Vice do Flamengo explica ausência de Gerson e outros atletas no STJD e vê intransigência

Gerson e os outros jogadores do Flamengo que dariam depoimento nesta quarta-feira, no STJD, sobre a acusação de injúria racial a Ramírez, do Bahia, não compareceram. Vice geral e jurídico do clube, Rodrigo Dunshee explicou como foi a decisão de não liberar a ida dos atletas.

Gerson e Rodrigo Dunshee  — Foto: Reprodução/Twitter do Flamengo
1 de 1 Gerson e Rodrigo Dunshee — Foto: Reprodução/Twitter do Flamengo

Gerson e Rodrigo Dunshee — Foto: Reprodução/Twitter do Flamengo

Dunshee afirmou que, por causa do clássico com o Vasco, nesta quinta-feira, e por ser um tema considerado desgastante para os jogadores, o departamento de futebol fez a opção de não liberá-los.

- O Flamengo pediu o adiamento por ser um tema difícil, o crime de racismo, que vai ser julgado na esfera criminal. O jogo contra o Vasco foi remarcado para o dia 4, e o departamento de futebol não quis por ser um tema desgastante e eles perderiam concentração. Pedimos outra data entre jogos ou posterior ao campeonato, mas o relator indeferiu o pedido. O depoimento virtual não amenizaria o estresse. Ele indeferiu de novo. Ou seja, não quer ouvir os atletas. Uma formalidade é mais importante do que a verdade... Realmente o que é importante para nós é a justiça criminal - disse o dirigente.

O tribunal informou que vai dar prosseguimento ao inquérito que apura a acusação de injúria racial por parte de Ramírez sem ouvir os jogadores do Flamengo.

A investigação foi aberta no dia 14 de janeiro a pedido da Procuradoria do STJD. No último dia 25 de janeiro, segunda-feira retrasada, o tribunal tomou os depoimentos do trio de arbitragem da partida e do delegado Marcelo Vianna. A Procuradoria do STJD informou que, concluído o inquérito, vai analisar uma possível infração por parte do Flamengo pelo não comparecimento dos jogadores à audiência.

Rodrigo Dunshee não acredita em possível punição ao clube.

- Não entendo que seja caso de punição. O Flamengo prestigiou a competição esportiva. O tema é delicado, racismo. Entendemos que houve intransigência.

Na esfera criminal, o caso é conduzido pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Gerson, Natan e Bruno Henrique já deram seus depoimentos, e a investigação segue.

O caso

Gerson acusa Ramírez de ter cometido injúria racial na vitória do Flamengo por 4 a 3 sobre o Bahia no dia 20 de dezembro do ano passado, pela 26ª rodada do Brasileirão. Depois do fim do jogo, o volante afirmou em entrevista que ouviu "cala boca, negro!" do jogador colombiano.

- Tenho vários jogos pelo profissional e nunca vim na imprensa falar nada porque nunca tinha sofrido preconceito, nem sido vítima nenhuma vez. O Ramirez, quando tomamos acho que o segundo gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: "Cala a boca, negro". Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito - disse Gerson, que em seguida publicou um manifesto nas redes sociais.

No dia seguinte, Ramírez se defendeu das acusações em um vídeo divulgado pelo próprio Bahia.

- Em nenhum fui racista com nenhum dos jogadores, nem com Gerson, nem com qualquer outra pessoa. Acontece que quando fizemos o segundo gol botamos a bola no meio do campo para sair rapidamente e o Bruno Henrique finge e eu arranco a correr e eu digo a Bruno que” jogue rápido, por favor”, "vamos irmão, jogar sério”. Aí ele joga a bola para trás e Gerson, não sei o que me fala, mas eu não compreendo muito o português. Não compreendi o que me disse e falei "joga rápido, irmão". Aí passo por ele e sigo a bola. Não sei o que ele entendeu, o que ouviu. Ele jogou a bola e passou a me perseguir sem eu entender o que passava. Dei a volta por trás porque não queria entrar em briga com ninguém e depois ele sai falando que o tratei com “cale a boca, negro” falando português quando eu realmente não falo português. Estou apenas alguns meses no Brasil e sobre isso de ser racista não estou de acordo, porque isso não é bem visto em nenhuma parte do mundo e sabemos que todos somos iguais e em nenhum momento falei isso e menos ainda usei essa palavra - disse o colombiano.

Fonte: Globo Esporte