Como Bandeira foi de "melhor presidente" a rejeitado em gestão no Fla

Júlio César Guimarães/ UOL
Eduardo Bandeira de Mello vive os últimos momentos no comando do Flamengo

A eleição do próximo sábado (8) será uma das últimas aparições de Eduardo Bandeira de Mello como presidente do Flamengo. O eleito para o triênio 2019-2020-2021 tomará posse ainda em dezembro, quando o mandatário deixará o cargo. O prestígio dos melhores momentos ficou para trás. Os últimos dias são tumultuados. Se ainda recebe elogios, principalmente, do lado de fora da Gávea. Nos corredores do clube, o presidente encara rejeição de grupos políticos.

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Bandeira teve participação direta na reestruturação econômica e administrativa do Flamengo. Pela revolução promovida no clube - iniciada em 2012 com a eleição da Chapa Azul -, ele foi aclamado em inúmeras oportunidades como o "melhor presidente" por torcida, parte da crítica e até rivais.

No início, tudo era festa. Aos poucos, no entanto, o grupo se desfez. Hoje, muitos dos arquitetos da recuperação do clube estão ao lado de Rodolfo Landim na chapa de oposição. E tudo, segundo eles, pelo fato de o mandatário ter contrariado acordos e decidido tomar as próprias decisões, o que ele nega. Independentemente disso, o fato é que Bandeira se transformou na imagem da recuperação do Flamengo e comemorou a reeleição em 2015.

"A gestão financeira foi extraordinária. O Flamengo avançou em todas as áreas. Reduziu a dívida e triplicou as receitas. Não tem como não reconhecer esse trabalho. Foi considerada a melhor gestão esportiva de clubes no Brasil. Eu não votei nele na última eleição e sempre fiz críticas construtivas em relação ao futebol. Mas o fato é que o Flamengo construiu a sua matriz econômica. Isso é muito relevante. Acharam que ele seria um boneco, mas o Bandeira não foi isso. Descobriu que pode fazer o trabalho. Eu defendo a unidade do Flamengo. O ideal seria que essa rivalidade não existisse", afirmou o presidente do Conselho dos Grandes-Beneméritos e vice na chapa da situação, Walter Oaquim.

O problema é que nos corredores da Gávea a mudança de comportamento de Bandeira ficou conhecida em atitudes do dia a dia durante o segundo mandato. Os desafetos dizem que ele se "encostou" no futebol para um projeto pessoal. Caso o time conquistasse títulos relevantes, seria simples eleger o sucessor no Rubro-negro e também se transformar em Deputado Federal. Ele perdeu a eleição para o cargo desejado e as críticas só aumentaram, já que a "bola não entrou" nos campeonatos disputados.

"O Bandeira é do tipo que se ficasse calado seria das pessoas mais famosas do Flamengo. Toda vez que ele falou ou agiu, deu errado. Ele é um erro. Começou com uma simpatia generalizada, mas todos que o cercavam se afastaram aos poucos. Perceberam que ele não era tudo isso. No campo político, ultimamente, ele é o maior cabo eleitoral da oposição. O futebol é a prova disso. Investiu milhões e não foi campeão de nada. Além de incompetente, ele é pé frio. O desastre é o Bandeira. Ele sai mal do Flamengo", comentou o ex-presidente e apoiador de Rodolfo Landim na eleição, Márcio Braga.

A rejeição era vista dia após dia nas arquibancadas. Antes exaltado, o mandatário passou a ser o alvo principal da revolta da torcida em 2018. E não aguentou a pressão, devolvendo xingamentos e se envolvendo em polêmicas discussões.

Bandeira de Mello se defende

A reportagem doUOL Esporte entrou em contato com Eduardo Bandeira de Mello para que falasse sobre o fato de ainda receber elogios pela administração fora da Gávea e, ao mesmo tempo, dentro do clube, enfrentar tamanha resistência.

"Acho que a situação pode ser vista por outra ótica. Sou elogiado fora do clube e também dentro do clube, com exceção dos meus adversários políticos, o que é comum num processo eleitoral de um clube cada vez mais poderoso economicamente", respondeu.

Questionado sobre uma mudança de comportamento em razão do status por ocupar a presidência do Flamengo, Bandeira rebateu.

"A análise é dos meus adversários. O feedback que tenho da maioria das pessoas é extremamente positivo. Segundo elas, quem mudou, para melhor, foi o Flamengo. A administração sempre foi compartilhada com o excelente grupo que me acompanhou ao longo desses seis anos. Com o tempo, alguns poucos preferiram seguir outro rumo. Mas a maioria continuou unida e tivemos ainda a adesão de outros rubro-negros que se revelaram excepcionais companheiros", disse.

Por fim, Eduardo Bandeira de Mello falou sobre as críticas e deixou claro que se despedirá em paz após dois mandatos na cadeira presidencial da Gávea.

"Muitas críticas são sinceras e construtivas. Outras são oportunistas e decorrentes do processo eleitoral. É evidente que erros foram cometidos, o que é natural e eles servirão sempre como input para correções de rumo. Mas tenho a consciência absolutamente tranquila de que fiz o melhor que pude, sempre levando em consideração os mais elevados interesses do Flamengo", encerrou.

No próximo sábado, o atual vice de futebol, Ricardo Lomba, e o ex-integrante do grupo de Bandeira Rodolfo Landim disputam quem será o próximo a ocupar a cadeira principal do Flamengo. Os também candidatos José Carlos Peruano e Marcelo Vargas completam a disputa.

Fonte: Uol

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