Diego Alves rebate: "Ano passado diziam que Flamengo não tinha vontade, agora que está pilhado"

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Eleito o melhor jogador do Flamengo na estreia na Libertadores, Diego Alves vai reencontrar nesta quinta-feira o San José, time boliviano que lhe deu muito trabalho na vitória por 1 a 0 em Oruro. Agora será no Maracanã, só que com grau de pressão ainda maior devido à necessidade de vencer após o tropeço em casa para o Peñarol, do Uruguai, em um jogo onde perdeu Gabigol por expulsão. Mas o goleiro fez um desabafo na entrevista coletiva desta quarta, no Ninho do Urubu, ao ser questionado se o estádio cheio deixa o time "pilhado":

– Momento agora é falar pilhado. Se perguntar se gosto de jogar com estádio cheio ou vazio, claro que cheio é melhor. Mas somos nós em campo que temos controle das ações do jogo. Ano passado jogamos o Brasileiro com Maracanã lotado, estamos acostumados. Não são todos os jogos que vamos ganhar, mas esse controle temos que ter e sabemos disso. Em alguns jogos passou um pouquinho o excesso de vontade, mas lembrar que ano passado diziam que o time não tinha vontade, agora dizem que está pilhado. Diziam que o time não corria, não ia nas divididas, hoje faz isso e somos cobrados por entrar pilhados – rebateu Diego Alves, completando:

– Acho que vamos ser julgados e criticados por tudo que fizermos. Se baixar um pouquinho, vão falar que não podia baixar a intensidade. Claro, que é ter cuidado de não ser expulso, terminar com 11 é importante. Jogadores têm consciência do que aconteceu e tentar minimizar o máximo possível para não acontecer de novo. Com o Peñarol foi um dia que as coisas não aconteceram. Quem não quer jogar no Maracanã lotado uma Libertadores com a camisa do Flamengo? O que acontece em campo depende de nós e das nossas ações. Essa referência de estádio lotado e pilhado depende do ponto de vista. Nós nos sentimos bem jogando com a nossa torcida.

Diego Alves tem sido um dos destaques do Flamengo na Libertadores — Foto: André Durão/GloboEsporte.com

Diego Alves tem sido um dos destaques do Flamengo na Libertadores — Foto: André Durão/GloboEsporte.com

Confira outros trechos da coletiva:

REENCONTRO COM SAN JOSÉ
– Espero que seja diferente. Lá a altitude atrapalhou bastante. Acredito que seja um jogo diferente, espero que seja com um pouco mais de tranquilidade (risos). Final não é porque tem mais jogos pela frente, mas é uma partida fundamental para conseguir a classificação. A gente conseguiu uma vitória importante na Bolívia e depois 3 pontos em casa contra a LDU. Infelizmente contra o Peñarol não conseguimos, mas sabíamos que seria difícil por se ratar de Libertadores e os times da nossa chave. Agora é um jogo de extrema importância, com certeza a vitoria é o pensamento de todos.

VITÓRIA DO PEÑAROL SOBRE A LDU
– Resultado vai passar pelo que fizermos com o San José. Assisti ao jogo do Peñarol, sim, até para saber como joga em casa. Eles conquistaram os três pontos que eram importantes para eles. Vamos fazer nosso papel em casa para buscar nosso objetivo.

BOM MOMENTO NO GOL
– Estamos ali para isso, os goleiros estão sempre bem preparados para poder ajudar o time na hora que precisar. Temos ótimos profissionais no clube, tanto o Wagner quanto o Nielsen (preparadores de goleiros) são excelentes, vêm demonstrando desde o começo do ano, deixando a gente bem preparado. Não só eu, como César, Gabriel (Batista), se o Thiago tivesse chance de jogar iria corresponder também. Nossa função é ajudar, lógico que às vezes não sai da maneira que queremos, mas a gente fica feliz em corresponder com nossa parte.

BLINDAR EXPECTATIVA DA TORCIDA
– É o pensamento que não pode acontecer. Se todos pensam que vai ser fácil, que o Flamengo vai passar o carro como você falou, mas temos um adversário preparado, teve troca de técnico, e jogo de Libertadores nunca é fácil. Não podemos nos deixar levar pela emoção e vontade da parte externa, temos que ser cautelosos nesse sentido. Saber da nossa responsabilidade. Somos nós que temos que buscar o resultado com muita cautela, muito respeito.

SUBSTITUTO DE GABIGOL?
– Não sei (risos). O Abel deve ter na cabeça, está esperando resposta do departamento médico para saber com quem pode contar ou não. Mas independentemente do jogador, quem estiver dentro de campo já sabe a função que tem que ser feita. Como em outras oportunidades em que não tivemos jogadores que vinham jogando e quem entrou correspondeu. Não é algo que preocupe. Os 11 que estiverem em campo e quem estiver fora estarão preparados para tudo.

GOLS SOFRIDOS DE BOLA AÉREA
– Hoje a bola parada é uma das jogadas mais importantes e trabalhadas por todos os times. Por mais que a gente tenha recebido gols de bola aérea, se olhar bem as jogadas foram em contra-ataques. Contra o Fluminense o jogador abaixou para cabecear. Contra o Peñarol, foi um deslize pela falta de um jogador. Lógico, não vou considerar normal, tomar gol não é normal, mas pode acontecer e também pode ser corrigido. A gente já está corrigindo, mas não vejo como fator para ter obsessão.

PRESSÃO EXCESSIVA SOBRE O TIME?
– Acho que é normal por ser Flamengo, essa pressão sempre vai existir, é o maior clube do Brasil, que dá mais repercussão, mais debate, mais ibope. Temos que aceitar, mexe com a emoção de todo mundo. Coisa pequena aqui se transforma em uma avalanche. Não tem como controlar porque é de fora para dentro. Jogadores aqui fazem parte desse projeto e sabem que é dessa grandeza, estamos preparados para encarar tudo que tem pela frente. Isso é Flamengo, jogador que não quiser pressão procura outro lugar, outro esporte.

Fonte: Globo Esporte