Torcedor do Flamengo é detido por injúria racial

Nesta quarta-feira, o Flamengo derrotou o Botafogo, no Maracanã, e avançou à final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro. A chegada das torcidas organizadas do rubro-negro ocorreu sem problemas, segundo relato do major Silvio, do Gepe (Grupamento Especial de Policiamento nos Estádios). Mas, minutos antes de o jogo começar, houve tumulto na entrada em frente à Estátua do Bellini e no Setor Norte. E, durante a partida, um torcedor do Flamengo, identificado como Wagner Marinho Tavares, foi detido por injúria racial contra um segurança da empresa LSM.

- Vai trabalhar vendendo banana, filho de preto - teria dito o torcedor detido.

Alguns torcedores do Flamengo entraram sem ingressos, a PM reagiu, fechou portões, o que revoltou aqueles que estavam sem ingressos.

As confusões com a torcida do Flamengo nos setores Leste (Bellini) e Norte foram de proporções um pouco maiores. As grades foram derrubadas, houve uso spray de pimenta e bala de borracha por parte dos policiais, que agiram com truculência e acabaram provocando a queda de pessoas no chão. As entradas foram fechadas por cerca de 20 minutos. Quandos os ânimos se acalmaram, o Gepe controlou a entrada novamente.

Antes, cerca de uma hora do início da partida, entre os muitos rubro-negros que chegaram ao estádio estão Anderson Costa e o filho Luis Henrique, de seis anos.

- Apesar do clima de guerra criado a torcida do Flamengo não é isso. Eu vim de Cabo Frio e até agora foi tudo tranquilo - disse o sargento reformado do Exército, que ainda trouxe a filha de 17 anos.

Quem caminhava pelo lado rubro-negro nos arredores do Maracanã podia ver muitas famílias e crianças. O clima era ameno e tranquilo, com eventuais fogos de artifícios e cantos de torcida. A 45 minutos do apito inicial, as vias de entrada da torcida do Flamengo estavam cheias, mas sem casos de tumulto.

Próximo à entrada do setor Sul, que os torcedores do Botafogo dividirão com os flamenguistas, o público é outro. A grande maioria é formada por homens adultos - crianças e mulheres são exceção.

Luciano Martins, que trabalha com transportes escolares, foi um dos raros alvinegros a trazerem crianças. O menino Moisés, de 8 anos, que Luciano leva para a escola diariamente, veio com ele para o jogo. Luciano afirma que não houve temor de violência, mas admitiu que os dois vieram sem uniforme para evitar serem identificados por torcedores da equipe rival.

PM E GM SEM PROBLEMAS DO LADO ALVINEGRO

Faltando trinta minutos para a bola rolar, a torcida do Botafogo já se dissipou do bar onde se concentrava ao lado da entrada C do Maracanã. Inicialmente a Guarda Municipal e a Polícia Militar não tiveram problemas do lado de fora alvinegro. O trânsito inclusive foi liberado pela CET Rio.

Fonte: O Globo