo já fez acordo com as famílias de três garotos (Athila Paixão, Gedson Santos e Vitor Isaías). Também acertou com o pai de Rykelmo Viana, mas a mãe foi contra e entrou na Justiça para reaver o valor.

Sobre prazo para acertar a indenização das seis famílias restantes, Rodolfo Landim evitou falar em tempo.

"Impossível dizer. A gente pode dizer que está aberto para que esses acordos venham a ocorrer. É muito difícil, porque isso depende não só do Flamengo. Depende das famílias e do tempo delas. Muito difícil estabelecer um prazo. A gente vai estar sempre aberto para fazer esse tipo de acordo", afirmou o presidente.

Além dos acordos com as famílias das vítimas, o Flamengo garante ter feito outros 20 pagamentos, com sobreviventes e os que se lesionaram no acidente. Os cartolas também disseram que não existe relação entre o lucro com vendas de jogadores e títulos conquistados e a falta de pagamento às famílias.

"São processos totalmente distintos. Um são os danos que a gente causou às famílias, e outro é o resultado econômico do clube. Então, por exemplo, se o clube tivesse tido um resultado esportivo ruim, um resultado financeiro ruim e tivesse dado prejuízo, por acaso, o clube não teria mais responsabilidade para pagar essas famílias? Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, totalmente diferente. É importante dissociar as coisas", disse Landim.