Final da Copa do Brasil é novo tira-teima entre técnicos brasileiros e estrangeiros; veja número de títulos

No comando dos clubes com as duas maiores torcidas do país, Dorival Júnior e Vítor Pereira fazem da final da Copa do Brasil entre Flamengo e Corinthians, que se inicia hoje, às 21h45, uma espécie de tira-teima entre técnicos brasileiros e estrangeiros nos principais torneios do continente.

Enquanto o treinador português tenta ampliar a supremacia iniciada por Jorge Jesus em 2019 e consolidada por Abel Ferreira a partir de 2020, Dorival ressurge como solução caseira no Flamengo — depois do fracasso de Domènec Torrent e Paulo Sousa — para confirmar uma reação nacional iniciada no ano passado, capitaneada por Cuca no Atlético-MG.

Com Flamengo e Athletico na final da Libertadores, em que Dorival duelará com Luiz Felipe Scolari, os brasileiros chegam a sete títulos contra oito dos gringos nos últimos quatro anos, e os dois grupos podem ter mais duas conquistas, a depender do resultado da Copa do Brasil em questão, e também do Brasileirão, que ainda tem o Internacional de Mano Menezes na briga.

A presença de Vítor Pereira no mata-mata e dele e do conterrâneo Abel Ferreira com o Palmeiras nos pontos corridos do Brasileirão deixa os estrangeiros como favoritos para manter a dianteira, mas essa distância já foi bem maior.

Método

Independentemente da nacionalidade, os trabalhos de Dorival Júnior e Vítor Pereira se assemelham em métodos de gestão de elenco para que os clubes possam disputar mais de uma competição ao longo da temporada. Com um grupo mais qualificado em quantidade, o Flamengo alternou titulares e reservas e colhe o preço de chegar a uma decisão de mata-mata invicto e sem nenhum atleta machucado. O Corinthians buscou o mesmo caminho, mesmo tendo sido eliminado na Libertadores.

— Se eu mantiver nos jogos que faltam até lá a equipe teoricamente titular, eles vão chegar mortos. Vão chegar sem capacidade de responder no jogo contra o Flamengo — avisou Vítor Pereira sobre a final. — As pessoas têm que saber que a gestão (poupar) é algo obrigatório — afirmou o treinador, que tem 55 jogos desde fevereiro pelo Corinthians, com 23 vitórias, 17 empates e 15 derrotas.

Vítor Pereira teve que passar por um certo desgaste ao expor que alguns jogadores não estavam em suas melhores condições. Com os resultados debaixo do braço, impôs seus métodos e contou com a recuperação de alguns atletas e a chegada de outros, como o atacante Yuri Alberto. Tudo isso sem deixar de utilizar alguns garotos da base, como os atacantes Giovane, Felipe Augusto e Wesley.

Dorival sabe que o colega pensa como ele e adota estratégia semelhante, mesmo com cobranças sobre a não utilização de força máxima no Brasileiro. Desde junho, o técnico prioriza as Copas, e não quer repetir 2021, quando o Flamengo chegou à decisão da Libertadores com a equipe desgastada e perdeu para o Palmeiras. O treinador tem 33 jogos pelo rubro-negro, com 22 vitórias, cinco empates e seis derrotas.

Ao alternar o elenco, o técnico deu minutagem a titulares e reservas, consolidou uma forma de jogar e conseguiu também lançar jovens como Matheus França e Victor Hugo. A gestão mais paternalista e integrada aos líderes marca o trabalho de Dorival no Flamengo.

Ambos os treinadores têm contratos apenas até o fim do ano, e um 2023 ainda incerto nos clubes, o que certamente dependerá do resultado das finais em jogo.

Fonte: Extra