Desde 15 de novembro de 1895

A história do Flamengo

Três séculos, 13 capítulos e 103 taças. Da baleeira comprada de segunda mão na Praia do Flamengo até o clube que o país inteiro parou para assistir.

1895–1901

Um barco chamado Pherusa

Seis jovens, uma baleeira de segunda mão e a fundação na Praia do Flamengo.

A história do Flamengo é de muito tempo antes. Estamos falando de um clube que desde a sua existência escreveu sua história em três diferentes séculos, um clube que nasceu apenas seis anos após a proclamação da república. Contar a história do Flamengo é, sem dúvida, contar um pouco da história do país — afinal, como bem definiu o escritor Ruy Castro em "Flamengo, o vermelho e o negro", podemos dizer que "o Rio foi seu berço, mas sua casa é o Brasil". Mal sabiam aqueles que um dia sonharam a criação de um grupo de regatas o alcance desse amor pelo esporte.

Tudo começou quando alguns amigos, moradores da praia do Flamengo, decidiram pela criação de um grupo de regatas. E por que não? Afinal, não suportavam mais a presença dos remadores dos clubes já existentes até então — principalmente os rapazes do Botafogo — conquistando o coração das garotas do bairro.

Em setembro de 1895, reunidos no famoso restaurante Lamas, no Largo do Machado, como de costume, José Agostinho Pereira da Cunha convidou os demais amigos para a efetiva criação do grupo, sendo prontamente atendido por Mario Spíndola, Augusto da Silveira Lopes e Nestor de Barros.

O novo grupo tinha agora seu primeiro desafio: como conseguir um barco? Decidiram então juntar dinheiro — 400 mil réis — e investiram em uma antiga baleeira de cinco remos, que estava havia algum tempo parada em uma casa da praia do Flamengo. O segundo passo seria providenciar uma reforma completa da embarcação, que já era de segunda ou terceira mão. A levaram de bonde até a antiga praia de Maria Angu, atual praia de Ramos, para que um armador local, ao preço de 250 mil réis, a pudesse recuperar.

Seis jovens remadores fundam o grupo de regatas. Campeão o seu destino: é ganhar em terra e mar.

Cobra Coral, Papagaio Vintém · canto da torcida

Eis que em 6 de outubro a embarcação batizada pelo grupo de "Pherusa" foi lançada ao mar. Entre idas e vindas, alguns percalços e muitos problemas, os persistentes jovens se reuniram e juntaram recursos para uma nova aquisição, chamada Etoile, a qual rebatizaram com o nome de Scyra. Para concretizar de vez o sonho, marcaram para a casa de Nestor de Barros, na Praia do Flamengo número 22, no dia 17 de novembro, a reunião de fundação do Grupo.

Elegeram Domingos Marques de Azevedo como presidente, Francisco Lucci Colás como vice, Nestor de Barros como secretário e Felisberto Cardoso Laport como tesoureiro. Decidiram também que a data oficial da fundação seria 15 de novembro, devido ao feriado da Proclamação da República. As cores escolhidas foram o azul e o ouro, em listras horizontais. Depois, em 1896, as cores mudaram pela dificuldade de achar os tecidos, que vinham da Inglaterra, e porque a salinidade e o sol as desbotavam. Assim o uniforme passou a ser uma camisa listrada em vermelho e preto, com o escudo do lado esquerdo, calção preto e cinto branco.

O interessante é que o primeiro presidente do Flamengo, Domingos Marques de Azevedo, não fazia parte do grupo de rapazes que idealizaram o clube. Era um guarda-marinha que por acaso passava pelo local, observou a movimentação, foi ver do que se tratava e acabou abraçando a ideia.

1902–1911

O futebol entra na Gávea

A cisão no Fluminense leva ao nascimento do departamento de esportes terrestres.

A partir de 1902, o remo passou a dividir com o futebol a preferência popular. Os associados do Flamengo tornaram-se sócios também do Fluminense para acompanhar o futebol, e os do clube das Laranjeiras vieram para o rubro-negro a fim de acompanhar as regatas. Alberto Borgerth representava bem o exemplo: pela manhã remava pelo Flamengo e à tarde jogava pelo seu clube, o Fluminense.

