Com dilema sobre Vinicius Junior, Fla chega inteiro para decisão

Não haverá mais oportunidades como a final da Copa Sul-Americana para o Flamengo desfrutar do talento e do poder de decisão de Vinícius Júnior. No entanto, a jóia de 17 anos, vendida ao Real Madrid, se transformou neste fim de temporada na única arma do técnico Reinaldo Rueda para mudar os jogos da equipe.

Com as ausências de Guerrero, Berrío e Everton, o ataque ganhou a juventude de Vizeu e Paquetá, e Vinícius se transformou em jogador de segundo tempo. Tanto que atuou em mais partidas que os companheiros de pouca idade, mas esteve menos minutos em campo. A questão agora é: quantos minutos ele deve jogar na final no Maracanã?

Com o placar de 2 a 1 na Argentina para o Independiente, a esperança do jogador e de muitas vozes no clube é que Rueda entenda que o Flamengo já está perdendo e precisa reverter. O treinador normalmente alega que Vinicius entra para dar mais profundidade à equipe, situação comum de fim de jogo.

A tese de que Vinicius Junior não aguentaria jogar 90 minutos, cena que viveu com Rueda apenas duas vezes, não é bem digerida. Na prática, o velocista pode estar em campo o jogo todo, mas precisa dosar a energia. Por característica, o jogador se movimenta muito e se desgasta nas arrancadas no mano a mano. Peca na marcação.

Fato é que com o talento do jogador em campo o Flamengo foi mais incisivo nas últimas partidas. Normalmente, Vinicius entra com o time perdendo ou precisando da vitória. Foi assim na maioria de seus 43 jogos em 2017. E será assim na final no Maracanã. A questão é quantos minutos ele jogará.

O cansaço não vai ser desculpa para o Flamengo na final da Sul-Americana. Apesar de alcançar a marca de 84 jogos no ano, o trabalho preventivo com o elenco fez a equipe que enfrentou o Independiente na Argentina chegar ao último desafio da temporada com média de 49 partidas, sem muitas lesões.

Apenas Everton chegou ao jogo decisivo sem plenas condições físicas por questões musculares. No mais, a equipe está inteira. A maratona recente, entre a semifinal da Copa Sul-Americana, na Colômbia, a rodada final do Brasileiro, na Bahia, e a primeira partida decisiva na Argentina foi a prova.

De volta, de folga após um mês, o trabalho se reinicia hoje com o descanso como prioridade. Os casos mais relevantes são do volante Willian Arão e do lateral direito Pará, os dois que mais jogaram no ano, com mais de sessenta partidas. O zagueiro Réver e o meia Diego, com mais de cinquenta, também inspiram cuidados. O mesmo vale para Everton. O time da final tem média de 78 minutos por jogo, sem contar o goleiro César.

Fonte: O Globo