O Campeonato Brasileiro passou da metade. Restam 18 rodadas para o fim da competição, e algumas histórias serão especialmente curiosas de se acompanhar ao longo desta reta final de competição.
- O aproveitamento do Corinthians
Com os 47 pontos que somou no primeiro turno, o time de Fábio Carille chegou à metade do campeonato com aproveitamento de 82,5%. Até hoje, na fase dos pontos corridos, o campeão do Brasileiro que teve melhor desempenho foi o Cruzeiro de 2003, que conquistou 100 dos 138 pontos que disputou naquele ano -- foram 46 rodadas, já que a competição reunia 24 clubes -- e registrou aproveitamento de 72,5%.
Para superar isso, o Corinthians precisaria terminar o campeonato com pelo menos 83 pontos. Ou seja: mais 36 pontos (ou 12 vitórias) seriam necessários nas 19 rodadas restantes. Um a mais do que o Santos, terceiro colocado, conquistou no primeiro turno.
- Artilharia inédita
Nunca um jogador do Corinthians terminou o Brasileiro como goleador máximo. Em 1998, Marcelinho Carioca passou perto ao balançar as redes 19 vezes, duas a menos do que Viola (Santos). E em 2005, Carlitos Tevez marcou 20 gols, um a menos que Robson (Paysandu) e dois a menos que Romário (Vasco).
Além do título e do recorde de aproveitamento dos pontos corridos, o torcedor corintiano pode ver mais esse feito especial se tornar realidade na sequência do campeonato. Isso porque quem lidera a artilharia até agora é o atacante Jô, com 11 gols. Um a mais do que Henrique Dourado (Fluminense) e Lucca (Ponte Preta).
- As escolhas do Grêmio e os resultados delas
Após a derrota para o Botafogo na primeira rodada do segundo turno, Renato Gaúcho sinalizou que vai priorizar as outras competições em que a equipe continua viva neste segundo semestre. "Estamos mais próximos de ganharmos um título na Copa do Brasil e na Libertadores. Então pode ter certeza que a equipe principal vai disputar essas duas competições enquanto a gente joga o Brasileiro basicamente com a garotada", declarou.
A distância para o Corinthians, líder do Brasileiro, é de oito pontos e pode subir para 11 se o time paulista vencer seu compromisso com a Chapecoense, que foi adiado. Se Renato Gaúcho levar adiante mesmo essa ideia, uma aproximação na segunda metade do campeonato passa a ser improvável.
É uma decisão que pode ser facilmente compreendida se pelo menos um título for conquistado nos próximos meses. Mas será que isso vai mesmo significar um incômodo a menos para o Corinthians na corrida pelo título brasileiro?
- Vanderlei vai para a seleção?
Pelo o campeonato que vem fazendo com o Santos, o goleiro foi uma das ausências mais sentidas na última lista de convocados de Tite para as Eliminatórias.
Sobre a não convocação, Vanderlei disse o seguinte: "Não tenho o que reclamar de nada. Estou em um grande clube, jogando grandes campeonatos. Tenho consciência de que tenho feito o meu melhor". A declaração foi dada logo após o desempenho decisivo na vitória do Santos sobre o Atlético-PR por 1 a 0, com defesas cruciais para garantir o resultado e a vaga nas quartas de final da Libertadores.
Para os jogos da seleção contra Equador e Colômbia, Tite preferiu levar Alisson, Ederson e Cássio. Resta ainda neste ano uma convocação: para as partidas diante de Bolívia e Chile. Será curioso acompanhar se a fase inspirada do goleiro santista terá sequência mesmo e se irá convencer o treinador a chamá-lo nesta próxima oportunidade.
- Rueda no Flamengo
Campeão da Libertadores de 2016 com o Atlético Nacional, o colombiano disse que assumir o clube carioca é uma "oportunidade única" e que foi por isso que aceitou o desafio de "assumir um projeto já iniciado". Além disso, Rueda falou que está ciente da cobrança que terá por resultados imediatos.
"No futebol não há paciência, ainda mais na América do Sul. Somos muitos emotivos, ainda mais com uma equipe grande. Sabemos que precisamos entregar algo em médio prazo e estamos seguros que teremos o respaldo da diretoria e torcida. Porém, temos consciência que precisamos entregar dentro de campo para responder este apoio", comentou.
Rueda ainda pode ser campeão da Copa do Brasil e da Sul-Americana com o Flamengo. No Brasileiro, ele assume um time que vem de quatro derrotas em cinco rodadas e que estacionou nos 29 pontos. Será curioso acompanhar o tipo de impacto que o colombiano terá na equipe e as mudanças que fará.
- O campeonato do Palmeiras
Eliminado da Libertadores e da Copa do Brasil, o Palmeiras só tem o Brasileiro pela frente até o fim do ano. Após o empate com o Vasco, a distância para o topo da tabela é de 14 pontos -- com um jogo a mais do que o Corinthians.
