Diego Alves: Da chegada de olho na seleção à confusão por virar reserva no Flamengo

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Ele chegou como solução para uma posição carente, que fazia o torcedor rubro-negro sofrer. Os anos de experiência na Europa, a passagem na seleção brasileira e até o desempenho nos pênaltis faziam o torcedor almejar vida longa para Diego Alves na meta do Flamengo.  O roteiro da passagem de goleiro, no entanto, pode ser interrompido de forma abrupta, dependendo do desfecho da reunião desta terça-feira, entre a diretoria do Flamengo e o representante do jogador, Eduardo Maluf. Se chegou ao clube pensando em ganhar visibilidade para disputar a Copa do Mundo de 2018, Diego Alves corre o risco de deixar o Flamengo após a insubordinação por não ter aceitado a perda de posição para César.

Na apresentação, em julho de 2017, Diego Alves foi tratado como "sonho de consumo" pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello. Com o processo de renovação no Valencia, onde jogou por seis temporadas, o goleiro assinou um contrato até o fim de 2020 que deu a ele uma perspectiva de continuidade.

O Flamengo sofria com as falhas seguidas de Alex Muralha, que psicologicamente não mostrava capacidade de reação, embora tenha sido convocado pelo técnico Tite meses antes. No Brasileirão, Diego Alves jogou um turno inteiro - 19 partidas. Levou certo tempo para entrar em forma, mas o time também não ajudava. Foram altos e baixos em termos de resultados, com o Flamengo terminando em sexto.

Por uma questão de prazo, Diego Alves não pôde ser inscrito na Copa do Brasil e sua falta foi muito sentida na final, já que o jovem Thiago falhou no jogo de ida e Muralha, sem dar segurança, não passou perto de pegar um pênalti sequer no jogo de volta. O Cruzeiro ficou com a taça.

Na Sul-Americana, a campanha era promissora. No entanto, o goleiro não pôde disputar a final contra o Independiente porque sofreu uma lesão na clavícula que o tirou de combate por três meses. Assim, a pré-temporada de 2018 também foi prejudicada e a instabilidade do time fez com que ele nem sequer fosse mais cogitado na seleção com Tite.

Foram só dois jogos pelo Carioca antes da estreia na Libertadores, por exemplo, jogo no qual o Flamengo empatou com o River Plate por 2 a 2. No segundo gol dos argentinos, Diego Alves alcançou a bola, mas não conseguiu impedir que ela entrasse. Uma bola que ele recusou-se a aceitar como uma falha.

No início do Brasileirão, Diego Alves ficou em xeque com parte da torcida. Mas por uma razão fora de campo. Era um contexto conturbado para o Flamengo, com eliminação no Carioca e risco na primeira fase da Libertadores. Integrantes de organizadas fizeram um protesto ostensivo no aeroporto. Cenas de selvageria. Mas a resposta do goleiro também não colaborou: arremessou um copo de café na direção dos rubro-negros. Como o time engrenou bons resultados na Série A e avançou na competição continental, as coisas ficaram mais calmas.

A pausa da Copa do Mundo abalou as estruturas do Flamengo, que viu a liderança do Brasileiro mudar de mãos. Contra o Ceará, por exemplo, Diego Alves aceitou um chute de longa distância, no qual a bola quicou antes de entrar e decretar a derrota rubro-negra em pleno Maracanã. Em agosto, ruiu também o sonho da Libertadores. Em setembro, o objetivo de vencer a Copa do Brasil desmoronou.

No jogo que marcou a despedida do Fla da competição nacional, Diego Alves sentiu um problema muscular na coxa esquerda, mas ficou em campo. O time foi eliminado com um chute de fora da área dado por Pedrinho. Diego Alves foi para o departamento médico, Maurício Barbieri foi demitido e César - que em 2017 também o substituíra na Sul-Americana, pegando pênalti e tudo - assumir o posto de titular.

A situação parecia temporária até o último sábado. Com Dorival Júnior no comando e César no gol, o Flamengo engrenou três jogos sem tomar gol. Respaldado pelo preparador de goleiros Rogério Maia, Diego Alves ouviu que não seria titular contra o Paraná. Em uma atitude muito mal digerida por jogadores e comissão técnica, recusou-se a viajar a Curitiba. De longe, viu a goleada do Fla, que mantém o sonho de título brasileiro ainda vivo.

Se Diego Alves ficará no clube até o final dessa história é o que não se sabe. Por isso a reunião desta terça-feira vai acontecer. Uma punição é muito provável, independentemente de pedido de desculpas ou não. Mas o fato inegável é a possibilidade de que o "sonho de consumo" acabe em forma de pesadelo.

Fonte: O Globo