Tite explica ausência de novidades na Seleção: "Tenho que trabalhar com o real"

A convocação de Tite para os amistosos contra o Japão e a Inglaterra, em novembro, não trouxe novidades e manteve a base das últimas partidas da Seleção. Segundo o treinador, a falta de tempo foi o motivo para as ausências de novos nomes. Para ele, ainda é preciso descobrir e testar o verdadeiro potencial dos jogadores que têm sido chamados nos últimos compromissos do Brasil.

- A realidade é diferente do que queremos que fosse. Tenho que trabalhar com o real, não o imaginário e o que eu queria que fosse. Não dá para dar oportunidades a todos. Se busca uma amostragem para o atleta mostrar seu potencial. Assim como (se busca) a equipe jogar e crescer, não sei o potencial de crescimento. Minha amostragem é de 15 jogos, 1 ano e três meses, mas menos de dois meses comparando com um clube. Não posso ficar no "bota e tira". Tenho que colocar alguns atletas para que possam jogar - explicou Tite.

O treinador ainda justificou as presenças de Diego e Diego Souza, que têm enfrentado períodos de altos e baixos em seus clubes no Campeonato Brasileiro. Por outro lado, Tardelli, que foi chamado para enfrentar Bolívia e Chile, em outubro, não está presente na lista, mas continua sendo acompanhado, segundo Tite.

- Diego vem pra Seleção para jogar de área a área, não como ele joga no Flamengo, e eu vejo ele nestas condições. Foi acompanhado por ele ontem, teve acompanhamento, mas menos pelos gols, que são circunstanciais. Mas de ações e a virtude para jogar como articulador "box-to-box" (área a área). Diego Souza é um jogador da bola aérea, da retenção, da qualidade individual. Tardelli é de mais mobilidade. Estamos acompanhando todos esses e vai ter esse acompanhamento até o final - afirmou.

Os 25 jogadores estarão nos amistosos do Brasil contra Japão e Inglaterra, nos dias 10 e 14 de novembro, nas cidades de Lille e Londres, respectivamente. Em março de 2018, o técnico pretende reunir o elenco considerado ideal para os confrontos diante de Rússia e Alemanha, os últimos antes da convocação definitiva.

Veja mais trechos da entrevista de Tite

Jogadores que atuam no Brasil:

- Sobre o Brasileirão, conversamos sobre. Sempre que possível, a Seleção é o principal, mas associando ao fato de não prejudicar os clubes e a competição. Analisamos em diversos momentos. Se tivesse dois jogadores da mesma equipe e outro jogador da mesma equipe de mesmo nível, não iria convocar. Neste momento não teve influência, pois não posso tirar do atleta a oportunidade de estar na Copa do Mundo. Se eu fosse atleta pensaria "mereço uma chance e não vou porque minha equipe...". Não foi pesado, mas sim o que a gente entende qualidade técnica e merecimento de estar na Seleção.

Lateral esquerda:

- Parece que está fechado com dois atletas de altíssimo nível, Marcelo e Filipe Luís, surge o Alex Sandro diante de lesionados. Isso não tira a oportunidade. Não está fechado nada, eles vão concorrer de forma leal. Eu usei o termo competição. Uma equipe coopera para jogar bem, mas compete para ser convocado e ser titular. Eu já tenho noção do Filipe e do Marcelo, das pessoas e qualidade que têm. Está aberto, e eu falo "durma com esse barulho". Não fica nenhuma situação alijada, esse é um exemplo.

Douglas Costa:

- Nós o convocamos em alguns momentos que ele teve problemas, e isso retirou dele a possibilidade de um melhor desempenho. A época Guardiola foi melhor que a do Ancelotti, ele teve uma transferência, e o Allegri fez uma boa observação. Os jogos que observamos contra Torino e Sporting, esse período de observação do jogador, que está retomando o seu nível natural.

Novos amistosos:

- Esse é um segundo estágio, são etapas que vamos construindo e passando. Teve a etapa de classificação, depois crescimento e consolidação da equipe, sem desestruturar. Eu não tenho competência para mudar sete ou oito jogadores e dar uma real avaliação dele. Essa terceira etapa contra equipes europeias e asiáticas, daqui a pouco uma equipe africana. Criar possibilidades de enfrentamento desse nível.

Revezamento de capitães na Copa:

- A ideia inicial é que sim. E tem uma ideia por trás: responsabilidade que todos temos que assumir. Porque senão falam do técnico, do capitão. Tem que ser todos os atletas, toda a comissão técnica. Não dá para botar a responsabilidade. Um exemplo que ficou na minha memória, o Didi foi buscar a bola dentro do gol, e vocês colocaram "Que atitude!". E eu falei na hora: ele não era o capitão, era o Bellini. Ele teve o comportamento de capitão. Cada componente tem que ter o comportamento de capitão, independente da prática. E não expor de forma pública o cara que vai marcar. Futebol não é assim.