Em 1911 houve a cisão no Fluminense, e muitos jogadores do tricolor vieram para o Flamengo, resolvendo em assembleia do dia 8 de novembro fundar um departamento de esportes terrestres, com Alberto Borgerth na direção. A briga entre Oswaldo Gomes e muitos dos jogadores do primeiro quadro do Fluminense foi a razão da discórdia. Originalmente pensou-se em uma simples adesão ao Botafogo, mas como o alvinegro era então o grande rival do Fluminense, a ideia foi logo descartada. Em seguida consideraram reforçar o já estabelecido Paysandu, também vetado, uma vez que o clube era composto exclusivamente de ingleses. Finalmente surgiu a ideia de Borgerth: criar uma seção de futebol no Flamengo. A proposta foi aprovada.

1934–1955

Padilha, os ídolos e os tricampeonatos

Domingos da Guia, Leônidas, Zizinho e os dois tricampeonatos cariocas.

Com a eleição do presidente José Bastos Padilha, em 1934, o Flamengo melhorou a parte social do clube, cresceu em popularidade e, em 1936, recebeu jogadores como Domingos da Guia e Leônidas da Silva, que depois seria artilheiro da Copa do Mundo de 1938. O ano de 1937 trouxe a vinda do treinador Dori Kruschner, que implantou um novo esquema de jogo, conhecido por WM, e o treino sem bola. Outra novidade foi a inclusão do segundo uniforme, para facilitar a visão dos jogadores nas partidas noturnas, já que a iluminação não era a ideal. Nesse mesmo ano aconteceu a unificação dos campeonatos cariocas com a criação da Liga de Futebol do Rio de Janeiro, e todos os clubes já tinham implantado o profissionalismo. Em 1939, depois de 12 anos de jejum, o Flamengo voltou a conquistar o Campeonato Carioca, com a equipe que serviria de base para o tricampeonato estadual da década de 40.

Em 1941 o clube disputou sua primeira competição internacional, o Torneio Hexagonal da Argentina. Em 1942 foi fundada a primeira torcida organizada do Brasil, a Charanga Rubro-Negra, e em 1944 o Flamengo conquistou seu primeiro tricampeonato carioca (1942, 1943 e 1944). O principal fato de 1946 foi a fratura de Zizinho, que desfalcou a equipe por seis meses. O mesmo Zizinho foi vendido em 1950 para o Bangu, considerado um dos piores negócios da história do clube. Em 1955 veio o segundo tricampeonato carioca.

Diamante Negro, Fio Maravilha, Domingos da Guia, Zizinho, Pavão… Gazela Negra, corre o tempo no olhar.

Cobra Coral, Papagaio Vintém · canto da torcida

1956–1969

O Rio–São Paulo e a travessia

O título interestadual de 1961, os estaduais de 63 e 65 e a rápida passagem de Garrincha.

Apesar de nesse período as conquistas do Flamengo se limitarem mais ao âmbito regional, o clube teve em seu elenco jogadores como Dida, Paulo César Caju, Gérson, Rondinelli, Horácio, Doval, Fio Maravilha, Evaristo de Macedo e Reyes, entre outros, que fortaleceram as equipes montadas pelo clube.

Em 1961 o Flamengo sagrou-se campeão do Torneio Rio–São Paulo, que na época era um título que valia muito mais do que a simples rivalidade entre paulistas e cariocas. Depois do tricampeonato carioca de 1955, o título seguinte só veio em 1963, e o posterior em 1965. No final de 1968 Garrincha foi contratado e já começou a jogar pelo Flamengo, mas a expectativa de que pudesse cumprir a temporada seguinte inteira não se confirmou: fez sua última partida pelo rubro-negro em 12 de abril de 1969, com 20 jogos e 4 gols marcados.

1970–1977

A geração que estava subindo

Zico, Júnior, Leandro e Andrade chegam ao profissional. A primeira Taça Guanabara.

