Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, fez críticas à recuperação judicial solicitada pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo durante um evento do Comitê Brasileiro de Clubes. Ele questionou o aumento da dívida do clube rival, que saltou de 700 milhões para 2,5 bilhões de reais desde a constituição da SAF, e defendeu a necessidade de revisão do modelo de SAF no Brasil.
Bap destacou que, ao solicitar a recuperação judicial, o Botafogo não apenas deixou de cobrir a dívida anterior, mas também contraiu mais de 1 bilhão em novas dívidas. "Entendo que o modelo da SAF no Brasil precisa ser revisto. Nesse caso específico (Botafogo), quando esta SAF foi constituída, a dívida era da ordem de 700 milhões de reais, salvo engano. Hoje, pelo que se lê, a dívida é três vezes e meia esse valor. E você pede uma recuperação judicial, onde está inclusa a primeira parte da dívida em que em tese você entrou como solução para cobri-la. Você não cobriu a dívida antiga e fez mais 1 bilhão e tanto de dívida, e agora tem um pacote único de reformulação", afirmou.
O presidente do Flamengo também fez uma comparação com a tributação de associações sem fins lucrativos, afirmando que isso levanta questões sobre a gestão financeira. "Tem que aprender com isso. SAF é um mecanismo importante, mas tem que ter limites, obrigações. Não pode simplesmente dar crédito pra quem vai colocar dinheiro no clube e não cumprir com nada e sair ileso nisso", comentou Bap.
Ele citou exemplos positivos de SAFs que estão cumprindo seus compromissos, como Red Bull e Bahia, e ressaltou que é necessário aprender com experiências negativas, como a do Botafogo. "Esse exemplo (Botafogo) não é o que pode encampar a maioria. Mas temos que aprender que o dinheiro que vem para ajudar e cumprir os compromissos é bem-vindo, o que não é tem que ser punido de maneira severa. Não pode criar mecanismos que possibilitem esse tipo de situação", concluiu Bap.