Embora não tenha falado em jogar a toalha quando o assunto é título brasileiro, o técnico Cuca já deixou bem claro qual a grande meta do Palmeiras para o restante do campeonato. "É claro que fica um pouco de frustração por toda a expectativa que foi criada sobre nosso time, mas temos mais um turno do Brasileiro e vamos lutar para chegar na Libertadores de novo", disse.
Para ser campeão, o Palmeiras precisaria registrar uma arrancada histórica. Nesta altura do campeonato, a maior virada que já se viu até hoje foi protagonizada em 2008 pelo São Paulo, que estava 11 pontos atrás do líder após 20 rodadas e acabou conquistando o título.
- A obrigação do Atlético-MG
Depois da eliminação na Libertadores, o presidente do clube mineiro, Daniel Nepomuceno, foi bem claro sobre o que espera no decorrer do Brasileiro: a vaga na próxima edição do torneio continental.
"É obrigação, sem dúvida nenhuma. Já são cinco anos consecutivos de Libertadores. Não tem como essa equipe ficar fora do G6. Até porque acabaram as desculpas sobre não ter prazo, sobre ter jogo toda quarta e todo domingo. A gente tem que aproveitar o calendário agora, só vai ter jogo pelo Brasileiro. Apesar de tudo o que aconteceu de errado até agora, temos futebol para ficar no G-6", declarou Nepomuceno.
O primeiro passo neste sentido foi bem dado. Com a vitória no Independência sobre o Flamengo na abertura do segundo turno, o Atlético-MG chegou a 26 pontos. A distância para o Atlético-PR, sexto colocado e primeiro integrante da zona de classificação para a Libertadores, é de apenas três pontos. Não é uma margem grande.
Ajudaria muito se o time enfim deixasse de desperdiçar tantos pontos como mandante. Durante o primeiro turno, foram seis derrotas nesta condição, dois empates e duas vitórias nesta condição.
- Sport volta para Libertadores?
O clube pernambucano participou da competição continental só em duas oportunidades. A última foi em 2009, quando entrou como campeão da Copa do Brasil. A única vez que se classificou via Brasileiro aconteceu em 1988.
Nos pontos corridos, a melhor campanha do Sport foi em 2015, quando somou 59 pontos e terminou em quinto lugar, mas sem a vaga na Libertadores porque só os quatro primeiros se classificavam naquela oportunidade. Desta vez, após 20 rodadas, o time comandado por Vanderlei Luxemburgo é o quinto colocado com 29 pontos.
O grande desafio nesta história é que dez dos 18 jogos que ainda restam no campeonato serão feitos longe da Ilha do Retiro. Como visitante, o Sport tem até agora cinco derrotas, três vitórias e um empate.
- Até que ponto irá a reação do Atlético-PR?
As quatro vitórias consecutivas fizeram o time sair da parte de baixo da tabela para brigar por uma vaga na Libertadores. Após a goleada por 4 a 1 sobre o Bahia. o Atlético-PR chegou a 29 pontos e aparece em sexto lugar.
"Agora, as coisas têm dado certo", disse o zagueiro Thiago Heleno". "É reflexo do nosso trabalho e da confiança, com todos acreditando. Esperamos continuar assim. Teremos o segundo turno todo pela frente para buscarmos coisas grandes", completou.
- Briga por Libertadores
A diferença entre Sport, quinto colocado, e Chapecoense, 17ª, é de sete pontos. A briga está embolada e tem tudo para seguir indefinida até o fim do campeonato.
- São Paulo escapa do rebaixamento?
A vitória sobre o Cruzeiro no Morumbi deixou o time com 22 pontos e momentaneamente fora da zona de rebaixamento. Mas a pontuação é a mesma da Chapecoense, que tem uma partida a menos no campeonato.
A situação é incômoda para um clube que já viu dois dos seus grandes rivais caírem nos últimos dez anos, mas não chega a ser inédita. Em 2013, após 20 rodadas, o São Paulo tinha 21 pontos e estava em 17º lugar, dentro da zona de rebaixamento.
Quatro anos atrás, Muricy Ramalho chegou para assumir o time no meio do campeonato e o fez terminar em nono lugar, com 50 pontos. Resta saber como será a história com Dorival Júnior agora.
- Vasco sem casa
Desde que perdeu o mando de campo, por causa de uma briga generalizada em São Januário em jogo contra o Flamengo, o Vasco fez quatro partidas como mandante. Foram dois empates e duas derrotas.
Esses pontos perdidos tiraram o time da parte de cima da tabela. Agora, o Vasco tem 25 pontos e se vê mais perto da zona de rebaixamento do que da zona de classificação para a Libertadores. O jeito é tentar começar uma reação fora de casa já na próxima rodada para que a situação não piore no decorrer da competição.
"O jogo contra o Bahia aumenta de importância porque precisamos recuperar os pontos que perdemos em casa e, para isso, a primeira oportunidade é realmente o confronto do próximo domingo. Vamos tentar aproveitar essa chance, mesmo sabendo que vai ser um jogo muito complicado", disse o goleiro uruguaio Martin Silva.