O maior legado da história do clube na década de 1970 foi revelar ao mundo do futebol a equipe mais vitoriosa do Flamengo. Foi nesse período que craques como Zico, Júnior, Leandro, Andrade e outros tão importantes quanto subiram para a equipe profissional. Em 1970 o clube conquistou sua primeira Taça Guanabara. Nos primeiros cinco meses de 1971 a situação não foi nada boa: sob o comando de Yustrich, em 28 jogos, só venceu 8. Em 1972 venceu novamente a Taça Guanabara e o Campeonato Carioca; em 1973, mais um primeiro turno do estadual.

1978–1983

A era de ouro

O tri do Brasileiro, a primeira América e os três a zero no Liverpool.

Aquela geração que subia amadureceu junta, e o resultado foi o time mais vitorioso que o clube já teve. Raul no gol; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior atrás; Andrade e Adílio no meio; Tita, Nunes e Lico à frente — e Zico no centro de tudo, ditando o ritmo de um futebol que o país inteiro parava para assistir.

Os estaduais vieram em sequência: 1978, 1979 — duas vezes naquele ano, contando o torneio extra — e 1981. Mas foi no Brasileiro que o time mostrou tamanho: campeão em 1980, em 1982 e em 1983, três títulos nacionais em quatro anos, algo que nenhum clube havia feito com aquela margem de superioridade.

Em 1981 veio a América. Contra o Cobreloa, a decisão da Libertadores precisou de um terceiro jogo, em Montevidéu, e Zico resolveu. Era a primeira taça continental da história do clube, e ela abria a porta de Tóquio.

Será que você lembra, como eu lembro, o mundial que o Zico foi buscar?

Cobra Coral, Papagaio Vintém · canto da torcida

Em 13 de dezembro de 1981, no Estádio Nacional de Tóquio, o adversário era o Liverpool: bicampeão europeu, favorito absoluto, time que havia eliminado Bayern de Munique e Real Madrid no caminho. Os três gols do Flamengo saíram todos no primeiro tempo — dois de Nunes, um de Adílio —, com Zico conduzindo a partida de um jeito que os ingleses não souberam responder. Três a zero, e o mundo soube quem era o Flamengo.

Em 1983, depois do terceiro título brasileiro, Zico deixou a Gávea rumo à Udinese, na Itália. A era de ouro se fechava, mas o que aquele time construiu em cinco anos passou a ser a régua com que a torcida mediria todas as gerações seguintes.

1984–1992

O adeus do Galinho

A volta de Zico, a Copa União de 87, a despedida no Maracanã e o Brasileiro de 92.

Dois anos depois, Zico voltou ao clube e em 1986 conquistou seu último Campeonato Carioca. Naquele ano participou de poucas partidas: em 1985, numa partida do estadual contra o Bangu, fora vítima de uma entrada violenta de Márcio Nunes, e ficou muito tempo sem jogar por causa da recuperação da cirurgia. Ainda assim, na partida inaugural do estadual seguinte marcou três dos quatro gols do Flamengo na vitória por 4 a 1 sobre o Fluminense.

Em 1987 foi um dos principais responsáveis pela conquista da Copa União, o título brasileiro daquele ano. Destacam-se as vitórias nas semifinais contra o Atlético Mineiro e a final contra o Internacional, vencida com um gol de Bebeto.

Em toda a sua trajetória pelo rubro-negro, Zico marcou 568 gols, tendo sido o maior artilheiro da história do clube. Em 1990, diante de um Maracanã lotado, fez sua partida de despedida pelo Flamengo.

Mesmo sem seu grande craque, os primeiros anos da era pós-Zico foram de glória. A primeira conquista nacional em Copa do Brasil veio em 1990, na segunda edição do torneio, contra o Goiás. Entre o fim de 1990 e ao longo de 1991 o Flamengo, agora comandado por Júnior, devolveu a "quina" em cima do Vasco da Gama, com cinco vitórias seguidas, e conquistou o estadual de 1991.

O ano de 1992 foi marcado por mais um título nacional, superando o Botafogo na final do Campeonato Brasileiro: o primeiro jogo vencido pelos rubro-negros por 3 a 0 e o segundo empatado em 2 a 2. Nesse ano o grande destaque foi mais uma vez Júnior.

