Estava escrito há muitas rodadas, mas apenas na noite desta quarta-feira se tornou oficial: o Corinthians é o campeão brasileiro de 2017. Com a taça fora do jogo, os times cariocas, que por muito tempo foram coadjuvantes do Nacional, preparam-se agora para a disputa mais interessante desta reta final. Com três rodadas e meia pela frente (a 35ª se completa na noite desta quinta-feira), Botafogo, Flamengo e Vasco têm a missão de assegurar uma vaga na Libertadores de 2018.
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Não parece provável que qualquer um deles alcance o Santos, hoje com 56 pontos e na 4ª posição, a última que confere vaga direta para a fase de grupos do torneio continental. O Alvinegro, em 6º, tem 51 pontos, e o Rubro-negro e o Cruz-maltino, nas posições seguintes, 50. Portanto, os rivais cariocas têm como meta real terminar no G-7 e, assim, encarar a chamada pré-Libertadores, uma etapa traiçoeira, que vitimou o Corinthians, em 2011, diante do modesto Tolima da Colômbia.
Nenhum dos três times vive grande fase, mas o Vasco — que empatou (1 a 1) com o Atlético-MG na quarta-feira — passa pelo melhor momento, afinal, não perde há 11 rodadas. Por outro lado, custa a vencer. São sete empates nesta sequência e a frustração de ter desperdiçado algumas oportunidades de ultrapassar o rival rubro-negro. Em meio à crise política desde a conturbada eleição do último dia 7, o Cruz-maltino precisa bloquear interferências externas e acreditar que é possível fechar esse tranquilo Brasileiro — pós-retorno da Série B — com chave de ouro.
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O Botafogo perdeu parte do gás que exibia quando ainda desbravava a América numa heroica campanha na Libertadores. Hoje, é capaz de vencer o Sport na escorregadia Ilha do Retiro e perder em casa para do modesto Atlético-PR. Recuperar um pouco daquela energia é fundamental. Nesta quinta, uma vitória contra o lanterna Atlético-GO é imperativa. Nas últimas três rodadas, nenhum jogo será fácil: São Paulo (fora), Palmeiras (fora) e Cruzeiro (em casa) são os adversários.
O Flamengo está na posição mais desconfortável — nesta quinta, pega o Coritiba, no Paraná. Diferentemente dos rivais de orçamento modesto, investiu pesado para conquistar títulos de expressão na temporada. Ainda não o fez, e ficar fora da Libertadores seria um trauma gravíssimo para uma gestão que vive sob pressão. Por outro lado, pode pegar um atalho para a fase de grupos. Para isso, precisará conquistar a Copa Sul-Americana: daqui a uma semana, começa a semifinal contra o Junior Barranquilla, da Colômbia. Na decisão, outra eventual pedreira: Independiente (Argentina) ou Libertad (Paraguai).
A exceção, neste momento, é o Fluminense. Com apenas 43 pontos e em evidente declínio, o Tricolor precisa ainda confirmar que disputará a Série A na próxima temporada. Não deveria ser difícil, já que agora pega Ponte Preta (casa), Sport (casa) e Atlético-GO (fora).
A conta pode ficar mais fácil para todos eles. Se o Grêmio for campeão da Libertadores — está na final contra o Lanús, da Argentina —, uma vaga extra irá se abrir. Em caso de título do Flamengo na Sul-Americana, mais uma posição estará em jogo. Por isso, é hora do sprint final. Se foram coadjuvantes por 30 e tantas rodadas, é a vez de os cariocas assumirem o protagonismo do Campeonato Brasileiro.