Número de jogadores analisados:

- O ideal e o real, de novo. O ideal seria ter tempo para dar mais oportunidades, o real é que vai fechando o leque de oportunidades e números de atletas. Estamos abertos a um Gabriel Jesus, que surgiu no Palmeiras. O leque vai se fechando pelo pouco tempo até a Copa do Mundo.

Briga por posição:

- Fica aberta a possibilidade, preciso entender as funções dos atletas nos dia a dia. Mas tem outros setores, do meio para a frente está mais aberto, mas tem outros setores. Com relação aos goleiros, tem a avaliação mais específica do Taffarel, palavra final minha, mas tem essa avaliação fina. Lateral tem a oportunidade de ver o Danilo atuando, mas tem Rafinha, Fagner. Está aberto. Jemerson também. Abre-se um leque com mais tempo de observação. Minha amostragem fica melhor, vou ser mais justo e minha possibilidade de errar é menor. De jogadores de frente, o Firmino também faz jogador de lado. Ele pode fazer, numa função parecida com a do Coutinho. Tem o Diego, que pode fazer função mais avançada, com características diferentes do Gabriel Jesus, que precisa de infiltradores. Consegue ter e fica aberto do meio para frente sim, mas atrás também tem uma parcela

Seis substituições nos amistosos:

- Os amistosos nos permitem seis substituições e no transcurso do jogo pode ampliar as possibilidades. Nós também vamos poder utilizar em outros jogos, como foi contra a Austrália e contra a Colômbia. Jorge e Diego foram convocados depois daquela oportunidade, Diego Souza, Dudu, Luan. Citamos cinco jogadores que no Jogo da Amizade hoje ou em outro momento foram convocados. Seis substituições nos proporciona esse entrar e jogar.

Demora para reencontrar a Seleção:

- Me angustia, sim. Você abordou um lado humano, vou falar do lado humano. Me deixa incomodado, com energia para observar tudo. Não subi nenhuma vez essa semana para almoçar, porque fiquei voltado para meu trabalho, queria ser o mais justo possível. 23, vou cometer injustiças, até porque sou humano. Não fala que é discursos pastoral, porque é de um cara que tem princípios. Me critiquem de outra forma, porque pastor estudou. Mas de um cara humano, que sabe que o atleta pensa "eu fiz por merecer". Minha esposa disse para convocar mais, para ser justo. E eu disse para ela "Tá, chega!". O lado humano talvez seja o que mais me incomoda.

Edu sobre naturalização de Jorginho, do Napoli:

- Conversei pessoalmente com Jorginho após uma reunião com a comissão sobre o interesse e a observação ao atleta. Eu fiz questão de ligar e deixei ele à vontade de tomar a decisão, que é delicada e importante para a carreira do atleta, mas deixei ele saber a verdade. Ele está, sim, ainda sendo observado, o Sylvinho acompanhou os jogos dele na Itália. Nós conversamos bastante sobre ele, características, função que poderia jogar. E o futuro vamos esperar as decisões. O que nos dá tranquilidade é que o atleta sabe o que estamos pensando.

Seleção japonesa:

- A partir deste momento eu confesso que fiquei voltado para as informações de ter uma lista e a gente possa se olhar para pensar que se a gente não convocou foi porque não tivemos competência ou uma ótica diferente. Agora passaremos a mergulhar nas características de Japão e Inglaterra, eles ficam observando e fazendo tudo que todas as equipes fazem. Vamos nos aprofundar agora, assim como o técnico da seleção japonesa a nós.

Confira os 25 nomes convocados

  • Goleiros: Alisson (Roma), Ederson (Manchester City) e Cassio (Corinthians);
  • Defensores: Alex Sandro (Juventus), Daniel Alves (PSG), Danilo (Manchester City), Jemerson (Monaco), Marcelo (Real Madrid), Marquinhos (PSG), Miranda (Inter de Milão) e Thiago Silva (PSG)
  • Meio-campistas: Casemiro (Real Madrid), Diego (Flamengo), Fernandinho (Manchester City), Giuliano (Fenerbahçe), Paulinho (Barcelona), Philippe Coutinho (Liverpool), Renato Augusto (Beijing Guoan) e Willian (Chelsea);
  • Atacantes: Diego Souza (Sport), Douglas Costa (Juventus), Roberto Firmino (Liverpool), Gabriel Jesus (Manchester City), Neymar (PSG) e Taison (Shakhtar).

Fonte: Globo Esporte

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