1993–2002

Centenário, Copa Ouro e a queda

Romário, o título internacional de 96, o tri estadual e a falência da ISL.

Após o título brasileiro de 1992, o clube entrou em uma grande crise financeira e as conquistas nacionais e internacionais tornaram-se menos frequentes. Em 1995, ano do seu centenário, o radialista Kleber Leite assumiu a presidência e contratou o atacante Romário, então o melhor jogador do mundo, que estava no Barcelona. Mesmo com Romário — que naquele ano brigava com Túlio e Renato Gaúcho pelo título de Rei do Rio — e outros craques contratados, como Edmundo e Branco, o ano do centenário rubro-negro não foi vitorioso: o Flamengo conquistou apenas a Taça Guanabara, com três gols de Romário contra o Botafogo.

Em 1996 o Flamengo conquistou de forma invicta o Campeonato Carioca e a Taça Guanabara, vencendo o Vasco no último jogo da Taça Rio e garantindo o título por antecipação. Romário foi o artilheiro do estadual, e Sávio Bortolini Pimentel, o destaque da campanha na Copa Ouro Sul-Americana, onde o rubro-negro se sagraria campeão. Foi o terceiro título internacional oficial do clube.

Em 1999 assumiu Edmundo dos Santos Silva e, com ele, veio um contrato milionário com a empresa de marketing esportivo ISL. Apesar de campanhas ruins no Campeonato Brasileiro, o Flamengo se destacava em outras competições: sagrou-se tricampeão estadual (1999, 2000 e 2001), todas as vezes em cima do Vasco, ganhou a Copa Mercosul em 1999 e a Copa dos Campeões em 2001. Nesse mesmo ano escapou do rebaixamento à Série B na última rodada e iniciou uma série de campanhas pífias no Brasileiro, quase sempre lutando contra a queda.

Em 2002 a ISL faliu por razões alheias ao contrato com o Flamengo, e o clube ficou sem seu parceiro milionário. Sem dinheiro para manter o grande time montado, começou uma péssima fase no futebol rubro-negro. No mesmo ano, Edmundo dos Santos Silva foi afastado da presidência. Sem recursos para grandes contratações, o Flamengo não conseguiu formar equipes competitivas e por pouco não foi rebaixado no Campeonato Brasileiro em 2002, 2004 e 2005.

2003–2008

De volta ao chão

As finais perdidas, a Copa do Brasil de 2006 e o estadual sobre o Botafogo.

Em 2003 e 2004 o clube ainda chegou à final da Copa do Brasil. No primeiro ano perdeu para o Cruzeiro; na segunda vez, para o Santo André.

Em 2004 o Flamengo conquistou seu 28º título estadual, em cima do rival Vasco da Gama. Já 2005 foi um dos piores anos de sua história: no Campeonato Brasileiro lutou até as últimas rodadas para escapar do rebaixamento, o que só foi conseguido após a chegada do técnico Joel Santana — em nove jogos sob seu comando, seis vitórias e três empates evitaram que o clube disputasse a Segunda Divisão em 2006.

Em 2006 chegou pela quinta vez à final da Copa do Brasil e, desta vez, conquistou o título sobre o rival Vasco. Um fato curioso foi a demissão do técnico Waldemar Lemos após a classificação da equipe para as finais da competição; em seu lugar foi contratado Ney Franco.

Em 2007, paralelamente à disputa da Libertadores, o Flamengo conquistou a Taça Guanabara, e na final do estadual contra o Botafogo sagrou-se campeão nos pênaltis. Na Libertadores foi eliminado pelo Defensor Sporting, do Uruguai, nas oitavas: perdeu por 3 a 0 em Montevidéu e venceu por 2 a 0 no jogo de volta. O Campeonato Brasileiro de 2007 prometia ser um dos piores da história do clube; durante a disputa Ney Franco foi demitido e Joel Santana foi novamente contratado. A essa altura o clube almejava apenas sair da zona de rebaixamento, mas ao final do campeonato havia conquistado vaga na Libertadores de 2008.

