Em entrevista à revista VEJA , o vice de comunicação e marketing do Flamengo , Gustavo Oliveira, explicou o rompimento de contrato com a TV Globo no Campeonato Carioca , e a consequente assinatura com a TV Record para exibição dos jogos em televisão aberta.
Oliveira garantiu não ter rusgas com a emissora carioca, mas detalhou que a Globo queria pagar ao Fla o mesmo que dava aos outros grandes pelo Estadual, apesar do Rubro-Negro render melhores audiências.
"A Globo é a maior parceira do futebol brasileiro e também do Flamengo, apesar de termos um grau de dependência menor do que outros times, pois ampliamos nossas fontes de renda. Temos ótimo relacionamento com a Globo , um contrato excelente com eles para o Brasileirão, vigente até 2024. O que acontece é que ano passado, tivemos uma decisão estratégica de valorizar nosso conteúdo e, no caso do Campeonato Carioca, o Flamengo representava 70% do pay-per-view , dava o dobro de audiência, mas recebia o mesmo que os outros clubes grandes", afirmou.
"Achávamos que merecíamos receber mais, a Globo não concordou e tudo bem, o contrato não foi renovado. Buscamos então outras alternativas como a FlaTV , conseguimos alguma receita, que evidentemente não igualou os R$ 18 milhões, mas serviu de aprendizado nesta valorização de conteúdo e o movimento foi crescendo, inclusive em outros clubes", admitiu.
O vice ressaltou que o cenário ideal para os clubes brasileiros seria um em que houvesse "briga" de diversos players e meios (como TV aberta, TV fechada, pay-per-view e streaming via web ) disputando os direitos de transmissão e fazendo parcerias, assim como acontece na NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos.
"As coisas estão mudando com muita rapidez, é difícil prever (o cenário futuro). O que eu gostaria: que houvesse grandes players disputando o conteúdo do futebol brasileiro. A NFL está muito valorizada porque tem muita gente disputando: Facebook , Amazon , as emissoras de TV aberta e fechada, todo mundo brigando por aquele conteúdo", exemplificou.
"Guardadas as proporções, esse seria o nosso cenário sonhado, ter diversos players disputando o Brasileirão e eventualmente fatiando. Esse conceito é bastante razoável e dá bastante dinheiro lá fora. É o que já está acontecendo com a Libertadores, no SBT , FOX Sports e Facebook ", acrescentou.
Na conversa, Oliveira também falou sobre as diversas críticas que vem recebendo nas redes sociais pelo fato do Flamengo ter perdido vários patrocinadores nas últimas semanas.
O vice de marketing culpou a pandemia de COVID-19 e a prioridade dada pela construtura MRV ao projeto com o Atlético-MG , mas assegurou que novos parceiros chegarão.
"Não acompanho o que falam de mim, mas a 'cornetagem' faz parte. Veja só, o patrocínio do Flamengo cresceu 15% de 2019 para 2020. Há quatro espaços em branco, é verdade. Mas isso ocorreu a partir de março, com a pandemia", argumentou.
"A MRV saiu porque ela quer concentrar tudo no projeto do Atlético-MG, algo normal. Ano passado, mesmo com a pandemia, nós fizemos um negócio excepcional, que é o Banco Nação BRB , um patrimônio que construímos que nos garante um fixo de faturamento e mais uma verba maior no futuro. Tem gente que fala que o BRB é político… o Flamengo é a maior plataforma de esporte do Brasil, uma das maiores do mundo. As ações do banco subiram demais depois do acordo", seguiu.
"Mas o clube está à procura de novos parceiros… Sim, temos quatro lugares vagos: a meia, o calção, as costas e a manga. Tínhamos um bom acordo de calção, mas a empresa deixou de pagar três meses, por isso cortamos. Nossos patrocínios estão muito valorizados. Temos propostas que 95% dos clubes brasileiros aceitariam, mas eu não posso vender um espaço maior por menos do que os meus atuais patrocinadores pagam", observou.
"Temos de ter muito cuidado, a pandemia afetou o mercado, mas em breve vamos anunciar um acordo muito interessante", garantiu.
Por fim, Oliveira ressaltou que é ruim para o Fla que dois de seus maiores rivais, o Vasco e o Botafogo , vivem péssimo momento tanto dentro quanto fora de campo, já que isso desvalorizou o Campeonato Carioca e o futebol do Rio de Janeiro em geral.
O dirigente rubro-negro, inclusive, desejou que a dupla deixe logo a Série B e volte forte ao cenário nacional.
"Claro que gostaríamos que nossos coirmãos estivessem em uma situação melhor. Mas é preciso lembrar que em 2013 o Flamengo devia R$ 750 milhões e fez um dever de casa duro. Muita gente sacaneava nosso time. A estratégia era ficar alguns anos sem ganhar nada para colher os frutos na frente. Ainda ganhamos uma Copa do Brasil, que foi ótimo", lembrou.
"Claro que o cenário de pandemia torna tudo mais difícil, mas acho que esse é o caminho. Agora, é claro que é ruim para todo o futebol carioca ver o Vasco e o Botafogo na Série B. Mas são clubes muito grandes e tenho certeza que têm condições de voltar fortes", finalizou.