No primeiro turno do Campeonato Carioca de 2008 conquistou a Taça Guanabara e, na final, o Campeonato Carioca, ambos sobre o Botafogo. Na primeira fase da Libertadores terminou com a segunda melhor campanha. Nas oitavas enfrentou o América: no primeiro jogo aplicou uma goleada de 4 a 2 em pleno Estádio Azteca, mas foi eliminado na volta, perdendo por 3 a 0 no Maracanã. No Brasileiro teve um início avassalador, porém pontos preciosos perdidos em casa lhe custaram a chance do título e a classificação para a Libertadores de 2009. Com o descenso do seu maior rival à Série B, o Flamengo tornou-se o único clube carioca a nunca ter sido rebaixado no Campeonato Brasileiro.

2009–2012

O Brasileiro de 2009 e a instabilidade

O título nacional após 17 anos, o Império do Amor e os anos de troca de técnico.

Na Taça Rio de 2009 o time superou o Botafogo na final, conquistando o título e o direito à disputa do estadual. Nas finais, assim como em 2007, a decisão foi para os pênaltis. O título marcou o quinto tricampeonato estadual do clube e o deixou pela primeira vez líder absoluto em número de conquistas estaduais: 31, contra 30 do Fluminense.

Em 22 de julho de 2009 Cuca foi demitido. Com Andrade como substituto, o time embalou no Campeonato Brasileiro e, com uma grande recuperação no segundo turno, assumiu a liderança na penúltima rodada após vencer o Corinthians por 2 a 0. Em 6 de dezembro o clube precisava vencer para confirmar o título, num jogo tenso contra o Grêmio que saiu na frente no placar — mas o Flamengo virou para 2 a 1 e conquistou a taça de campeão após 17 anos.

Em 2010 o clube apostava em conquistar diversos títulos e trouxe como reforço o atacante Vágner Love. Adriano e Vágner passaram a formar uma dupla de ataque que muitos torcedores apelidaram de "Império do Amor". Na Taça Guanabara foi eliminado na semifinal pelo Botafogo; na Taça Rio voltou a perder para o Botafogo, desta vez na final. Na Libertadores classificou-se na última vaga para as oitavas e foi eliminado pela Universidad de Chile no critério do gol fora de casa. No segundo semestre o Brasileiro irregular custou os empregos de Rogério Lourenço e Silas, até a chegada de Vanderlei Luxemburgo em outubro, com a missão de afastar o time da zona de rebaixamento.

Em 2011 o clube ousou no planejamento e fechou a contratação de três meias armadores de peso: o argentino Darío Bottinelli, Thiago Neves e o astro Ronaldinho Gaúcho. O Flamengo fez campanha invicta no Campeonato Carioca e foi campeão direto, mas esse foi o único título do ano. Foi eliminado pelo Ceará na Copa do Brasil e pela Universidad de Chile na Sul-Americana. Terminou o Brasileiro em quarto lugar, classificando-se para a Libertadores de 2012. O ano também marcou a despedida de dois ídolos: Dejan Petkovic e Ronaldo Angelim.

O clube iniciou a pré-temporada de 2012 com salários atrasados, jogadores insatisfeitos e uma relação abalada entre Vanderlei Luxemburgo e o elenco, principalmente com Ronaldinho Gaúcho, que depois rescindiria seu contrato na justiça. Joel Santana foi contratado para o lugar de Luxemburgo e comandou o time nas eliminações no Carioca e na Libertadores; demitido após as derrotas para Corinthians e Cruzeiro, deu lugar a Dorival Júnior. O rubro-negro se livrou de qualquer possibilidade de rebaixamento ao vencer o Náutico no Recife e finalizou o campeonato na 11ª posição.

2013–2018

A reconstrução

Do endividamento ao equilíbrio: o novo Ninho, a volta ao Maracanã e a base do que viria.

O Flamengo entrou em 2013 com uma dívida estimada em cerca de 737 milhões de reais e a reputação de clube grande que não conseguia se organizar. A década seguinte seria, antes de tudo, um trabalho de arrumação — e o primeiro sinal de que ela dava resultado veio ainda em 2013, com a Copa do Brasil conquistada naquele ano.

A partir de 2014 tiveram início as obras de modernização do Ninho do Urubu. O novo módulo do futebol profissional foi inaugurado em dezembro de 2016, e um segundo módulo foi entregue no fim de 2018. O centro de treinamento passou a ser citado entre as melhores estruturas da América Latina, e a mudança não foi apenas de instalações: foi a decisão de tratar a estrutura como parte do projeto esportivo, e não como despesa.

No mesmo período o clube saneou passivos trabalhistas e reorganizou as contas. Em campo, os títulos foram estaduais — o Carioca de 2014, o de 2017, as Taças Guanabara de 2014 e 2018 —, insuficientes para a ambição da torcida, mas coerentes com um clube que estava construindo alicerce.

Em julho de 2018 o Flamengo encerrou sua relação com o Estádio Luso-Brasileiro, a Ilha do Urubu, e voltou a mandar seus jogos no Maracanã. Estava pronto o terreno para o que viria no ano seguinte.

2019

O ano que mudou tudo

A tragédia do Ninho, a chegada de Jorge Jesus e a virada de Lima.

Nenhum ano da história recente do clube carrega tanto quanto 2019 — e ele não começou com uma taça.

Em junho o clube contratou o técnico português Jorge Jesus, numa aposta que a princípio dividiu a torcida. O que veio depois reorganizou o futebol brasileiro: um time que atacava em bloco alto, dominava a posse e transformava o Maracanã em vantagem real.

Em 23 de novembro, no Estádio Monumental de Lima, o Flamengo enfrentou o River Plate na primeira final de Libertadores disputada em jogo único. Borré abriu o placar aos 14 minutos, e por quase toda a partida o título parecia argentino. Aos 88, Gabigol empatou. Três minutos depois, virou. Trinta e oito anos depois de Zico e do Cobreloa, a América voltava para a Gávea.

Quatro dias depois, o título brasileiro foi confirmado sem que o time precisasse entrar em campo. A campanha de 2019 terminou com a maior pontuação já feita por um campeão dos pontos corridos, e o Flamengo se tornou o segundo clube do país a levar Libertadores e Brasileiro no mesmo ano.

2020–2026

A era vencedora

Recopa, Supercopas, o tri da América com Dorival e o tetra com Filipe Luís.

O que costuma acontecer com times campeões — perder a fome no ano seguinte — não aconteceu. Em 2020 vieram a Recopa Sul-Americana, a Supercopa do Brasil, o Campeonato Carioca e mais um Campeonato Brasileiro, este decidido na última rodada. Em 2021 o clube repetiu Supercopa e Carioca e chegou de novo à final da Libertadores, dessa vez sem a taça.

Em 2022, com Dorival Júnior assumindo no meio da temporada, o Flamengo ganhou os dois mata-matas que disputou. Na final da Libertadores, em Guayaquil, bateu o Athletico Paranaense por 1 a 0 com gol de Gabigol — outra vez ele, outra vez em decisão continental. Semanas depois veio a Copa do Brasil, fechando o ano com o tri da América no currículo.

Depois de 2023 sem títulos, o clube voltou a vencer a Copa do Brasil em 2024, ano em que Filipe Luís — campeão em 2019 como jogador daquele mesmo elenco — assumiu o comando da equipe profissional.

A temporada de 2025 foi a mais vitoriosa desde 1981. Carioca, Supercopa, e então o que ninguém havia feito: em 29 de novembro, de volta ao Estádio Monumental de Lima, o Flamengo venceu o Palmeiras por 1 a 0 em final brasileira e se tornou o primeiro clube do país tetracampeão da Libertadores. Quatro dias depois, mais um Campeonato Brasileiro — a segunda vez que o clube fazia a dobradinha continental e nacional na mesma semana.

Em 2026 veio o Campeonato Carioca, o quadragésimo da história rubro-negra. Um clube que nasceu de uma baleeira de segunda mão comprada por 400 mil réis segue escrevendo, no seu terceiro século, a mesma história que aqueles seis remadores começaram na Praia do Flamengo.

E as taças?

São 103 conquistas, do primeiro Carioca de 1914 ao tetracampeonato da América. Todas listadas, ano a ano.

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